Carta Mensal aos Cotistas (Agosto/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em agosto de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,57%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,57%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,64%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com queda de -3,21% enquanto o IFIX teve queda de -0,7%. O Dólar americano Ptax teve alta de 10,13% enquanto o Euro apresentou alta de 9,1%. O ouro BMF valorizou 7,46%. O IGP-M registrou inflação de 0,7%.

Agosto de 2018 foi tenso nos mercados doméstico e externo. O mês foi marcado por uma pronunciada queda nas ações da B3 e uma elevada alta do dólar. Porém, no último pregão do mês, o dólar caiu e a bolsa subiu. Paira no ar uma expectativa de que o TSE traga pareceres desfavoráveis à candidatura do ex-presidente Lula. Caso se confirme, o risco de fortalecimento do PT na disputa eleitoral diminui.

O IBOV fechou o pregão desta sexta com alta de 0,36%, aos 76.677 pontos, porém, a queda no mês foi de 3,21%. Já o dólar comercial fechou o último pregão de agosto com queda de 1,72%, cotado a R$ 4,0721. Foi uma forte queda diária superada apenas pela queda de 1,85% em 20 de julho. Por outro lado, a alta acumulada em agosto é de 8,49%, a elevação mensal mais forte desde setembro de 2015 quando subiu 9,34%.

O risco do dólar retomar o movimento de alta já nos próximos pregões não é baixo, mas o ritmo da escalada e o potencial de alta podem ser amenizados daqui para frente, principalmente após a atuação do Banco Central, ontem, com oferta de swap cambial.

No mercado externo, o mau humor aumentou após notícias de que Donald Trump poderia implementar tarifas adicionais aos produtos chineses. Segundo seus assessores, ele está preparado para intensificar a guerra comercial com a China.

No pregão da última quarta, os estrangeiros ampliaram a posição comprada no na bolsa brasileira em R$ 205,26 milhões, resultado de compras de R$ 4,20 bilhões e vendas de R$ 3,99 bilhões. No acumulado do mês, o resultado é de R$ 3,50 bilhões. No ano, o saldo negativo caiu para R$ 2,58 bilhões. Tudo indica que os gringos estão aproveitando a desvalorização da bolsa em dólar para aumentar suas posições, mesmo neste cenário de aversão ao risco e incertezas políticas.

indicadores economicos agosto 2018

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Agosto de 2018

A taxa SELIC em agosto de 2018 ficou em 0,57%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 6,84%. Em 2018, o acumulado é de 4,33%.

CDI em Agosto de 2018

O CDI em agosto de 2018 ficou em 0,57%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 6,83%. Em 2018, o acumulado é de 4,32%.

CDB em Agosto de 2018

O CDB em agosto de 2018 ficou em 0,64%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 6,85%. Em 2018, o acumulado é de 4,46%.

Poupança em Agosto de 2018

O rendimento da poupança antiga em agosto de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,17% e da nova foi de 4,93%. Em 2018, o acumulado da poupança antiga é de 4,07% e o da nova de 3,08%.

IBovespa em Agosto de 2018

O IBovespa fechou agosto de 2018 aos 76.677 pontos, registrando queda de -3,21%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 8,25%. No ano, o índice sobe 0,36%.

ibov agosto 2018

IBovespa em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

IFIX em Agosto de 2018

O IFIX fechou agosto de 2018 aos 2.139 pontos, registrando queda de -0,7%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 2,66%. No ano, o índice cai -3,91%.

ifix agosto 2018

IFIX em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

Dólar em Agosto de 2018

O Dólar Ptax (BC) subiu 10,13% em agosto de 2018 acumulando alta de 31,40% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) subiu 8,49% acumulando alta de 29,34% nos últimos 12 meses. No ano, o Dólar tem alta de 25,01%.

dolar agosto 2018

O Dólar apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

Euro em Agosto de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve alta de 9,1% em agosto de 2018 acumulando alta de 28,12% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve alta de 7,73% acumulando alta de 26,13% nos últimos 12 meses. No ano, o Euro tem alta de 20,83%.

