Carta Mensal aos Cotistas (Setembro/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em setembro de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,47%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,47%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,76%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com alta de 3,48% enquanto o IFIX teve queda de -0,21%. O Dólar americano Ptax teve queda de -3,18% enquanto o Euro apresentou queda de -0,83%. O ouro BMF caiu -1,91%. O IGP-M registrou inflação de 1,52%.

Não há dúvidas que o fato mais marcante do mês de setembro foi o atentado à faca contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro. No momento em que este artigo está sendo escrito, o político ainda encontra-se em recuperação no hospital, mas em breve já estará em campanha novamente. Durante o mês, muito se discutiu se o criminoso agiu sozinho ou a mando de alguma organização. Os apoiadores do Bolsonaro afirmam que foi uma tentativa da esquerda de eliminar o candidato da disputa, já os detratores do candidato argumentam que ele apenas está “colhendo o ódio que plantou”.

A Polícia Federal concluiu que o criminoso agiu sozinho, mas independente disto, a tentativa frustrada de assassinato acabou ajudando ainda mais o candidato que subiu nas pesquisas após o ocorrido. As últimas pesquisas indicam liderança de Jair Bolsonaro, em seguida aparece Fernando Haddad que vem herdando votos do ex-presidente Lula e em terceiro lugar aparece Ciro Gomes que faz uma campanha de esquerda mas se considera uma terceira via. Geraldo Alckmin, Marina Silva e João Amoedo aparecem no pelotão de trás com baixa intenção de votos.

Coincidência ou não, depois da facada, o mercado financeiro entrou em clima de euforia chegando ao patamar de 80 mil pontos após quase dois meses, enquanto o dólar fechou abaixo de R$ 4,00 pela primeira vez desde 20 de agosto. Mas o movimento repentino de otimismo tem criado estranheza nos investidores, principalmente com a proximidade de uma eleição tão incerta. Conforme apontado em matéria no portal Infomoney, analistas acreditam que o cenário externo está ajudando na recuperação da bolsa, com os índices norte-americanos avançando enquanto os Treasuries recuaram.

Há quem diga que o mercado já começa a indicar uma aceitação melhor sobre o nome de Fernando Haddad, que está flertando com o centro: “O mercado está leve, mas isso não quer dizer que não possa ter uma correção em um cenário mais pró-Haddad”, avalia Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos. Para ele, o patamar de 80 mil pontos é uma boa precificação para o cenário binário que há hoje sobre a eleição. “Hoje pode até ter um pouco disso (Haddad pró mercado) no preço, mas está na margem. Se houver uma sinalização mais forte, concreta, o Ibovespa vai subir mais”, afirma.

Já Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, lembra do cenário visto em 2002, quando havia muito nervosismo no dólar. “Hoje temos uma condição muito melhor em solvência de moeda estrangeira do que éramos em 2002 – quando teve a carta aberta ao povo brasileiro”, afirma ele dizendo que o PT está usando a mesma estratégia daquela época ao tentar agradar o mercado. “Mas eu não sei até onde vão comprar esse mesmo discurso”. De qualquer forma, é contraditório afirmar que o mercado não quer Haddad de forma nenhuma já que a bolsa vem subindo mesmo com a aproximação dele com Bolsonaro.

Esta aposta de pragmatismo com o nome de Haddad precisaria ser confirmada durante o segundo turno. Ainda há sinais muito controversos no momento. Pode ser mesmo que o mercado até está dando uma chance para o petista provar que pode colaborar com a economia se comprometendo com as reformas tão aguardadas pelo mercado, mas está recuperação não deve ir muito além do atual nível dos 80 mil. O cenário ainda é muito incerto e estamos longe de dizer que a turbulência ficou para trás. As próximas semanas serão agitadas.

Em agosto, o IBOV fechou aos 79.342 pontos, acumulando valorização de 3,48% em setembro. O dólar comercial, por sua vez, terminou o mês cotado a R$ 4,0371 na venda, encerrando o mês com queda de 0,89%. O clima no último pregão do mês foi de cautela, com investidores evitando muita exposição no fim de semana por conta do noticiário político incerto. Confira a seguir os principais indicadores econômicos de setembro/2018.

indicadores economicos setembro 2018

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Setembro de 2018

A taxa SELIC em setembro de 2018 ficou em 0,47%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 6,66%. Em 2018, o acumulado é de 4,82%.

CDI em Setembro de 2018

O CDI em setembro de 2018 ficou em 0,47%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 6,65%. Em 2018, o acumulado é de 4,81%.

CDB em Setembro de 2018

O CDB em setembro de 2018 ficou em 0,76%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 6,99%. Em 2018, o acumulado é de 5,25%.

Poupança em Setembro de 2018

O rendimento da poupança antiga em setembro de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,17% e da nova foi de 4,80%. Em 2018, o acumulado da poupança antiga é de 4,59% e o da nova de 3,47%.

