Por Que Sair da Poupança e Migrar Para a Renda Fixa?

Apesar de os investimentos estarem se tornando mais populares, a disponibilidade dos brasileiros para investir em produtos financeiros ainda é baixa. Uma pesquisa recente feita pela Anbima, associação das entidades que atuam nos mercados financeiro e de capitais, revelou que, no ano de 2018, apenas 8% da população conseguiu fazer algum tipo de aplicação e, desse percentual, a grande maioria (88%) guardou seu dinheiro na caderneta de poupança.

Porém, há algum tempo, a poupança deixou de ser uma opção interessante. Abaixo, seguem alguns motivos para tal afirmação.

Baixo rendimento

Um dos motivos para não apontar a caderneta de poupança como um produto tão atrativo é o baixo rendimento que ela oferece.

De acordo com o Banco Central, a regra para o retorno da poupança em 2019 é pagar 70% da Taxa Selic ao ano, quando esta for igual ou inferior a 8,5% – que é o caso, atual -, com acréscimo da Taxa Referencial – praticamente zero, o que também é registrado atualmente.

A taxa Selic está em 6,5% ao ano há vários meses. Desta forma, o rendimento da poupança está em torno de 4,5%. Se levar em conta que a inflação está um pouco abaixo disso e a meta estabelecida para 2019 é de 4,5%, os ganhos com a aplicação seriam praticamente nulos até o final do ano.

Segundo a pesquisa da Anbima, os motivos para que a população brasileira continue a direcionar seu dinheiro para a caderneta são a busca por segurança, liquidez (o resgate pode ser feito a qualquer momento), facilidade e isenção do Imposto de Renda. Por outro lado, há diversos outros investimentos em renda fixa que oferecem essas mesmas vantagens, mas com rendimentos mais atrativos do que a poupança.

Investimentos em renda fixa melhores que a poupança

Tesouro Direto

É um dos produtos mais acessíveis no mercado de renda fixa. O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BM&F Bovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet. O objetivo da criação, realizada em 2002, foi democratizar o acesso aos títulos públicos, ao permitir aplicações com apenas R$ 30.

Há uma diversificação dos títulos e das respectivas rentabilidades que podem ser: prefixada (ligada à variação da inflação ou à variação da taxa Selic), de prazos de vencimento e de fluxos de remuneração.

No Tesouro Selic, por exemplo, o retorno da aplicação varia exatamente de acordo com a essa taxa básica de juros. Comparado à poupança, em 2018, a rentabilidade desse título chegou à aproximadamente 6,5% ao ano, enquanto na caderneta, esse índice ficou em torno de 4,5%.

Com relação à liquidez, de fato, na poupança, o resgate pode ser feito a qualquer momento. No Tesouro Direto há um prazo, mas é curto. A liquidez é de um dia útil para todos os títulos. A remuneração ocorre de acordo com o preço daquele título no dia da venda. Ou seja, pode haver ganho ou prejuízo. Contudo, na caderneta, se a retirada for feita antes da aplicação completar um mês, não haverá retorno algum.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Esses papéis são outro ótimo exemplo de bom investimento em renda fixa. Assim como o Tesouro Direto,ao comprar um título, o investidor está emprestando dinheiro em troca de remuneração no vencimento desse papel. Enquanto no Tesouro o operador empresta ao governo federal, com os CDBs, o investidor empresta ao banco em que a operação está sendo realizada.

Além da rentabilidade ser bem maior do que a poupança, em termos de segurança, caso o banco emissor do CDB venha a quebrar, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre todos os investimentos de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. E a liquidez é diária com o valor aportado corrigido, mesmo que minimamente.

Outros investimentos atrativos

Existem também as Letras de Câmbio (LCs), apelidadas de “CDB das financeiras”, já que são as sociedades de crédito, financiamento e investimento (SCFI) as emissoras. Há ainda a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), cujos títulos são emitidos por bancos e instituições financeiras e têm o intuito de financiar os respectivos mercados. Nesses dois últimos casos, ambos são isentos de Imposto de Renda.

Em termos de facilidade, outra boa opção de investimento são os fundos de renda fixa que investem em títulos como o Tesouro Selic ou CDB, com uma rentabilidade próxima da taxa DI.

Uma vantagem dessa operação é que o investidor não precisa se preocupar em qual produto escolher. Um profissional de uma instituição financeira faz esse serviço para o investidor. Outro benefício, é que o operador pode contar com uma carteira diversificada, isto é, uma diversificação de retornos.

Por outro lado, há uma taxa de administração prevista para essa gestão profissional, a qual especialistas recomendam que não ultrapasse 1% ao ano. Há ainda cobrança de IOF para aplicações de prazo inferior a 30 dias e imposto de renda sobre os rendimentos.

Em relação à segurança, se o gestor quebrar basta migrar o fundo para outro.

3 comentários em “Por Que Sair da Poupança e Migrar Para a Renda Fixa?

  1. Div UFRJ Responder

    Acredito que quem tem dinheiro na poupança está na frente de muitos brasileiros. Quem tirou da poupança e procurou outra RF está na frente de mais brasileiros, e por aí vai.
    Antes msm de qual tipo de investimento, o importante é a cabeça investidora/poupadora.
    Aqui em casa estou num trabalho árduo de explicar que TD é seguro maaaaas é cultural e depende da vontade da pessoa de se interessar e procurar.
    abraço

  2. Paul D. Silesi Responder

    Fala Uó! E quanto às contas dos bancos digitais, como a do Nubank, que rendem 100% do CDI, é uma boa para pelo menos deixar como reserva de emergência? Estou limpando minha poupança aos poucos. Um abraço!

  3. Dinheiro Investimento e Lazer Responder

    O primeiro passo de quem está na poupança é passar melhores investimentos de renda fixa.

    Depois com o tempo e o estudo, ir passando aos poucos para a renda variável (fundos imobiliários e ações).

    Abraço!

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