Carta Mensal aos Cotistas (Dezembro/2018)

Esta é a compilação dos índices econômicos em dezembro de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,49%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,49%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,50%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com queda de -1,81% enquanto o IFIX teve alta de 2,22%. O Dólar americano Ptax teve alta de 0,30%. O ouro subiu 4,98%. O IGP-M registrou deflação de -1,08%.

2018 foi um ano que entrou para a história: tivemos copa do mundo, eleições gerais e uma greve de caminhoneiros que parou o país. A copa até que não afetou muito o mercado, apesar de ter contribuído um pouco para a improdutividade do brasileiro, mas as eleições e a greve… nem te conto! Mas no final das contas, quem apostou em investimentos de maior risco se deu bem em 2018. Os títulos públicos de longo prazo – prefixados e indexados à inflação – foram os grandes destaques do ano, ao lado do dólar, que subiu 17,12%. O melhor investimento do ano foi um título público de longo prazo indexado ao IPCA, que valorizou nada menos que 18%.

Mas a bolsa de valores não ficou para trás e o IBOV teve uma valorização de 15,03% no ano. Foi uma alta bem inferior aos 26% de 2017, mas ainda assim bastante relevante dado o momento político-econômico que vivemos. Ademais, a bolsa brasileira se destacou de fato, descolando das bolsas dos países emergentes e desenvolvidos. Por outro lado, quem foi conservador viu seus rendimentos minguarem bastante. As aplicações atreladas à Selic e ao CDI tiveram rendimento bem modesto. A poupança foi a lanterninha do ranking dos investimentos mais tradicionais. Mas quem despencou mesmo em 2018 foram as criptomoedas, só o bitcoin que caiu quase 70%.

Apesar de toda a volatilidade nos mercados, a inflação permaneceu controlada e a taxa básica de juros pôde ficar estacionada durante a maior parte do ano, tentando assim reanimar a economia adormecida. Depois de um ciclo de queda ao longo de 2017, a Selic estacionou, em março, no seu menor nível da história, 6,50%. O juro baixo e o otimismo que se seguiu à eleição de Jair Bolsonaro abriram espaço para a queda dos juros futuros, um leve recuo do dólar, a valorização dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação e a alta das ações e dos fundos imobiliários.

indices economicos

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Dezembro de 2018

A taxa SELIC em dezembro de 2018 ficou em 0,49%. No acumulado do ano, a taxa SELIC ficou em 6,43%.

CDI em Dezembro de 2018

O CDI em dezembro de 2018 ficou em 0,49%. No acumulado do ano, o CDI ficou em 6,42%.

CDB em Dezembro de 2018

O CDB em dezembro de 2018 ficou em 0,50%. No acumulado do ano, o CDB ficou em 6,97%.

Poupança em Dezembro de 2018

O rendimento da poupança antiga em dezembro de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. No acumulado do ano, a poupança ficou em 6,17% e a nova em 4,62%.

IBovespa em Dezembro de 2018

O IBovespa fechou dezembro de 2018 aos 87.887 pontos, registrando queda de -1.81%. No acumulado do ano, o índice fechou com alta de 15,03%.

Gráfico IBovespa 

IFIX em Dezembro de 2018

O IFIX fechou dezembro de 2018 aos 2.351 pontos, registrando alta de 2,22%. No acumulado do ano, o índice teve alta de 5,62%.

Dólar em Dezembro de 2018

O Dólar Ptax (BC) subiu 0,30% em dezembro de 2018 acumulando alta de 17,13% no ano. O Dólar Comercial (mercado) subiu 0,42% acumulando alta de 16,92% no ano.

Gráfico Dólar

Ouro em Dezembro de 2018

O ouro fechou dezembro de 2018 com alta 4,98%. No acumulado do ano, o ouro subiu 16,93%.

IGP-M em Dezembro 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou deflação de -1,08% em dezembro. Apesar da queda em dezembro, o índice acumulou alta de 7,54% no ano.

Carta Mensal aos Cotistas

Temores em relação o ritmo de crescimento das economia mais desenvolvidas, combinado com o risco de recessão nos E.U.A. e a guerra comercial travada entre Donald Trump e a China pesaram no humor dos mercados nos últimos meses deste ano, levando os índices a encerrarem no negativo. Entre as commodities, o petróleo sofreu no segundo semestre. Disputas entre os países produtores e temores com a produção levaram o preço do barril a cair acentuadamente nos últimos meses. Confira o desempenho dos investimentos em 2018…

melhores investimentos 2019

Fonte: Seu Dinheiro

Como pode ser visto na tabela acima, 2018 foi de fato um bom ano para muitas classes de investimento. O governo Temer, apesar de amargar um dos piores índices de popularidade da história e estar envolto a escândalos de corrupção dos mais diversos níveis, conseguiu desempenhar um papel reformista que agradou o mercado. E agora, com a chegada do novo governo, as expectativas dos agentes econômicos estão em níveis elevados como não se vê há muitos anos.