euro agosto 2018

O Euro apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

IGP-M em Agosto 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou inflação de 0,7% em agosto de 2018. O índice acumula inflação de 6,66% no ano e de 8,89% em 12 meses. Houve forte pressão dos preços dos produtos agropecuários no atacado compensando o alívio no varejo. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, registrou no mês avanço de 1%, depois de ter subido 0,5% no mês anterior. No varejo, a pressão foi menor, uma vez que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, desacelerou a alta a 0,05% em agosto, depois de ter avançado 0,44% em julho. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,3%, contra avanço de 0,72% em julho.

IPCA em Agosto 2018

Com os efeitos da paralisação dos caminhoneiros arrefecendo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou para 0,13% em agosto, após marcar 0,64% em julho. Foi o resultado mais baixo da prévia da inflação oficial para meses de agosto desde 2010. Desta forma, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,53% em julho para 4,30% em agosto. No acumulado do ano, o índice de preços subiu 3,14%. Com o resultado, o IPCA-15 em 12 meses voltou a ficar abaixo do centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

Carta Mensal aos Cotistas

Agosto – o mês do desgosto e do cachorro louco* – foi marcado por um mercado desgostoso em algumas praças mundiais. Turquia e Argentina foram a bola da vez. Por aqui, tivemos a disparada do dólar que ultrapassou com vigor a barreira psicológica de 4 reais. Além do cenário internacional adverso aos países emergentes como o Brasil, o que influenciou muito a alta do dólar por aqui foi o cenário eleitoral. O novo patamar do câmbio já pressiona preços de produtos importados, especialmente combustíveis, medicamentos e eletrônicos. O preço da gasolina já acumula alta de quase 6% e reflete tanto o aumento do petróleo no mercado internacional quanto a disparada do dólar ante o real.

Para alguns economistas, no entanto, o impacto do dólar nos preços ainda não deve ser suficiente para tirar a inflação da meta de 4,5% estabelecida para este ano porque a demanda do consumidor continua baixa. (em 12 meses até julho, o IPCA acumula alta de 4,48%). Para o ano que vem, analistas estimam que um dólar acima de R$ 4,50 seria suficiente para ultrapassar o teto da meta de inflação, que é de 4,25%. O Banco Central continua complacente em relação à alta da moeda estrangeira, apenas ontem resolveu agir de forma mais contundente. Após o dólar disparar e bater R$ 4,20 no início desta tarde, o BC anunciou a oferta de US$ 1,5 bilhão em contratos de swaps cambiais. A medida aliviou a pressão no mercado, mas o dólar ainda fechou o dia em alta de 0,76%, a R$ 4,146. Na máxima, chegou a R$ 4,215, avanço de 2,5%.

“As intervenções do BC visam prover liquidez e garantir o bom funcionamento do mercado cambial e, portanto, do regime de câmbio flutuante. O regime de câmbio flutuante é a primeira linha de defesa. Os instrumentos cambiais utilizados pelo BC permitem que o regime de câmbio flutuante possa amortecer os choques da melhor forma”, informou a autoridade monetária por meio de nota.

O BC afirmou que a atuação cambial não se relaciona com sua política monetária, ou seja, definição da taxa básica de juros para garantir o cumprimento das metas de inflação. De acordo com a instituição, não há “relação mecânica entre a política monetária e os choques recentes”. Desde que o dólar voltou a subir forte, certa de duas semanas, o BC ainda não havia atuado diretamente na oferta de dólar. A última ação extraordinária do BC na oferta de contratos novos havia sido em 22 de junho, quando a autoridade fez 1 leilão de US$ 22 bilhões.

A grave crise cambial na vizinha Argentina também contaminou nosso mercado contribuindo para a forte alta do dólar. Outro fator relevante que impulsionou a moeda estrangeira foi a pesquisa DataPoder360. O levantamento mostrou que Lula lidera com 30% dos votos, seguido por Jair Bolsonaro, com 21% das intenções de voto. Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) aparecem embolados na terceira posição, com 7%, 7% e 6%, respectivamente.

