Carta Mensal aos Cotistas (Outubro/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em outubro de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,54%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,54%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,61%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com alta de 10,19% enquanto o IFIX teve alta de 5,04%. O Dólar americano Ptax teve queda de -7,15% enquanto o Euro apresentou queda de -9,47%. O ouro BMF caiu -5,2%. O IGP-M registrou inflação de 0,89%.

Não há que se discutir que o evento mais marcante de outubro, do ano e talvez da década foi a eleição de Jair Bolsonaro para presidente do Brasil. No último post, publiquei os motivos pelos quais a maioria da população escolheu o candidato (relembre aqui). Vários fatores contribuíram para a vitória de Bolsonaro, mas o mais latente foi o fato de que as duas grandes forças democráticas que surgiram no combate à ditadura (PSDB e PT), quando ocuparam o poder, se aliaram ao que há de mais sinistro na política brasileira.

Bolsonaro foi quem capturou melhor do que qualquer outro este sentimento de indignação, diante da degradação do modus operandi da política brasileira. Ele foi o grande beneficiário desse descrédito que tomou conta da institucionalidade da política brasileira. Agora, terminada a corrida eleitoral, os investidores devem ter tempo para assimilar as intenções do futuro governo, enquanto aguardam anúncios mais concretos da administração Bolsonaro.

Profissionais de mercado comentam que as perspectivas para ajuste de contas públicas e uma agenda mais liberal são positivas sob a tutela de Paulo Guedes. Para o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H. Commcor, o cenário local tende a ficar menos “poluído” por ruídos políticos nas próximas semanas. Os anúncios mais esperados dizem respeito à composição da equipe econômica e às estratégias para aprovação de reformas, que podem melhorar a percepção de riscos e se sobrepor a pressão externa.

“Hoje, há mais chances de o dólar cair para R$ 3,50 do que subir, de volta, para R$ 4”, diz o especialista.

Em outubro, a procura de fundos locais, sobretudo institucionais, por ativos da renda variável, fez com que o Ibovespa apresentasse o segundo melhor desempenho mensal do ano. Além disso, a entrada forte de fluxo dessa classe de investidores para a bolsa fez com que o giro médio diário mensal do índice fosse o maior da história.

Mas, no mês, o Ibovespa foi pautado mesmo pelo ambiente local, e a migração dos fundos locais levou o índice a acumular uma alta de 10,19% – segundo melhor desempenho no ano, atrás apenas de janeiro, quando houve avanço de 11,14%. Esse movimento positivo em outubro é o que garante um ganho de 14,43% para o índice em 2018.

O dólar fechou em R$ 3,7227 o que representa uma queda de 7,80% em outubro. Foi a baixa mensal mais acentuada desde junho de 2016 quando a moeda recuou 11%. O movimento de dois anos atrás ocorria com a definição do cronograma parlamentar que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

indicadores economicos outubro 2018

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Outubro de 2018

A taxa SELIC em outubro de 2018 ficou em 0,54%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 6,56%. Em 2018, o acumulado é de 5,39%.

CDI em Outubro de 2018

O CDI em outubro de 2018 ficou em 0,54%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 6,55%. Em 2018, o acumulado é de 5,38%.

CDB em Outubro de 2018

O CDB em outubro de 2018 ficou em 0,61%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 7,03%. Em 2018, o acumulado é de 5,9%.

Poupança em Outubro de 2018

O rendimento da poupança antiga em outubro de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,17% e da nova foi de 4,74%. Em 2018, o acumulado da poupança antiga é de 5,11% e o da nova de 3,85%.

IBovespa em Outubro de 2018

O IBovespa fechou outubro de 2018 aos 87.424 pontos, registrando alta de 10,19%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 17,65%. No ano, o índice sobe 14,43%.

ibov outubro 2018

Gráfico IBovespa 

IFIX em Outubro de 2018

O IFIX fechou outubro de 2018 aos 2.242 pontos, registrando alta de 5,04%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 0,73%. No ano, o índice sobe 0,72%.

ifix outubro 2018

Gráfico IFIX

Dólar em Outubro de 2018

O Dólar Ptax (BC) caiu -7,15% em outubro de 2018 acumulando alta de 13,45% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) caiu -7,8% acumulando alta de 13,75% nos últimos 12 meses. No ano, o Dólar tem alta de 12,35%.

dolar outubro 2018

Gráfico Dólar

Euro em Outubro de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve queda de -9,47% em outubro de 2018 acumulando alta de 10,48% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve alta de -10,07% acumulando alta de 10,59% nos últimos 12 meses. No ano, o Euro tem alta de 6,15%.

euro outubro 2018

Gráfico Euro

Ouro em Outubro de 2018

O ouro fechou outubro de 2018 com queda de -5,2%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do ouro é de 9,36%. No ano, o ouro sobe 7,9%.

