vingadores ultimato

Esta é a compilação dos índices econômicos em abril de 2019: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,52%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,52%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,52%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com alta de 0,98% enquanto o IFIX teve alta de 1,03%. O Dólar americano Ptax teve alta de 1,25%. O ouro B3 teve alta de 0,93%. O IGP-M registrou inflação de 0,92%.

Abril foi um mês marcado por muita instabilidade no mercado de capitais. O debate em torno da Reforma da Previdência segue em Brasília mas não na velocidade esperada pelos agentes financeiros. Contudo, mesmo com todo sobe-e-desce da bolsa ao longo do mês, o Ibovespa conseguiu fechar o mês com leve alta de 0,98%. Dos 65 papéis que compõem o índice, 35 tiveram desempenho superior à média no mês, enquanto 30 ficaram pior. A maior alta foi da BRF ON, que subiu 36,7%. Na ponta oposta, o pior desempenho mensal foi da Cielo (-18,9%).

“Internamente, o mercado já está sentindo que há necessidade de um anúncio de uma agenda fora a reforma da Previdência. Ela por si só é o elemento mais importante, mas precisamos de uma agenda pró-crescimento para o país não ver mais cortes em projeções de indicadores da atividade”, diz um analista ao portal Valor.

O dólar comercial fechou abril em baixa de 0,49%, aos R$ 3,9211. Com isso, a moeda ficou praticamente estável no acumulado do mês, com avanço de apenas 0,16%. O noticiário relativo à Venezuela, assim como o da Argentina, também não fez pressão sobre o câmbio, diz Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos. Para Candido, o fator externo que pode mexer com o dólar nas próximas semanas é a Europa.

“Maio deve ser um mês de bastante volatilidade [por causa do início dos trabalhos da comissão especial]. Então se começar a ter melhora na Europa, junto com continuidade de dados bons de China e Estados Unidos, vamos ter algum alívio enquanto nos voltamos a focar em Previdência”, diz.

De olho nesse histórico e no clima de cautela em torno da reforma da Previdência, os investidores chegam na virada do mês com uma exposição reduzida ao real brasileiro. De acordo com dados da B3, os investidores locais compraram mais de US$ 20 bilhões em contratos futuros de dólar e cupom cambial desde o começo do ano, ficando agora com uma posição quase neutra nesses derivativos.

indices financeiros abril 2019

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Carta Mensal aos Cotistas

Abril foi o mês em que a Reforma da Previdência, após muito embate e xingamentos, finalmente passou na Comissão de Constituição de Justiça da Câmara (CCJ), apenas a primeira etapa de um longo caminho pelo qual a proposta terá que passar em Brasília. Também houve o episódio da intervenção do presidente na Petrobras, em razão da alta do preço do diesel, que gerou efeito negativo nas cotações das ações da bolsa, principalmente da Petrobras. Mesmo assim, o Ibovespa se fechou levemente positivo. Contudo, o mês de Maio está aí, e Maio é conhecido como aquele mês em investidores fogem da bolsa.

Brasil Tem Pressa

Sócio-fundador da SPX Capital, maior gestora de recursos independente do país, com R$ 38 bilhões, Rogério Xavier diz que o Brasil tem perdido tempo, deixando de aproveitar a liquidez global ainda favorável em 2019. O gestor já considerava que o mercado vinha superestimando o sucesso de reformas e o avanço da agenda liberal.

“O desgaste desse governo tem se mostrado mais rápido do que se esperava. Quanto mais tempo demorar, pior porque a janela para os emergentes, para o setor externo, pode se fechar e o encaminhamento da reforma ficar mais complicado do que se imagina. O tempo está muito contra a gente”, diz Xavier numa rara entrevista.

O Brasil não tem tempo a perder. Ao não avançar rapidamente na pauta de reformas, como a da Previdência, o país pode deixar passar uma importante fresta de liquidez que se abriu para os mercados emergentes, com a interrupção no ciclo de alta de juros nos países desenvolvidos e o programa de estímulos da China.

Valor Investe: Como o senhor avalia o ambiente macroeconômico neste momento?

Xavier: A gente continua dentro de um cenário de desaceleração econômica, mas já admitido pelos bancos centrais e pelos governos. Então já se vê uma reversão da atividade global, no sentido de caminhar mais para uma estabilização do que para uma continuidade do decréscimo ainda maior do que o que ocorreu.