IBovespa em Setembro de 2018

Mesmo em meio ao nervosismo dos investidores em relação à corrida presidencial, o Ibovespa teve forças para terminar setembro no campo positivo. E, embora a indefinição eleitoral tenha trazido volatilidade ao índice ao longo do mês, os ventos favoráveis do exterior acabaram se sobressaindo: com as commodities em alta e com fluxo de entrada de recursos estrangeiros no mês, a bolsa brasileira chega ao mês das eleições acima dos 79 mil pontos.

O desempenho positivo das ações da Petrobras e da Vale no mês ajudam a explicar os ganhos acumulados pelo Ibovespa no período. Uma combinação entre valorização do minério de ferro e petróleo, dólar forte e entrada de investimentos estrangeiros impulsionou os papéis de ambas as empresas: Vale ON, ativo de maior peso individual no índice, subiu 11,56% em setembro; Petrobras ON e Petrobras PN tiveram alta de 9,74% e 9,5%, respectivamente.

O IBovespa fechou setembro de 2018 aos 79.342 pontos, registrando alta de 3,48%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 6,8%. No ano, o índice sobe 3,85%.

ibov setembro 2018

IBovespa em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

IFIX em Setembro de 2018

O IFIX fechou setembro de 2018 aos 2.134 pontos, registrando queda de -0,21%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de -3,88%. No ano, o índice cai -4,12%.

ifix setembro 2018

IFIX em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

Dólar em Setembro de 2018

Num mês que será marcado pela máxima histórica do dólar, o mercado brasileiro encontrou espaço para aliviar a pressão e a moeda americana fechou setembro com leve baixa. A cotação caiu 0,84% no acumulado do mês, ficando em R$ 4,0378. O respiro só não foi maior porque, nesta sexta-feira (28), a divisa subiu 1,12%, evidenciando que a cautela ainda prevalece no ambiente de negócios.

De qualquer maneira, o tom do mercado neste fim de mês é bem mais ameno que no começo do período. E o exterior tem grande influência nessa mudança de direção. Após os sustos com as crises na Argentina e Turquia, além da apreensão com disputa comercial entre Estados Unidos e China, os investidores globais já parecem mais dispostos a assumir riscos e aproveitar os preços mais baixos de emergentes.

O Dólar Ptax (BC) caiu -3,18% em setembro de 2018 acumulando alta de 26,39% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) caiu -0,84% acumulando alta de 27,53% nos últimos 12 meses. No ano, o Dólar tem alta de 21,04%.

dolar setembro 2018

O Dólar apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

Euro em Setembro de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve queda de -2,95% em setembro de 2018 acumulando alta de 24,35% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve alta de -0,83% acumulando alta de 25,28% nos últimos 12 meses. No ano, o Euro tem alta de 17,26%.

euro setembro 2018

O Euro apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

Ouro em Setembro de 2018

O ouro fechou setembro de 2018 com queda de -1,91%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do ouro é de 15,70%. No ano, o ouro sobe 13,82%.

IGP-M em Setembro 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado como referência para correção de contrato de aluguel residencial, subiu 1,52% em setembro. Este é o maior nível para o mês desde 2013, quando o índice subiu 1,50%. Porém, a inflação medida pelo índice está dentro das estimativas do Projeções Broadcast, que previam intervalo entre 1,22% e 1,74%, com mediana de 1,45%. Assim, o IGPM acumulado saltou de 8,89% em 12 meses até agosto para 10,04% em 12 meses terminados em setembro. Nos nove meses deste ano, o indicador de inflação acumulado registra elevação de 8,29%.

IPCA em Setembro 2018

Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de 2018 e 2019. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (24) pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 4,09% para elevação de 4,28%. Há um mês, estava em 4,17%. A projeção para o índice em 2019 foi de 4,11% para 4,18%. Quatro semanas atrás, estava em 4,12%. A projeção dos economistas para a inflação em 2018 está dentro da meta deste ano, cujo centro é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 3,0% a 6,0%).

Carta Mensal aos Cotistas

Os eventos favoráveis do exterior podem ter oferecido uma janela para o mercado brasileiro reavaliar o quadro de riscos políticos. Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno das eleições, alguns investidores consideram que o resultado do pleito pode não ser tão ruim para o mercado, mesmo com a eleição de Fernando Haddad. O que se ouve dos especialistas é que o petista já tem um discurso menos extremo e mais alinhado ao centro.

De 23 gestores consultados pelo portal Infomoney, 19 disseram que o cenário mais provável em caso do petista ser eleito é de queda da bolsa e que isso vai abrir o chamado “buy opportunity”. Isso não quer dizer que este seja o cenário ideal para o mercado financeiro, pelo contrário. Mas é uma sinalização de que o mercado aposta que se a esquerda ganhar vai precisar manter certa austeridade na política econômica e fiscal, além de fazer as reformas necessárias – caso contrário, será muito difícil governar.

