Carta Mensal aos Cotistas (Julho/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em julho de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,54%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,54%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,59%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com alta de 8,88% enquanto o IFIX teve alta de 1,37%. O Dólar americano Ptax teve queda de -2,62% enquanto o Euro apresentou queda de -2,38%. O IGP-M registrou inflação de 0,51% enquanto o IPCA está estimado em 0,30%.

O grande evento que deu um suspiro ao mercado neste mês de julho foi, sem dúvida, o apoio do chamado “Centrão” à candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). O conjunto de partidos formado por DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade oficializou, no dia 26/07/2018 apoio à pré-candidatura do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin à Presidência da República. O nome do vice-presidente continua indefinido.

A coligação espera pela resposta do convite feito ao empresário Josué Gomes (PR), filho de José Alencar, vice-presidente do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ao ser questionado sobre o vice, Alckmin disse que não está com pressa e que tem até o dia 4 de agosto, dia da convenção nacional dos tucanos, para definir um nome. Por enquanto, a certeza dada pelo candidato é que o vice não virá de São Paulo.

A ampla aliança garante ao tucano o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, aposta para elevar seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, que hoje não chega a 10%. Também representa mais capilaridade nacional para a campanha, assim como representa maiores condições de governabilidade em caso de vitória.

A forte recuperação dos preços das ações durante julho fez com o que o Ibovespa apresentasse o melhor desempenho mensal desde janeiro. O mês foi marcado por uma trégua nos mercados, depois das perdas de maio (-10,87%) e junho (-5,20%). No entanto, mesmo com a recuperação dos preços, os ativos continuam apresentando forte volatilidade e incerteza por causa das eleições.

O cenário político turbulento deve vai continuar mantendo a bolsa volátil e com tendência indefinida nos próximos três meses. Os movimentos bruscos devem garantir uma liquidez também menor, como se observou em julho. O noticiário tranquilo que se observou no mês de julho também contribui para a alta da bolsa, como se diz no mercado: no news – good news.

indicadores economicos julho 2018

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Julho de 2018

A taxa SELIC em julho de 2018 ficou em 0,54%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 7,09%. Em 2018, o acumulado é de 3,74%.

CDI em Julho de 2018

O CDI em julho de 2018 ficou em 0,54%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 7,08%. Em 2018, o acumulado é de 3,73%.

CDB em Julho de 2018

O CDB em julho de 2018 ficou em 0,59%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 6,83%. Em 2018, o acumulado é de 3,8%.

Poupança em Julho de 2018

O rendimento da poupança antiga em julho de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,22% e da nova foi de 5,12%. Em 2018, o acumulado da poupança antiga é de 3,55% e o da nova de 2,70%.

IBovespa em Julho de 2018

O IBovespa fechou julho de 2018 aos 79.220 pontos, registrando alta de 8,88%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 20,18%. No ano, o índice sobe 3,69%.

ibov julho 2018

IBovespa apresentou forte alta em julho de 2018.

IFIX em Julho de 2018

O IFIX fechou julho de 2018 aos 2.154 pontos, registrando alta de 1,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 4,28%. No ano, o índice cai -3,23%.

ifix julho 2018

IFIX apresentou leve alta em julho de 2018.

Dólar em Julho de 2018

O Dólar Ptax (BC) caiu -2,62% em julho de 2018 acumulando alta de 19,94% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) caiu -3,18% acumulando alta de 20,37% nos últimos 12 meses. No ano, o Dólar tem alta de 13,51%.

dolar julho 2018

O Dólar apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

Euro em Julho de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve queda de -2,38% em julho de 2018 acumulando alta de 18,72% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve queda de -3,05% acumulando alta de 18,89% nos últimos 12 meses. No ano, o Euro tem alta de 10,75%.

euro julho 2018

O Euro apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

IGP-M em Julho 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou inflação de 0,51% em julho de 2018. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice acumula inflação de 5,92% no ano e de 8,24% em 12 meses. A queda da taxa foi percebida nos três subíndices que compõem o IGP-M. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que mede o atacado, passou de 2,33% em junho para 0,5% em julho. O Índice de Preços ao Consumidor, que mede o varejo, caiu de 1,09% em junho para 0,44% em julho. Já o Índice Nacional de Custo da Construção ficou em 0,72% em julho, ante 0,76% de junho.