A China tem feito estímulos fiscais, creditícios de forma bastante impressionante. Os dados de crédito deste primeiro trimestre foram absurdamente extraordinários, então é muito provável que tenha recuperação dos dados da economia chinesa. Isso pode ter repercussão importante para a Europa, que também está com crescimento anêmico. A China ajuda muito a Europa, então é possível ver uma certa estabilização por lá.

O discurso do Banco Central Europeu (BCE) tem sido, como se diz no jargão do mercado, extremamente “dovish” [pró-flexibilização monetária]. Eles adiaram uma possível elevação de juros, entraram com uma nova linha de assistência à liquidez, para conseguir expandir mais o crédito, e provavelmente vão entrar com outros instrumentos em breve para sustentar o crescimento. E não está descartada nem eventualmente a hipótese de que venham a cortar ainda mais os juros. É possível que venham com instrumentos como aqueles que têm sido usados no Japão, na Suíça, o tal do “Tier”.

Valor Investe: Teremos então pela frente um cenário de incertezas?

Xavier: É um cenário de crescimento global mais fraco. Por outro lado, os BCs (banco centrais) estão reagindo, e há um cenário eleitoral pela frente — seja do parlamento europeu, agora no meio do ano, seja os Estados Unidos — que vai deixar a incerteza alta.

Há ainda o Brexit [a saída do Reino Unido da União Europeia], que é uma confusão desgraçada. Ninguém tem a menor ideia de qual vai ser o final dessa história. Eu falo com todo mundo, de motorista de táxi, padeiro, pessoas do “high society”, ninguém tem ideia do que vai ser o desfecho do Brexit. Se vai ter novo referendo ou não.

Valor Investe: Qual a sua visão atual de Brasil?

Xavier: O Brasil poderia se resolver, mas o país perde as oportunidades. A gente tem um momento agora em que a liquidez voltou a ser favorável para os países emergentes por algum tempo porque a China está fazendo estímulo massivo, os Estados Unidos pararam de puxar os juros, a Europa está com seu viés “dovish” [pró-flexibilização monetária] e o Japão também.

O Brasil tem uma agenda bastante positiva aos olhos dos investidores externos. Se você faz uma agenda liberal dessas que estamos fazendo, num país organizado, em que de fato não só a classe política, mas toda a sociedade, compreenda o momento atual, seria uma oportunidade extraordinária.

O país está num momento em que poderia se diferenciar, mostrar que está caminhando numa direção diferente do que caminhou no passado recente. Mas às vezes os fantasmas voltam para nos atormentar, é impressionante.

Coisas que a gente acreditava que tinha aprendido com nossos erros, elas voltam a nos atormentar. Este é um país que não se cansa de desperdiçar oportunidades.

Confira aqui a entrevista completa.

Mais Uma Vez Pibinho

Tudo indica que a economia brasileira não vai sair do lugar neste ano (de novo), ao contrário do que se imaginava no fim de 2018, sob a euforia do resultado das eleições. Alguns economistas dizem que a chance de o País ter mais um ano perdido é real. A expectativa de um crescimento de 3% em 2019 deu lugar a uma onda de cortes nas projeções do PIB. Os profissionais do mercado que têm suas apostas divulgadas semanalmente no boletim Focus do Banco Central indicaram, nesta semana, que esperam um crescimento de apenas 1,70% no PIB deste ano – foi o nono corte consecutivo. É muito pouco para uma economia que cresceu só 1,1% em 2017 e em 2018.

A Proposta de Emenda Constitucional que muda as regras de aposentadoria no País é o pano de fundo do pessimismo dos economistas (que esperavam mais coordenação e rapidez na tramitação) e do otimismo dos gestores (que consideram inevitável a aprovação no Congresso, mesmo que seja mais para o fim do ano). “É um olhar no médio e longo prazo. Estamos focados mais nisso do que em PIB no momento”, afirma Boesel. Dito isso, ele sugere aplicações em ações e fundos multimercado – aqueles que combinam em um só lugar ativos de mercados diferentes (como os de ações, câmbio e renda fixa).

