O Lobo de Wall Street: A Arte Imita a Vida ou a Vida Imita a Arte?!

aristotelesA conhecida frase “A arte imita a vida” é atribuída ao filósofo grego Aristóteles (Estagira, 384 a.C. — Atenas, 322 a.C.). Porém, a frase é uma livre adaptação da frase original “A arte imita a natureza” publicada em Física, Livro II. No texto, Aristóteles trabalha com os conceitos de “arte” (techné), “imitação” (mímesis) e “natureza” (physis). Não se trata, portanto, da “arte” como poiesis e da “vida” como práxis.

Em outro trabalho (Poética), Aristóteles escreve a respeito da arte no sentido que é usada na frase adaptada. Nesse texto, fala-se especificamente da poesia – que, na Antiguidade, tinha um alcance bem maior do que hoje. Aristóteles deixa claro que a poesia, nesse sentido mais lato, é imitação.

 

Até aqui, parece que estamos em direção à frase do título “A arte imita a vida”. Entretanto, Aristóteles observa que o que é imitado não são pessoas, mas as ações. E mais, a “imitação” não é uma simples cópia. Para ele, a poesia, ou a trama que nela se desenvolve, deve ser verossímil, mas não “verdadeira”.

Indo um pouco mais além, para Aristóteles, grande amante do teatro, “A arte imita os caracteres, as emoções e as ações”. Para ele, a tragédia (termo que hoje pode ser traduzido como ficção) “é a imitação de uma ação completa com princípio, meio e fim”.

Ao provocar temor e compaixão, o objetivo da tragédia seria, segundo o filósofo, a “purificação” da platéia, que, ao final do espetáculo, estaria emocionada pelas paixões encenadas.

Oscar Wilde (Dublin, 16 de outubro de 1854 — Paris, 30 de novembro de 1900), não satisfeito com a frase do pensador grego, trouxe à tona sua antítese proferindo: “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”.

the wolf of wall street

Maior sucesso de bilheteria do diretor Martin Scorsese, o filme “O Lobo de Wall Street” (2013) está envolvido em um processo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. De acordo com o jornal New York Post, as autoridades norte-americanas concluíram que o filme foi financiado com dinheiro desviado de empresas fraudulentas e fazia parte de um imenso esquema de lavagem de dinheiro concebido pelo primeiro-ministro da Malásia. É um caso no qual “a arte imita a vida”, ou seria “a vida imitando a arte”?

De acordo com fontes próximas ao caso, a polícia federal dos Estados Unidos está em busca de pelo um bilhão de dólares investidos por uma empresa criada exclusivamente para lavagem de dinheiro de empresários da Malásia e parte desse montante teria sido investido no filme de Scorsese.

Nesta semana, três meses depois de revelado o esquema de corrupção que teria feito desvios de US$ 100 milhões para as filmagens de “O Lobo de Wall Street”, o ator Leonardo DiCaprio decidiu se pronunciar. Um representante do ator divulgou um comunicado afirmando que tanto DiCaprio como a instituição beneficente que ele coordena, a “Fundação Leonardo DiCaprio”, pretendem devolver todos os presentes e doações recebidos de pessoas ou empresas ligadas ao escândalo.

Uma das peças centrais do escândalo de corrupção, o agente e financista malaio Low Taek Jho, teria comprado algumas garrafas de champanhe e levantado cerca de US$ 3 milhões para a instituição de caridade de Leonardo DiCaprio durante a comemoração do aniversário dele em 2013.

Low também teria usado investimentos do fundo 1MDB (1Malaysia Development Berhad) para comprar US$ 1,1 milhão em obras de arte em um leilão com renda revertida à mesma instituição e oferecido uma peça de Roy Lichtenstein de US$ 700 mil para um outro leilão ligado à fundação.