IPCA em Julho 2018

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão para a inflação em julho de 2018 de 0,35%, conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado pelo Banco Central em 9/7/18. Um mês antes, o porcentual projetado estava em 0,33%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de junho, o BC informou que suas projeções de inflação no curto prazo são de 0,27% em julho e 0,20% em agosto. A inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,02% para 3,80% de uma semana para outra – há um mês, estava em 4,49%.

Carta Mensal aos Cotistas

Neste mês de julho li pouca coisa sobre o mercado financeiro. Não li nenhuma carta nem nenhuma entrevista com gestor, por isto não tenho nada para postar aqui neste sentido. Mas aproveitando o espaço, republico aqui partes de algumas matérias sobre taxação de dividendos que li nos portais de finanças…

Taxação de dividendos é consenso entre candidatos

A retomada da cobrança de imposto de renda sobre dividendos é praticamente consenso entre os economistas dos principais pré-candidatos à presidência da república. Comumente defendida mais pela esquerda, a necessidade de mudança na forma de tributação do lucro empresarial ganhou defensores no centro e na direita depois da reforma tributária americana feita por Donald Trump no ano passado.

Com a tributação sobre o lucro corporativo nos EUA caindo de 35% para 21%, a leitura é que o Brasil perde competitividade se mantiver a carga de 34% incidente hoje sobre as pessoas jurídicas não financeiras – a alíquota nominal dos bancos chega a 45%. A solução seria, então, reduzir a tributação do lucro empresarial e compensar a perda de receita cobrando IR sobre dividendos.

A diferença entre o discurso de esquerda e direita aparece na forma de fazer essa transição. A depender da calibragem das alíquotas, é possível fazer uma troca que seja neutra do ponto de vista de arrecadação – tese defendida pelos mais liberais. Uma tributação de 22% no nível da empresa e de 15% na pessoa física, por exemplo, deixaria a carga total próxima dos 34% de hoje. Mas também é possível aproveitar a mudança de modelo para ganhar fôlego fiscal que ajude a cobrir parte do déficit primário, argumentam os políticos de esquerda.

imposto sobre dividendos

O modelo de tributação apenas no nível da empresa praticado no Brasil é contestado. A grande discussão é se a tributação não deveria incidir sobre a empresa e também sobre seus sócios. O Brasil é o único país do mundo, ao lado da Estônia, que não tributa o lucro distribuídos aos acionistas de uma empresa.

O pensamento de Bolsonaro sobre os dividendos tem o respaldo de Pérsio Arida, coordenador econômico de Geraldo Alckmin (PSDB). Em entrevista exclusiva ao InfoMoney, Arida afirmou que acabaria com a isenção de imposto de LCI e LCA, mas não no caso dos dividendos, já que “não se tributa porque o imposto corporativo já é muito alto”, salientou.

Já pré-candidato Henrique Meirelles afirmou que o Brasil pode adotar um imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos para os acionistas, mas, para isso, seria preciso avaliar a tributação total das empresas: “vou olhar com muito rigor. A tributação do lucro em si e depois a tributação do que é efetivamente distribuído. O importante é o total, o que se tributa do resultado da empresa”, afirmou o ex-ministro da Fazenda.

Assim como Meirelles, Rodrigo Maia e Ciro Gomes, pré-candidatos pelo DEM e PDT, respectivamente, simpatizam com a ideia de tributar os dividendos. O presidente da Câmara afirmou que “já está tratando disso” e que elaborou um grupo de trabalho para retornar com a cobrança, extinta no Brasil em 1995 no governo de Fernando Henrique Cardoso. Vale lembrar, que a cobrança de impostos sobre lucros e dividendos é uma das promessas de campanha de Ciro Gomes.

Fonte 1
Fonte 2

13 comentários em “Carta Mensal aos Cotistas (Julho/2018)

  1. MD Elsewhere Responder

    Prezado Uó,

    Acho que já estou preparado para eventual recobrança de IR sobre dividendos, principalmente porque é o normal nos outros países.