É importante lembrar que o mercado sempre reage de acordo com uma expectativa futura da economia. Isto é, o dólar está disparando agora porque há um grande medo de que o candidato que for eleito não conseguirá resolver os problemas estruturais da nossa economia, principalmente resolver o grave problema do déficit público brasileiro.

Turquia Caiu, Argentina Caiu, Quem Será o Próximo?!

O panorama de mercado traçado ontem pelo blog Finanças Inteligentes foi muito assertivo para descrever o cenário atual de alguns emergentes. Transcrevo abaixo as principais partes mas você poderá ler o texto na íntegra neste link.

A Turquia foi o primeiro emergente a experimentar a fúria do mercado, numa intensidade não observada desde o crash de 2008. Em poucos dias a lira turca estava totalmente nocauteada, chegando ao ponto de o presidente, Tayyip Erdogan, implorar para que seus cidadãos troquem dólares e barras de ouro debaixo dos colchões por lira turca. A atitude desesperadora do presidente apenas colaborou para exacerbar as adversidades macroeconômicas acumuladas no passado. Hoje a lira turca é negociada numa cotação ainda menor em relação ao dólar com aquela praticada três semanas atrás.

Bastou alguns dias para os argentinos caírem de joelhos. O tombo do peso foi dramático. No dia 14 de agosto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central da Argentina aprovou em reunião emergencial, fora do calendário, aumento da taxa básica de juros de 40% para 45% ao ano. Outras medidas emergenciais ortodoxas, como o plano para redução do estoque de Lebacs (Letras do Banco Central – bônus local) do mercado e melhoras na eficácia da política monetária, também foram anunciadas neste dia. Não funcionou. A Argentina apenas comprou tempo. Nesta semana o mercado local foi arrasado. O dólar alcançou o recorde de 40 pesos nesta quinta-feira, fechando o pregão a 37,96 pesos, significativamente acima dos 3,50 pesos negociados em 2008 e 8,50 pesos quando Macri assumiu o governo. Um desastre.

Tal como os turcos, os argentinos não reconhecem publicamente as deficiências macro e culpam a turbulência do ambiente internacional pelo choque nos preços dos ativos locais. O desequilíbrio fiscal é notadamente um grave problema observado na Turquia e Argentina. Com a Argentina protagonizando o tombo da segunda peça do dominó, especula-se no mercado quem será a terceira peça a cair. O alvo está claramente em países emergentes com as contas desajustadas. Quem será o próximo?!

Carta Mensal Alaska

O Alaska Black é um dos fundos mais falados do momento, e não poderia ser por menos, com desempenho acima da média do mercado nos últimos 30 meses, tem trazido muita alegria para seus cotistas. A última carta semestral do fundo começa com a profética resposta de Mike Tyson à pergunta de um jornalista que questionou se Tyson tinha formulado um plano para derrotar seu próximo adversário. A resposta do pugilista ficou eternizada: “Todo mundo tem um plano até levar um soco na boca.”

Tyson mostrou que sua resposta ao jornalista tinha um caráter quase que profético, e cortou Biggs nos lábios com um cruzado, mudando todo o quadro do combate. A confiança de Biggs foi por água abaixo, assim como o plano que lhe havia trazido sucesso até então, e Tyson o puniu por 7 assaltos até a intervenção do árbitro. Talvez a vitória estivesse além da capacidade de Biggs, porém a falta de disciplina que ele demonstrou ao abandonar seu plano no primeiro sinal de adversidade fez com que suas chances piorassem muito.

O ensinamento é que todo preparo, planejamento e treinamento são colocados em prova na maneira que reagimos às adversidades e aos obstáculos. Para o autor da carta, disciplina não é uma habilidade inata do ser humano, pelo contrário, vai contra os instintos de sobrevivência. A disciplina vem sim como resultado de horas e horas de estudo, o que trará a confiança necessária naquilo que está sendo realizado.

