Economia Compartilhada: A Vida Como Serviço “Life as a Service”

Estamos vivendo um momento de revolução nos costumes – assim quero acreditar. A forma como a sociedade atual percebe as coisas (entenda aqui “coisa” no sentido de coisa mesmo – objetos, propriedade física) está mudando. A necessidade de posse está dando lugar à necessidade de acesso. Por exemplo, se você tem uma furadeira em casa, já parou para pensar quantos furos de parede já fez com esta ferramenta? Dividindo o valor que pagou pela furadeira pelo número de furos você terá o valor que cada furo lhe custou. Por que não alugar uma furadeira quando de fato precisar pendurar um quadro na parede? Estamos falando aqui de “economia compartilhada”.

O ser humano tem  – e sempre terá – a necessidade de consumir coisas e de possuir coisas. O que explica este comportamento? A resposta para esta pergunta é simples: do ponto de vista prático, existe a comodidade de ter a furadeira sempre disponível e poder usá-la a qualquer momento. Do ponto de vista psicológico, existe a satisfação de acumular bens como se fossem uma recompensa a todo esforço de vida (estudo e trabalho). Mas isto tem um custo. Todo conforto na vida tem um custo.

O Que é Economia Compartilhada?

O conceito de economia compartilhada é baseado na mesma lei que rege o mercado: a lei da oferta e demanda. A diferença é que na economia compartilhada a forma encontrada para suprir a demanda é o compartilhamento. Ou seja, uma pessoa que tem uma demanda por algo não precisa adquirir o produto e sim adquirir o uso.

Portanto, na prática, a economia compartilhada funciona por meio de formas de compartilhar seus recursos de maneira mais eficiente. Assim, todos os usuários que participam do processo podem se beneficiar – seja por capitalizar um recurso ocioso, ou por utilizar um produto apenas quando lhe convém.

O conceito de economia compartilhada vai mais além do que o simples compartilhamento de coisas. A ideia é bem mais ampla. Segundo a especialista Rachel Botsman, a economia compartilhada contempla 3 possíveis tipos de sistemas:

Estilos de vida colaborativos: baseia-se no compartilhamento de recursos, tais como objetos, habilidades e tempo.

Mercados de redistribuição: ocorre quando um item usado passa de um local onde ele não é mais necessário para onde ele é. Baseia-se no princípio do “reduza, re-use, recicle, repare e redistribua”.

Sistemas de produtos e serviços: ocorre quando o consumidor paga pelo benefício do produto e não pelo produto em si. Tem como base o princípio de que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, o que precisamos é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente qualquer bem.

A ideia de ter apenas o benefício do produto ou serviço em detrimento da sua propriedade não é recente. Por exemplo, aluguel de veículos e outros bens como vestidos de noivas, mobiliário para festas já existem há anos. Contudo o conceito de compartilhamento tomou uma nova dimensão com a popularização cada vez maior da internet e de aplicativos para smartphones.

É com a rede mundial que se tornou possível unir todas essas pessoas e empresas em prol de uma nova forma de consumo mais sustentável e colaborativa.

Nova Tendência Mundial

Essa tendência mundial está intimamente ligada ao surgimento de uma gama de aplicativos capazes de ajudar a operacionalizar uma nova concepção de bens duráveis, que passam a ser vistos como objetos e serviços de uso temporário. Esse consumo colaborativo abrange diversos tipos de bens.

No setor de transportes, cada vez mais pessoas optam por serviços de compartilhamento de veículos que permitem a seus usuários pegar e deixar seus carros em ruas ou estacionamentos, em vez de comparecer aos tradicionais escritórios de aluguel de carros. Há também serviços disponíveis para compartilhamento de caronas e também alternativas ao já obsoleto serviço de táxi.

No setor de hospedagem, o serviço de aluguel de quartos ou apartamentos Airbnb cresce vertiginosamente a cada ano. O Airbnb permite que viajantes aluguem quartos ou apartamentos no mundo todo. Esta é uma ótima oportunidade tanto para os viajantes que estão a procura de acomodação econômica quanto para os proprietários que estão procurando uma renda extra para suas acomodações ociosas.

Toda vez que alguém usa um serviço ou objeto compartilhado, o prestador do serviço é avaliado. Desta forma fica muito fácil e seguro conhecer quais são os melhores opções disponíveis. Esta é uma das vantagens deste tipo de serviço, além da economia financeira já citada. Contudo há quem não está gostando da nova tendência como os hotéis e os taxistas.

aplicativos economia compartilhada
Sites e Aplicativos para Compartilhamento de Bens e Serviços – Fonte Galileu

Vantagens da Economia Compartilhada

A economia compartilhada possui vantagens sobre a economia real, dentre elas podemos destacar:

Sustentabilidade: A economia compartilhada ajuda a reduzir o impacto negativo do consumo de recursos no meio ambiente, incentivando a reutilização e minimizando o desperdício de bens e recursos.

