Carta Mensal aos Cotistas (Maio/2019)

Esta é a compilação dos índices econômicos em maio de 2019: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,54%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,54%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,52%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com alta de 0,70% enquanto o IFIX teve alta de 1,76%. O Dólar americano Ptax teve queda de -0,12%. O ouro B3 teve alta de 1,36%. O IGP-M registrou inflação de 0,45%.

“Sell in May and Go Away”. Você já deve ter ouvido este jargão do mercado financeiro. Maio é o mês mais temido pelos investidores, mas temido apenas por aqueles com visão de curto prazo, para os praticantes do B&H é um mês em que costuma ocorrer boas promoções da bolsa de valores, mas não foi o que aconteceu este ano.

A melhora na política local impulsionou a bolsa de valores nas últimas duas semanas de maio, levando o índice para campo positivo no acumulado do mês. E isto acabou quebrando a sequência de nove anos de quedas da bolsa no mês de maio. Desta forma, o mercado acionário local foi na contramão das bolsas americanas, que tiveram um mês muito negativo, afetadas pela guerra comercial com a China.

Apesar da quebra da “maldição de maio“, é bom lembrar que o mês foi marcado por uma alta volatilidade. O índice oscilou entre os 89.408 pontos e os 97.992 pontos. É uma diferença de mais de 8 mil pontos. Uma onda de pessimismo abateu o mercado brasileiro na primeira metade de maio. E este pessimismo teve dois vetores: um externo e um interno.

No externo, a guerra comercial entre Estados Unidos e China voltou a preocupar os investidores. As duas super potências que pareciam próximos de fechar um acordo, entraram novamente em atrito. Essa mudança de trajetória pegou os mercados globais desprevenidos e gerou uma mudança na tendência de recuperação do mercado americano.

Por aqui, a primeira metade de maio foi marcada por fortes divergências entre governo e Congresso, investigações envolvendo a família do presidente e muitos outros focos de tensão envolvendo as figuras centrais de Brasília. Nesse contexto, o mercado adotou uma postura de pessimismo em relação ao futuro da reforma da Previdência.

Na segunda metade de maio, o índice foi ganhando força pregão após pregão, acompanhando a despressurização do cenário político. E, no final de maio, esse movimento ganhou ainda mais força com a sinalização de que os Três Poderes assinarão um “pacto” para o crescimento econômico do país.

indices financeiros maio 2019

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Carta Mensal aos Cotistas

A Década Perdida II

Se você tem idade acima dos 30 anos com certeza já ouviu falar da “década perdida”. Trata-se de uma designação para o período financeiro de crise na América Latina durante a década de 80. Em geral, as crises consistiam em dívidas externas impagáveis, grandes déficits fiscais e volatilidade inflacionária e cambial, que na maioria dos países da região eram fixos.

Esse período de estagnação econômica formou-se com uma retração agressiva da produção industrial. A inflação elevada e o crescimento baixo do Produto Interno Bruto (PIB) levou diversas nações, entre elas o Brasil, a uma situação de crise econômica gravíssima.

No Brasil, foram verificadas reduções no PIB, sendo que o crescimento médio que era de 7% nos anos 70 caiu para 2% na década de 80. Fora isso, as taxas internacionais de juros causaram um crescimento da dívida do Brasil com os EUA, além do aumento do déficit público.

Para sanar o problema da inflação galopante, as saídas políticas adotadas pelo então presidente militar, João Baptista Figueiredo, foi guiar a economia do Brasil (sem muito sucesso) de acordo com as diretrizes do FMI.

A era Sarney que se seguiu a Figueiredo foi marcada por uma série de planos que não conseguiram conter a inflação. As medidas, conhecidas como o Plano Cruzado, Cruzado II, Plano Bresser e Plano Verão, não obtiveram êxito.

A expansão do PIB brasileiro foi uma decepção em 2017 e 2018 e a recessão de 2015 e 2016 registrou a maior contração da atividade em mais de 100 anos. Para piorar, contrariando as melhores expectativas do final do ano passado, o Brasil não foi nada bem neste primeiro trimestre de 2019. O PIB do país caiu 0,2% nos três primeiros meses de 2019 mostrando que a economia ainda não dá sinais de retomada.

De acordo com o Goldman Sachs, o Brasil caminha para a segunda década perdida em 40 anos. O banco estima que entre 1981 e 2020, o crescimento real do PIB per capita deve ficar, na média, perto de 0,8%. ntre 1981 e 1990, a renda real encolheu 0,5% em média. Entre 2011 e 2018 recuou 0,3%.

Enquanto a piora do PIB nos anos 80 foi em parte reflexo da crise da dívida externa brasileira e ampliada por choques internacionais, a atual década reflete uma sucessão de erros de política econômica e falta de reformas, ressalta o banco americano.

Indicação de Podcasts

Termino este post indicando aos leitores dois podcasts que tenho ouvido e gostado. Trata-se de conversas com gestores de fundos de ações e multimercados, são eles…

Bons investimentos neste mês de junho!

 

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