E o que isto tem a ver com o mercado financeiro? Tem tudo a ver. No mercado, adversidades acontecem a todo momento. De tempos em tempos você irá levar um soco na cara, não raro verá sua tese de investimento ser testada por meses e meses. Agir emocionalmente nesses momentos, compelido pelos mais primitivos sentimentos de sobrevivência, é abandonar o plano inicial e entregar seus retornos financeiros a fatores muito menos objetivos que os que costumam guiar os preços dos ativos no longo prazo.

No primeiro semestre de 2018, o Alaska Black FIC FIA – BDR Nível I registrou +0,78%, ante +4,29% do IPCA+6% (benchmark). O Alaska Black FIC FIA II – BDR Nível I registrou +0,68%, ante -4,76% do Índice Ibovespa (benchmark). O fundo encerrou o 1º semestre de 2018 com vinte e uma ações. Comparado à carteira do fim de 2017, foram adicionadas três novas empresas e retirada uma. As empresas que começaram a fazer parte do portfólio são dos setores de óleo e gás, transporte e educação. O papel que foi substituído era do setor de papel e celulose. A taxa interna de retorno esperada do fundo no final do primeiro semestre de 2018 era de 23,16%. Ao fim de 2017, o fundo estava com uma taxa de retorno de 23,42%.

A rentabilidade de outro fundo da casa, o Alaska Range, foi afetada pela deterioração dos ativos locais no primeiro semestre. O fundo apresentou queda de 12,30% no período. A maior parte dos prejuízos está relacionada à posição vendida em dólar contra o real, que está presente em algumas estratégias do fundo como: compra de Ibovespa em dólar, estratégia relativa entre venda de dólar contra compra de juros longos, além de uma posição direcional vendida. Não houve variações significativas nas posições. A gestora segue com a tese que os ativos locais em dólar estão em um ciclo de alta e que o retorno pode vir tanto dos preços dos ativos em reais como da taxa de câmbio.

Ação Posição (%)
MGLU3 19,991
BRKM5 14,113
KLBN11 7,001
SUZB3 9,228
VLID3 6,551
PETR4 5,627
CGAS5 4,813
VALE3 3,379
RLOG3 2,39
POMO4 2,353
SSBR3 2,28
SCAR3 1,691
GOAU4 1,615
POMO3 1,123
RAPT4 0,922
RAIL3 0,808
LOGN3 0,31
CLSC4 0,207
ALSC3 0,19
CGAS3 0,118
RAPT3 0,057

Composição acionária do ALASKA BLACK MASTER FUNDO DE INVESTIMENTO EM AÇÕES – BDR NÍVEL I em maio de 2018

Finalizo este post ao som de “Don’t Cry For Me Argentina” versão acoustic metal…

* Acredita-se que a conhecida frase “agosto mês do desgosto” surgiu em Portugal, durante a época dos descobrimentos. Originalmente, a expressão era “casar em agosto traz desgosto”, pois as caravelas costumavam partir para o Novo Mundo nessa época. Assim, quem a mulher que casava com um navegante no mês de agosto, corria o risco de se tornar viúva prematuramente. Quanto ao “cachorro louco”, apesar de ser algo sem explicação científica, a ideia começou porque o mês de agosto é aquele em que as cadelas mais entram no cio, deixando os machos eufóricos – ou “loucos”. Por conta disso, principalmente entre os cães de rua, há um intenso coral de uivos e rituais de acasalamento.

Um comentário em “Carta Mensal aos Cotistas (Agosto/2018)

  1. Anônimo Responder

    Esse ano está tenso. achei interessante essa postagem, por exemplo vi que o indice de small caps está bem abaixo do índice IBOVESPA, explica em parte meu ano ruim em ações, tenho muitas small caps em carteira Valid, Marcopolo, Odontoprev, Metal Leve, Alupar e etc…

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