Acessibilidade: A economia compartilhada torna mais fácil o acesso aos recursos, uma vez que você pode usar sem precisar adquirir.

Comunidades: Quando as pessoas estão engajadas no compartilhamento, são formadas comunidades mais fortes com usuários dispostos a ajudar uns aos outros.

Nem Todos Gostam da Ideia

Pelos dados estatísticos já coletados, percebe-se que esta tendência é irreversível, mas nunca é possível agradar gregos e troianos. As áreas de turismo e mobilidade foram as primeiras a sofrer os efeitos da economia compartilhada.

Um dos problemas enfrentados é a falta de leis que regem essa ação, ou seja, é um tipo de comércio não formalizado. E esta é uma das principais reclamações dos prestadores de serviços tradicionais que se vem prejudicados em relação aos serviços de compartilhamento.

O Uber enfrenta dificuldades legais desde que chegou ao Brasil. Em algumas cidades, as prefeituras determinaram que os serviços de caronas eram ilegais porque os motoristas não possuíam as credenciais exigidas pelos municípios para transportar terceiros, como a checagem de antecedentes criminais ou seguro do veículo.

Associações como o Cofeci-Creci, que regula o setor imobiliário, também questionam as práticas do Airbnb. “A intermediação de locação, mesmo que para temporada, interfere nas prerrogativas legais dos corretores de imóveis, e pode ser autuada como exercício ilegal da profissão”, diz João Teodoro, presidente do Cofeci-Creci.

Life as a Service

Ainda falando de economia compartilhada, termino este artigo deixando aqui o link para um vídeo muito bacana do Murilo Gun “Life as a Service”…

Murilo Gun deu um nome para um modelo diferente de consumo. O LaaS, numa analogia clara a SaaS (Software as a Service), é um dos temas usados na palestra que fez bastante sucesso no TEDxFortaleza. A maior analogia dessa palestra é “a furadeira”.

Alguém usa a furadeira de forma contumaz em sua casa? Não. Provavelmente a furadeira é usada algumas vezes pelos seus donos. Isso, é de fato uma verdade em vários exemplos. Seria melhor usar essa mesma furadeira apenas pela quantidade de furos que ela vai fazer. Seria infinitamente mais barato.

Essas são as palavras e ideias de Murilo Gun, o criador da expressão Life as a Service no Brasil. Tem a ver com site de assinatura, tem a ver com pagamento recorrente.

16 comentários em “Economia Compartilhada: A Vida Como Serviço “Life as a Service”

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  2. VDC Responder

    Fala Uo,

    Acabou o ranking Alexa da finansfera? Nao fez mais.

    Abração

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Bem lembrado, preciso atualizar aquilo lá, vou ver se faço neste fim de semana. Mas estou com um outro ranking em mente que vai incomodar muita gente graúda, rs. Aguarde.

  3. André Rezende Azevedo Responder

    O Fleety não conseguiu se sustentar e faliu, infelizmente… Agora temos o Pegcar.

    Estou monitorando o site constantemente para ver se a oferta aumenta aqui em Campinas e se aparecem dois ou três fornecedores perto de casa., Quando isso acontecer, vendo o carro e fico só com a motoca.

    Isso se o Uber não for inviabilizado…

    Abraço!

  4. Rodolfo Oshiro Responder

    Uo,

    Acho bem bacana esse tipo de coisa … confesso que algum desses serviços eu não tentei ainda … mas … quem sabe em um futuro prox…

    Abs,

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Confesso que não usei nenhum destes serviços, rs

  5. Z Urubu Responder

    Excelentes insights nesse escrito.

    But…

    Primeiro: comentários de uma frase deveriam ser banidos, não agregam nada.

    Segundo: afirmar que um dos problemas enfrentados é a falta de leis, chega a ser risível, pois o problema são as próprias leis. A interferência do estado em atividades privadas têm que ser combatida e não incentivada.

    O que Associações como o Cofeci-Creci e tantas outras espalhadas pelo Brasil almejam é permanecerem encastelados em reversas de mercado que só podem ser garantidas pelo próprio estado, visto que no livre mercado a concorrência impera e o consumidor é soberano. Por isso atacam os novos modelos de negócio como Uber, AirBnb (quais possíveis impactos nos Reits e Fiis?) e afins.

    Terceiro: Noto uma subserviência lamentável a autoridade dá receita federal. Te fazem de babaca, tiram seu dinheiro que é fruto do seu trabalho, te fazem trabalhar de graça preenchendo milhares de informações. Boa sorte nada, denuncio e grito aos quatro cantos o esbulho.

    Sonegar é legítima defesa, protejo meus bens contra o roubo privado e protejo meus bens contra o roubo do estado.

    Encerro para não alongar.

    Ass,
    Z Urubu

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