A pesquisa “Agenda 2019”, realizada pela Deloitte logo após o término do ciclo eleitoral, aponta as expectativas do empresariado brasileiro para o governo eleito e os seus próprios negócios. O levantamento foi aplicado junto a representantes de 826 organizações de 32 segmentos econômicos e cuja soma das receitas totalizou R$ 2,8 trilhões no último ano (corresponde a 43% do PIB nacional). Do total dos respondentes, a grande maioria é composta por tomadores de decisão nas corporações: 66% ocupam posições de presidentes, diretores, superintendentes e conselheiros; e 23% são gerentes.

No que se refere à expectativa para o novo governo, os participantes sinalizaram suas visões sobre: leis e regulamentações, gestão pública, como o governo pode incentivar a atividade econômica, como fomentar a atividade empresarial e questões relacionadas a investimentos sociais.

O empresariado apontou que o Executivo eleito deve priorizar as reformas tributária (assinalada por 93% dos entrevistados), previdenciária (90%) e política (80%). “Isso mostra muito do amadurecimento do empresariado, que entende que reformas de grande valor agregado precisam ser feitas para dar resultado à sociedade”, analisa Othon Almeida, sócio-líder de Market Development da Deloitte.

Na parte de gestão pública, o combate à corrupção e o ajuste fiscal nas contas públicas se destacaram com 62% e 61% das respostas selecionadas, respectivamente. Outros pontos relevantes incluem a necessidade de estímulo à geração de empregos – crucial para alavancar o consumo e a produção – e a ampliação do comércio internacional, para que as empresas sofram menos impacto com as crises econômicas internas.

expectativas economia 2019

O empresariado mostrou-se otimista com relação ao próximo ano. A maioria dos entrevistados (97%) indicou que pretende investir ou implementar ações que desenvolvam os negócios enquanto 69% dos executivos acreditam que as vendas vão aumentar.

Entre os investimentos a pesquisa indica intenção de lançar novos produtos e adotar novas tecnologias (60% e 56%, respectivamente). Os empresários pretendem, ainda, investir em equipamentos (46%) e em pesquisa e desenvolvimento (49%). A busca de recursos para se capitalizar em 2019 deve ser uma realidade para 70% das empresas. Destacam-se os aportes dos próprios proprietários ou acionistas, os empréstimos originados de bancos de fomento (como o BNDES) e de bancos de varejo. Dez empresas declararam que pretendem realizar abertura de capital (IPO) no próximo ano.

Com relação às contratações, 47% dos entrevistados afirmaram que pretender aumentar o número de funcionários, enquanto 32% devem manter o quadro de atual, com substituições por pessoas mais qualificadas. Apenas 7% dos entrevistados indicaram que vão diminuir o quadro de funcionários, sendo que quase metade desses executivos (46%) sinalizou que a decisão está sendo influenciada por fatores como a robotização, a automação de processos e a substituição por talentos mais qualificados.

“Devagar com o Andor, Que o Santo é de Barro”!

Embora as expectativas do empresariado apontem um ambiente econômico futuro propício aos investimentos e ao desenvolvimento, os desafios que o novo governo enfrentará são de magnitude elevada. Quem alerta é o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros em evento recente realizado pela casa de análise Eleven Financial. Para ele, a imagem salvacionista do Estado, herdada de Vargas, ainda é muito forte na sociedade e na elite política e militar.

Estamos vivendo ainda as surpresas que a eleição do presidente Jair Bolsonaro trouxe a todos nós brasileiros. Fantasmas de um passado que vivi intensamente voltam à cena, travestidos agora de outros personagens, mais jovens e com cores de um mundo tão diferente como o de hoje. Mas para mim estas imagens do passado são ainda claras e nítidas apesar do tempo que passou e de sua nova roupagem.

Agora, o governo Bolsonaro volta a roda da história em 50 anos ao prometer um programa econômico nos moldes do criado pelo avô do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Seu principal executor, o economista carioca Paulo Guedes, em suas ainda contraditórias intervenções, tem prometido uma política econômica que reduza o tamanho do Estado na economia, desmonte os mecanismos atuais de intervenção nos mercados e implemente uma política comercial que abra os mercados ao exterior.