    Se a compensação for feita nas linhas de cima das empresas, estaria beleza, pois aí nos aproximamos do resto do mundo. Eu particularmente não gosto quando o Brasil tenta inovar (criando jabuticabas) e ser diferente…

    Nossos políticos são criativos demais e inventam muita besteira, perdem o foco do que é realmente importante.

    Abs!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Pois é MD!
      Criaram a isenção para atrair investidores para a bolsa, mas isto acabou não acontecendo, temos mais prisioneiros que investidores em bolsa, rs.
      Abraço!

  2. REinBrazil Responder

    Acredito que seja questão de tempo até que essas assimetrias na cobrança do imposto de renda em diferentes classes de ativos seja extinta. Apesar de particularmente gostar bastante de investir EM FIIs, já me preparo para o caso de revogação da isenção do rendimento deles para pessoa física.

    No restante, tudo nebuloso ainda até a eleição.

    Abraço!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Bota nebuloso nisto REin!
      Os candidatos não são muito claros nas suas propostas, escondem o que vão fazer, se é que sabem o que vão fazer, rs.
      Abraço!

  3. Investidor consciente Responder

    Embora a taxação de dividendos vá contra meus interesses pessoais, sou realista e consciente que é algo bom para o Brasil, acredito que essa farra de dividendos livres de impostos durou até muito tempo, é só olhar para os outros países.
    A reclamação seria menor se os impostos realmente fossem gastos com a população, como são nos países escandinavos por exemplo, ao invés de enriquecimento ilícito de alguns poucos. No entanto, o brasileiro precisa perceber que isso ocorre com a nossa colaboração, pois os políticos são escolhidos por nós, eles não aparecem magicamente lá, nós os botamos lá e cabe a nós fazer com que eles trabalhem para nós. Infelizmente isso é algo que infelizmente é difícil de ver, já que a maioria das pessoas nem lembram em quem votou e por quais razões.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Justamente I.C.
      Não podemos reclamar pois somos nós que colocamos lá. O voto é uma arma que deve ser bem utilizada.
      Abraço!

  4. marco antonio alves da rocha Responder

    Boa tarde Mestre!
    Minha fala é sobre os fundos fechados, o atual governo propôs taxar e o congresso foi contra.
    Espero que o “eleito” faça sua lição de casa e coloque novamente a proposta de taxação e
    também a alteração de imposto sobre grandes fortunas (herança)

    Abraço

    • Dinheiro Investimento e Lazer Responder

      A minha modesta opinião os ETFs, não ganhariam força. Isto, porque os ETF refletem um índice, por exemplo o BOVA11 reflete o Ibovespa com a taxação de dividendos, por legal uma cada das principais ações da bolsa, isto por sua vez leva a queda do Ibovespa, e consequentemente a queda do BOVA11 que reflete o índice IBOVESPA.

      Creio que está medida é péssima para a maioria dos investimento em renda variável.

      Abraço.

  5. Dinheiro Investimento e Lazer Responder

    Infelizmente não há nenhum candidato a defender a continuação da isenção de imposto sobre os dividendos e sobre o rendimento dos alugueis do FIIs.

    A se confirmar, a tributação do imposto de renda sobre os dividendos vai tirar gente da renda variável, o que vai levar a uma queda na bolsa no curto prazo.

    Acredito que com esta medida as empresas passem a recomprar as ações, para assim, remunerar o acionista sem imposto, como fazem nos Estados Unidos.

    Abraço e bons investimentos.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala DIL!
      Com o governo quebrado com está vai ser difícil manter isto aí.
      Abraço!

  6. Simplicidade e Harmonia Responder

    Uó,

    Excelente relatório!

    “Taxação de dividendos é consenso entre candidatos”
    Uma pena… A carga tributária já é muito alta para o retorno mínimo que temos. Parece que não basta a má vontade em corrigir a tabela de IR, precisa haver mais ânsia por criar (ou recriar) novos impostos…

    Abraços,

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Olá Simplicidade,
      Obrigado pela visita!
      Realmente já temos muitos impostos, se fossem usados com eficiência não reclamaríamos não é mesmo?!
      Abraço!

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