IGP-M em Outubro 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado como referência para correção de contrato de aluguel residencial, ficou em 0,89% em outubro. Com este resultado, o índice acumula alta de 9,25% no ano e de 10,79% em 12 meses.

IPCA em Outubro 2018

Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de 2018. O Relatório de Mercado Focus mostra que a mediana para o IPCA este ano caiu de 4,44% para 4,43%. A projeção para o índice em 2019 permaneceu em 4,22%.

Carta Mensal aos Cotistas

Para o eleitor em geral, Bolsonaro foi eleito basicamente por três motivos principais: sentimento antipetismo, figura de combate à corrupção e melhora da segurança pública. Para o mercado econômico, o plano de governo esboçado por Paulo Guedes sinaliza para a continuidade das reformas iniciadas com Temer e para uma possível melhora no problema econômico mais grave do Brasil que é do rombo fiscal. Contudo, há críticas e preocupações quanto o programa de governo esboçado na campanha de Bolsonaro.

Para o economista Eduardo Giannetti, o programa é genérico. Segundo ele, há pontos positivos, como a abertura econômica, mas subestimam a dificuldade de implementação do ajuste fiscal. O economista se diz incrédulo quando ouve a equipe de Bolsonaro dizer que vai zerar o déficit primário em um ano. Para ele, isso é improvável, tangenciando o pensamento mágico.

A ideia de usar receitas excepcionais, como de privatizações, para cobrir rombos é vender a prata da família para jantar fora. O problema essencial do Brasil é que os gastos obrigatórios estão crescendo em um ritmo acima do PIB, é insustentável. Diz Giannetti.

Giannetti afirma em tom alarmista que Bolsonaro tem seis meses para apresentar um programa fiscal crível. Caso contrário, vamos entrar em uma situação de inadimplência do Estado e colapso financeiro. Aí, há duas alternativas, ambas péssimas: calote ou inflação. Essa ancoragem fiscal depende de medidas que vão ter de ser tomadas no início do mandato. A reforma da Previdência é a primeira.

Giannetti também está incrédulo quanto a agenda liberal do novo governo. Para ele, a nova postura de Bolsonaro é totalmente inconsistente com sua trajetória nos sete mandatos como Deputado Federal. Giannetti pontua o histórico corporativista, nacionalista e estatizante de Bolsonaro e acha muito estranha a conversão às vésperas da eleição ao ideário neoliberal radical.

Só Existem Duas Saídas: Reforma da Previdência ou Reforma da Previdência

Para Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, o ajuste fiscal requer a aprovação de uma reforma da Previdência. Almeida defendeu a prioridade na discussão da proposta em tramitação no Congresso para que outros pontos possam ser discutidos depois. Para ele, Não existe chance de ajuste fiscal no Brasil sem a reforma da Previdência

A tendência das contas da União e dos estados é piorar se não tiver nenhuma reforma”, avaliou o secretário. “A atual proposta introduz idade mínima, cronograma de transição e regras para acúmulo de pensões que são medidas importantes para conter o crescimento dos gastos com a Previdência”.

Segundo Almeida, uma eventual reforma complementar que introduza o regime de capitalização na Previdência é viável, desde que haja uma transição gradual. “Se for implementar a capitalização imediatamente, haverá um custo de transição que aumentaria a gravidade das contas fiscais. Mas pelas propostas que tenho visto, muitos economistas preveem algo gradual que começará daqui a 15 ou 20 anos”, disse.

No sistema atual, o pagamento dos benefícios se baseia no regime de repartição, em que os trabalhadores da ativa contribuem para a Previdência pagar as aposentadorias, auxílios e pensões atuais. No regime de capitalização, cogitado no plano de Governo de Bolsonaro, o trabalhador contribui durante a idade ativa para uma poupança individual, que financiará a aposentadoria de cada beneficiário no futuro.

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