No evento ele defendeu que a nova equipe econômica chega sem conhecer os reais desafios do país e diz que os profissionais escolhidos por Bolsonaro podem não ter ainda a real dimensão da complexidade do que vão encontrar pela frente. Na conversa o economista ainda relembrou algumas políticas econômicas desenvolvidas nas últimas décadas, incluindo os governos militares, e destacou que a recuperação cíclica de uma economia como a nossa leva a uma euforia, a um “porre de otimismo”. É nesse momento que a racionalidade se faz extremamente necessária.

Para o economista, é muito bom ter um governo que tem uma equipe econômica competente e com força de ação. Mas preocupa as condições políticas que eles enfrentarão para aprovar todas as reformas necessárias, incluindo a da Previdência. Em tom crítico, deixou claro que devemos ficar de olhos abertos, atentos ao que vem pela frente e prontos para agir quando for necessário.

“Nós temos que olhar com cuidado para o governo do Bolsonaro. Ele tem toda a condição de funcionar direito e reorganizar a nossa economia. Mas eles vão ter que aprender que em um governo não se deve buscar o ótimo, o the best solution. Você tem que buscar o the second best solution, que é onde você tem espaço para trabalhar”.

16 comentários em “Carta Mensal aos Cotistas (Dezembro/2018)

  1. Dirceu Sena Responder

    Excelente artigo! Como sempre, o Uó vem sempre contribuindo para a blogosfera de finanças! Concordo com a análise do Luiz: “a imagem salvacionista do Estado, herdada de Vargas, ainda é muito forte na sociedade e na elite política e militar”. Pessoalmente, acredito que o Estado precise diminuir sim (e muito), mas não pode se esquivar de entrar em setores estratégicos quando o capital privado não tenha interesse, caso contrário teremos mais pressão demográfica em poucas regiões do país e o desenvolvimento da nação fica comprometido. De toda forma, temos muita gordura para queimar e o Estado não deveria ter tantas estatais para serviços e produtos cuja oferta a iniciativa privada poderia facilmente satisfazer. Ainda temos muito chão, mas ando mais otimista com o país 😉 Obrigado pelo seu tempo e um feliz 2019! Que o ano seja de muita saúde e muitas conquistas para todos nós da blogosfera!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala Dirceu!
      Quanto tempo!
      Bom ver você por aqui. Como andam as coisas?
      Excelente 2019 para vcs aí também!
      Abraço!

      • Dirceu

        Fala Uó! Quanto tempo mesmo! Muito coisa aconteceu na blogofesra desde nossos últimos contatos, incluindo a infeliz morte do blogueiro do viver de construção. Fiquei bem triste com a notícia, essas coisas sempre nos faz pensar como a vida é uma dádiva, né?

        Por aqui, está tudo bem. Meu filho de um e meio está saudável, numa fase muito linda para mim como pai. Ele me acorda fazendo carinho na cabeça, quer me imitar em tudo, está aprendendo a falar, enfim um lindura 😉

        Do ponto de vista profissional, ao contrário do que muitos dizem, cresci muito desde que nasceu meu filho. Vou fazer o nível 3 do CFA Exam agora em junho, me tornei sócio de um escritório de investimento junto com o presidente da CFA Society Brazil, tô muito empolgado com os novos ventos… Para uma pessoa como eu, que vendia amendoim de porta em porta aos 7 anos e já dormi da rua, não existe tempo ruim, sou muito otimista com tudo que a vida nos oferece de oportunidade e muito grato por todos que passam pelo meu caminho, incluindo você, que nos ajuda a crescer com artigos bons disponibilizados a todos. Doar tempo é uma forma de contribuir para um mundo melhor!

        E você? Como estão as coisas por aí? Como está seu filho? Já tem uns 4 anos? E os novos projetos? Empolgado com a vida, meu caro? Manda notícias 😉

        Quando for para BH, se você tiver um tempinho, vamos marcar algo, gostaria de te conhecer pessimamente, admiro muito seu trabalho na blogofesra de finanças, elevou muito o nível de todos!

        Abração e tudo de bom para você e sua família!

      • Ábaco Líquido Autor do post

        Olá Dirceu!

        Parabéns pelo filhão. Acordar com um carinho assim não tem preço. Temos que curtir esta fase que eles nos imitam em tudo, porque vai chegar aquela fase que eles irão nos contrariar em tudo, kkk.

        Parabéns também pelas conquistas profissionais, você tem um história fantástica de vida. é um batalhador e vencedor.

        Por aqui está tudo bem, obrigado por perguntar. O filho crescendo bem e com alguns bons projetos na minha empresa para este ano. Vamos ver se conseguiremos vencer esta crise e nos preparar para a próxima, rs.

        Abraço!

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