O Lobo de Wall Street

“O Lobo de Wall Street” (no original em inglês “The Wolf of Wall Street”) é um filme estadunidense de 2013 dirigido por Martin Scorsese e baseado nas memórias de do especulador financeiro Jordan Belfort no best-seller de mesmo nome. O roteiro foi escrito por Terence Winter, e estrelado por Leonardo DiCaprio como Belfort, um corretor de títulos de Nova York que dirige uma firma fraudulenta em Wall Street, a Stratton Oakmont.

jordan belfort quotesO filme começa em 1987, quando Jordan Belfort torna-se um corretor de ações em uma empresa estabelecida em Wall Street.

Seu chefe, Mark Hanna (Matthew McConaughey) recomenda-lhe que adote um estilo de vida baseado em drogas e prostitutas, a fim de ter sucesso.

Ele passa no Exame Série 7 e ganha sua licença de corretor, e em seu primeiro dia na corretora, a empresa quebra após a segunda-feira negra.

 

Sem opção no mercado de trabalho para corretores uma vez que o mercado entrou em colapso após a segunda-feira negra, Belfort, encontra um anúncio para corretor em uma pequena corretora de Long Island. Usando um estilo de venda agressivo logo alcança os primeiros milhares de dólares.

Faz amizade com Donnie Azoff e decidem abrir a própria empresa em conjunto, recrutando vários amigos de Belfort (todos os traficantes de maconha experientes). A empresa, Stratton Oakmont, logo torna-se uma corretora de bilhões de dólares.

O roteirista do longa não se preocupou em mostrar os pormenores do sobe de desce das bolsas de valores de N.Y. e do mundo, até porque isso não importa para a história, para os lobos ou mesmo para as vítimas. O que importa para o trio Scorcese/DiCaprio/Winter é a devassidão sem limites do personagem principal.

Belford trata-se de um personagem de Scorsese à moda antiga, um homem que criou sua própria alcateia e se posicionou habilmente como o macho alfa desta, o grande e cruel lobo mau de Wall Street, capaz de engolir qualquer tubarão e que faz troça de suas presas. É a forma com a qual pureza de sua devassidão foi explorada pelo longa que o torna tão irresistível.

a vida imita a arteO que alimenta o protagonista é a sua fome por MAIS. Mais dinheiro, mais poder, mais drogas, mais mulheres, mais carros…

Essa ânsia incontrolável de Belfort o transformou no proverbial homo homini lupis, o homem egoísta que é o lobo do outro homem, conforme postulado por Plauto e Hobbes.

Mas Jordan, mesmo movido por instintos básicos como ganância e luxúria, não retornou ao estado animalesco para caçar suas presas. Ele caça de maneira elegante, lançando mão de sua capacidade de convencimento e raciocínio rápido para explorar os desejos alheios de fortuna rápida.

 

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Fonte 1 e Fonte 2

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10 comentários sobre “O Lobo de Wall Street: A Arte Imita a Vida ou a Vida Imita a Arte?!

    • Achei um pouco estereotipado, mas vai que a vida real do Belford era assim mesmo. E será que o crime compensa? Hoje virou palestrante famoso.

  • Pois é Uó… Esses caras da corretagem sempre ganham, quer o mercado esteja, quer ele esteja em baixa…
    Pô não consigo mais acessar o blog do Uó? Todo o conteúdo já foi transferido pra cá?
    Qual era aquele template do blogger que você utilizava no blog do Uó? Me passa o nome…

  • Grande Uorrem, ótimo texto!

    Já assisti o Lobo de Wall Street e, ao mesmo tempo que acho um excelente filme, penso que passa a ideia de riqueza rápida e fácil.

    Acho que para quem trabalha no mercado financeiro, ou investe em ações, esse filme acaba influenciando de uma forma bastante negativa.

    Tem-se que ter muito cuidado e saber discernir a vida da arte.

    Abrs

    • O filme tenta glamorizar um pouquinho, mas na real este mercado nem tem nada de glamour, rs.
      Abraço!

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