Henrique Bredda, gestor da Alaska Capital, acredita que se Haddad for eleito o Ibovespa deve cair para entre 60 mil e 70 mil pontos em um curto espaço de tempo. Entretanto, assim que o mercado se acalmar, o índice tende a recuperar toda perda no máximo até o final do ano. “Nós acreditamos que essa retomada seja questão de meses”, diz. Já o economista Evandro Buccini, da Rio Bravo Investimentos, concorda com a provável queda da Bolsa neste cenário. Ele não acredita que o governo petista comece o mandato com uma política econômica temerária. “Acho que Haddad faria as principais reformas, porque ele tem que se manter no poder. Ele precisa conseguir governar para, aí sim, poder levantar as bandeiras que gostaria – como ocorreu em 2002″, acredita.

Stuhlberger: sem risco eleitoral, dólar custaria R$ 3,70 e juros futuros estariam perto de 10%

Até mesmo Luis Stuhlberger, gestor do renomado fundo Verde, levou uma rasteira do dólar em 2018 – logo no ativo em que o gestor mais ganhou dinheiro ao longo de sua história. Na carta de abril, a equipe estimava que a moeda americana ficaria até agosto por volta de R$ 3,30 a R$ 3,60. O mês fechou, entretanto, com dólar acima de R$ 4. Confira alguns trechos da entrevista que o gestor concedeu à jornalista Luciana Seabra.

O que eu acho é que o maior peso do juro até agora neste ano é no carry do real [ganho por carregar o ativo]. Ou seja, o real hoje está pagando 6,5% (do CDI) e a Libor de três meses está por volta de 2,5%. Então o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos diminuiu muito. A gente acha que isso aí jogaria permanentemente o real de equilíbrio na faixa de 5% a 7% acima do modelo que se usou nos últimos 20 anos, desde quando o Plano Real começou. Tivemos juro alto ou altíssimo até o ano passado. Hoje não somos mais um carry alto como a gente era. E isso deveria depreciar o real, mesmo sem eleição, uns 7% – acima da média móvel. Se você plotasse contra balança comercial e preços de commodities, hoje o preço do real seria por volta de R$ 3,50.

Acho que o mercado pensa hoje no perfil do Bolsonaro e do Paulo Guedes, que são explosivos… Veja a história de vida do Paulo Guedes: ele ganhou dinheiro no Pactual, depois entrou num trading suicida, acabou saindo do banco, se associando na JGP… Também deu errado, ele saiu… Ficou um tempo no Insper, brigou e saiu… Ele é um cara de pavio curto. E, no final, ele vai mandar 100 unidades de reforma para o Congresso, vai voltar com 50. O Paulo é um bom economista, com Ph.D em Chicago e bem informado. Mas é tipo foi o Collor: chega para presidente sem nenhum grupo de apoio, seu partido é pequeno. É difícil. Aliás, a única coisa boa no Brasil, pra não virar uma Venezuela ou Argentina, é que a esquerda nunca teve o mando do Congresso. Acho que desta vez não muda muito.

Acho que o mercado está dizendo assim, para pegar o exemplo do dólar a R$ 4,20: Meu dólar com Bolsonaro é R$ 3,70 e meu dólar com Haddad é R$ 4,70. Então hoje ele está, considerando que cada um tem 50% de chance de ganhar, em R$ 4,20. É uma média simples entre os dois, bem simplória. Ou seja: a gente sabe que neste preço não ficará. Quer dizer: o mercado não está se posicionando para Alckmin, que seria tipo R$ 3,50. E também não está se posicionando para Ciro, que é tipo R$ 5,50.

Estou comprado nos juros americanos para 2 a 3 anos. O mercado truca o Fed por dizer que os EUA estão indo bem, crescendo 3% a 3,5% ao ano. De alguma forma, a inflação pode atingir um pico, mas não vai ficar muito alta, por conta de tecnologia e de inteligência artificial. Então eu não tenho coragem de ficar nos juros de 10 anos, mas acho que para 2, 3, 5 anos… parece que tem pouca coisa nos preços mesmo. O mercado desafia o Fed por isso.

Stuhlberger está comprando NTN-Bs e ações brasileiras

Não têm sido tempos fáceis para o deus brasileiro da gestão. Stuhlberger se martiriza pelos 4 pontos percentuais de retorno que deixou na mesa por ter carregado, ao longo do ano passado, a tese de fortalecimento do dólar e desvalorização da moeda chinesa. “Foi das coisas mais tristes que eu passei na vida como gestor”, disse para mim em meio a uma conversa de duas horas. As teses se realizaram. Em 2018. “Neste ano, tudo que eu previ aconteceu e eu não tinha mais a porra da posição”. Confira alguns trechos da segunda parte da entrevista que o gestor concedeu à jornalista Luciana Seabra.