Os indicadores dos três primeiros meses do ano divulgados até agora vieram surpreendentemente fracos. Em março, 43,2 mil postos de trabalho com carteira assinada foram fechados; os índices de confiança da indústria, comércio e serviços tiveram queda generalizada de 1,8 a 3,5 pontos percentuais; além do Boletim Focus que revisou o crescimento para 1,70% na semana passada (o mais baixo para 2019 desde que as projeções para o ano começaram a ser coletadas), instituições financeiras também estão fazendo suas revisões. O Itaú Unibanco reduziu de 2% para 1,3% a previsão para o crescimento do PIB em 2019. O Bradesco cortou de 2,4% para 1,9%. O Monitor do PIB divulgado pela FGV registrou uma retração de 0,4% na economia em fevereiro, reforçando as chances de um resultado negativo no primeiro trimestre.

O Boom dos FIIs

A vitória de Bolsonaro nas eleições impulsionou o Ibovespa em direção aos 100 mil pontos, recorde atingido no mês passado. Porém, são os fundos imobiliários (FIIs) que lideram as valorizações acumuladas até abril de 2019. A expectativa dos agentes de que os juros vão continuar baixos e a economia vai se recuperar fez disparar em 12,51% o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix). No mesmo intervalo, o Ibovespa subiu 12,27%. Na renda fixa, os juros do CDI, principal referência do mercado, tiveram alta de 2,25%.

Cada vez mais pessoas estão entendendo que os fundos valem mais a pena que a compra do imóvel. Entre as vantagens, destacam-se tanto a isenção de imposto de renda quanto a possibilidade de diversificar ativos entre diferentes setores e locais. Outro característica importante é a liquidez, já que o dono de um imóvel pode demorar meses até conseguir vendê-lo, enquanto uma conta de FII você vende facilmente via home broker.

Outro fator que explica a predileção pelos FIIs em detrimento às ações é o fato de que investimento em imóveis está enraizado na mente do brasileiro, a tangibilidade dos ativos atrai o investidor. Ainda é muito difícil para o brasileiro pular da poupança para as ações, o que é menos “assustador” em relação aos imóveis. Confira abaixo os principais dados extraídos do último Boletim da B3.

fiis registrados

fiis investidores

fiis investimento

fiis negociacoes

ifix historico

Endgame

Não poderia terminar este post sem citar os números do último filme dos Vingadores. Neste mês de abril não se falou outra coisa. Fui ver o filme no cinema e presenciei filas quilométricas, coisa que não vida desde Avatar e Titanic. Achei um filme fraco como os demais, mas é um comentário pessoal, os fãs verdadeiros estão saindo do cinema com olhos cheio de lágrimas.

“Vingadores: Ultimato” teve bilheteria sem precedentes em seu fim de semana de estreia, aumentando o otimismo do mercado em relação à Disney e levando as ações da empresa a novas máximas históricas. O quarto episódio da saga dos heróis da Marvel dominou as salas de cinema no mundo todo, gerando uma bilheteria global de US$ 1,2 bilhão apenas no primeiro fim de semana em cartaz. Trata-se da maior abertura de um filme na história — o recorde anterior, de US$ 640 milhões, pertencia a “Vingadores: Guerra Infinita”, o terceiro capítulo da série.

O sucesso estrondoso não foi ignorado pelo mercado. As ações da Disney acumularam alta de 5,6% na semana passada. Esse otimismo também contagia os analistas. Em relatório divulgado nesta manhã, o J.P. Morgan elevou o preço-alvo para as ações da Disney ao fim de 2019, de US$ 137,00 para US$ 150,00. E tudo isso por causa das boas perspectivas para a divisão de cinema da companhia.

Segundo a Disney, “Vingadores: Ultimato” arrecadou cerca de US$ 350 milhões no mercado doméstico dos Estados Unidos e Canadá, e outros US$ 859 milhões no restante do mundo — em ambos os casos, estabelecendo novos recordes para um filme em seu fim de semana de abertura. É importante ressaltar que os resultados globais foram impulsionados pela estreia simultânea no mercado chinês, algo que não ocorreu com o terceiro episódio da saga. Apenas na China, o filme teve bilheteria estimada de US$ 330,5 milhões em seu fim de semana inicial, também um resultado sem precedente.

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