Tenho certeza de que o mercado gostará muito mais do Bolsonaro do que do Haddad. Dito isso, eu gostaria de fazer uma observação que talvez explique um pouco por que eu não estou tão pessimista quanto o mercado – aos preços atuais, claro: dólar a R$ 4,20, Bolsa em 74 mil pontos, juros para vencimentos entre 2021 e 2027 a 14,5%. Por que quando eu vejo os preços desses três ativos eu penso em ponderar um pequeno otimismo? Imagine que hoje é o primeiro dia do governo Haddad. Qual é a primeira coisa que ele vai fazer? Primeiro, dar um salvo-conduto para o Lula e tirá-lo da cadeia (se é que isso é possível no Brasil). Depois, conhecendo os oito anos do governo Lula e como ele foi pragmático – em relação ao Henrique Meirelles, por exemplo – eu duvido que ele seria um cara muito radical.

Eu não estou dizendo que ele aprova reformas facilmente, viu? Mas, dado que acho que o mercado seria bem punitivo na entrada, algo desse tipo teria que ser aprovado. Senão o país para, a dívida fica impagável. Acho que ninguém imagina que isso não vai acontecer. A esquerda tem 20% a 25% dos congressistas, o centro-direita tem 75%. Isso não vai mudar, o que torna essa conversa curiosa. Por que é que o Brasil vota no centro-direita para seus 521 deputados e 80 senadores e no centro-esquerda para presidente? É uma coisa difícil de imaginar.

O último ano em que a gente teve uma grande posição em ações foi no fim de 2012. Estivemos grandes em Bolsa de 2003 a 2012, dez anos seguidos. Já em 2013, quando começaram as medidas populistas e heterodoxas da nova matriz econômica, zeramos. E daí vem aquela história: estamos em 29 de fevereiro de 2016 (eu sei porque foi um ano bissexto, então teve 2016). A chance atribuída pelo mercado à Dilma sofrer impeachment era 20%. E aí no dia 2, 3, 5 de março, veio aquela condução coercitiva e de repente em dez dias o mercado começou a dar 100% de chance da Dilma sofrer impeachment. Nesse curto espaço de tempo, de uma semana ou duas, a Bolsa foi de 40 mil para 50 mil pontos e o dólar caiu de R$ 4 para R$ 3,60. Aí eu fiquei: putz, já precificaram muito no mercado. Então a gente acabou não comprando. Eu achava que o risco/retorno de ter as NTN-Bs, algo que eu já tinha, era melhor do que a bolsa. Eu errei. Desde fevereiro de 2016, a NTN-B para 2050 se valorizou 52% e a para 2023, 36%. O Ibovespa, 74,5%.

O lucro das empresas foi bem maior do que eu esperava. Isso tem uma razão curiosa no Brasil: aquelas empresas que estão no índice não são o nosso PIB. Elas viram monopolistas, oligopolistas, elas têm um poder imenso. Um dos motivos que é bom ser acionista no Brasil é que é duro alguém novo chegar lá. Mas alguma coisa eu ganhei nas Bs, porque eu nunca deixei de ter. E uma coisa inacreditável é o lucro dos bancos. Ou seja, quando você modelava no fim do governo Dilma – dois anos de recessão, o PIB caindo 7% a 8% e o per capita 10% – os bancos deviam perder muito dinheiro. Mas não perderam. E os bancos têm um peso grande no Ibovespa.

A Bolsa está estruturada para melhorar numa melhora da economia. Infelizmente o governo Temer é o mais impopular da história e isso não ajudou na eleição, mas o que ele fez até aqui não é pouco. De certa forma ele acabou com todos os erros que a Dilma fez. Isso é um ativo. O que aconteceu de melhora institucional no Brasil, de importante em relação ao que era em 2005? Você nem sabia que essas siglas – TCU, STF, PGE… – existiam e nem o que elas faziam. E mais: governança em empresas estatais, congresso de centro-direita, mais uma agenda de privatização, com percepção mais favorável, combate aos privilégios, à corrupção… Pela primeira vez na história houve punição. Será que a gente perde tudo isso? De novo: o Brasil é o único país emergente, de muitos que eu conheço, que conseguiu estar não tão embaixo do presidente que entrou.

2 comentários em “Carta Mensal aos Cotistas (Setembro/2018)

  1. Dinheiro Investimento e Lazer Responder

    Eu também gosto de ler o relatório mensal do Luis Stuhlberger, ele é muito bom, a fazer a analise econômica, tanto presente como futura, ele é um gênio dos investimentos!

    Abraço e bons investimentos.

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