Poupança Hoje: Importância do Não-Consumo para Você e o País!

A poupança está com uma valorização acumulada de 8,06% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação oficial no período medida pelo IPCA está em 4,16%. Em tese isto significa que quem aplicou dinheiro na poupança 12 meses atrás teve seu poder de compra preservado e ainda conseguiu um ganho como bônus. Abril é o décimo primeiro mês consecutivo de ganhos da poupança sobre a inflação oficial. A poupança está sendo  uma das melhores aplicações financeiras dos últimos tempos.

Quem ler o parágrafo acima displicentemente pode ter uma ideia errada do que realmente representa a poupança enquanto aplicação financeira. Notem que tive o cuidado de escrever no título o termo “aplicação” e não “investimento”. Se você é um leitor atento já deve ter se deparado com a afirmação de que “poupança não é investimento”. Mas ao contrário do que muitos dizem, poupança é investimento sim, você entenderá melhor este conceito ao ler este texto.

O Tempo Passa, O Tempo Voa…

A caderneta de poupança está na memória coletiva do brasileiro. Quem é mais antigo irá lembrar deste comercial que foi muito exibido nos televisores Telefunken da casa dos seus pais…

O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa…

O brasileiro é um povo muito criativo, talvez não por vocação mas sim por necessidade. E toda esta criatividade pode ser notada através de comerciais deste tipo que ficam impregnados na nossa memória. O banco Bamerindus não existe mais. Entrou em dificuldades financeiras em 1994 sendo incorporado pelo HSBC e pelo Banco Central em 1997. Mas a poupança… esta continua numa boa. Mesmo com altos e baixos nos últimos anos esta aplicação ainda continua sendo muito utilizada pelos cidadãos.

A poupança em banco como conhecemos hoje, chegou ao Brasil em 1861 com a criação da Caixa Econômica Federal pelo então imperador D. Pedro II. O objetivo inicial era receber pequenas quantias das classes menos abastadas, com a garantia do Governo e juros de 6% ao ano. Ao longo das últimas décadas pouca coisa mudou, a poupança continua sendo a aplicação financeira mais simples que existe. A maioria dos bancos oferece, não tem impostos sobre os rendimentos e a liquidez diária.

Uma poupança pode ser aberta por qualquer pessoa que tenha CPF, ou por menores de 16 anos junto com o responsável. Os recursos depositados na poupança são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), até o valor de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Assim, se uma única pessoa tem, em um mesmo banco, conta-corrente, conta-poupança e outra aplicação financeira, por exemplo, a cobertura global dos três produtos será de 250 mil reais em caso de quebra do banco.

Rendimento da Poupança

O rendimento da poupança é mensal, isto é, cada aplicação realizada só rende uma vez por mês, sempre no dia em que o dinheiro foi aplicado (o chamado “aniversário”). Se alguém aplicar no dia 5 de um mês, o valor aplicado permanece o mesmo até o dia 4 do mês seguinte, e só no dia 5 ele é acrescido do rendimento mensal. Com isso, se o poupador resgatar o dinheiro antes do aniversário, não recebe a remuneração referente àquele mês. Portanto, programe seus resgates de olho nos aniversários.

As regras de rendimento da poupança atuais são definidas pelo Banco Central. De acordo com a legislação atual, a remuneração dos depósitos de poupança é composta de duas parcelas:

I – a remuneração básica, dada pela Taxa Referencial – TR, e

II – a remuneração adicional, correspondente a:

a) 0,5% ao mês, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for superior a 8,5%; ou

b) 70% da meta da taxa Selic ao ano, mensalizada, vigente na data de início do período de rendimento, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for igual ou inferior a 8,5%.

A remuneração dos depósitos de poupança é calculada sobre o menor saldo de cada período de rendimento. O período de rendimento é o mês corrido, a partir da data de aniversário da conta de depósito de poupança, para os depósitos de pessoas físicas e de entidades sem fins lucrativos. Para os demais depósitos, o período de rendimento é o trimestre corrido, também contado a partir da data de aniversário da conta.

A data de aniversário da conta de depósito de poupança é o dia do mês de sua abertura. Considera-se a data de aniversário das contas abertas nos dias 29, 30 e 31 como o dia 1° do mês seguinte. A remuneração dos depósitos de poupança é creditada ao final de cada período de rendimento, ou seja:

I – mensalmente, na data de aniversário da conta, para os depósitos de pessoa física e de entidades sem fins lucrativos; e

II – trimestralmente, na data de aniversário no último mês do trimestre, para os demais depósitos.

Para os depósitos feitos antes de 3 de maio de 2012, o rendimento continua sendo o antigo, de 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano), mais a variação da TR (Taxa Referencial, calculada e divulgada diariamente pelo Banco Central).

Importância da Poupança

Quando se fala em “poupança” logo pensamos na velha e boa caderneta de poupança, mas este conceito deve ser visto de uma forma mais ampla. Hoje temos no mercado diversos instrumentos para aplicação de recursos financeiros que vão desde títulos públicos a ações de empresas listadas em bolsa. Poupar nada mais é do que reservar um pouco do que se tem hoje para usar no futuro. É uma forma de dormir tranquilo, deitar sobre um colchão de dinheiro lhe proporcionará noites muito mais agradáveis.

poupanca hoje

Apesar da maioria das pessoas saberem que poupar é um ato saudável e importantíssimo na vida de qualquer um, poucas pessoas possuem este hábito consolidado no seu dia-a-dia. Os argumentos são os mais diversos: estou endividado momento, ganho pouco e não sobra nada, a vida é para ser vivida, não quero ser o defunto mais rico do cemitério, dentre outros. Em todos estes argumentos há um pouco de autoenganação e uma certa dificuldade para comer os marshmallows um pouco mais adiante.

Importância da Poupança para Você!

Que ter dinheiro guardado é importante todo mundo sabe, nem preciso escrever aqui os motivos, mas por que quase ninguém tem poupança? Onde está a real dificuldade de se guardar dinheiro? Alguns dizem que o brasileiro é como aquele cachorro que tem medo de linguiça porque já foi picado por cobra. Que o passado de inflação elevadíssima e o confisco da poupança ficaram impregnados na memória do povo e por isto as pessoas ainda acham que deixar o dinheiro parado em uma conta bancária é perigoso. Mas para mim há outros fatores mais fortes e evidentes.

Autoenganação

A principal desculpa para quem não poupa é a falta do que poupar. Falo isto com experiência própria. Lembro-me quando comecei a ganhar meus primeiros salários. Na época era o equivalente a meio salário mínimo. Tinha a plena convicção de que não precisava poupar nem um tostão daquele dinheiro. Como estava ainda no início da minha vida profissional e ainda viria a ganhar “muito dinheiro” então no futuro seria mais fácil guardar dinheiro. Só que na medida que o salário aumentava os gastos aumentavam na mesma proporção.

Aí que está a autoenganação, você jura para você mesmo que no futuro algo mudará, mas como esperar resultados diferentes se os hábitos continuam os mesmos? O hábito de poupar não deve ser condicionado à quantidade de recursos financeiros disponíveis. Hoje para mim é fácil falar e executar este conceito mas nem sempre foi assim. Para a maior parte das pessoas não é. Infelizmente não somos educados para agir desta forma. Muitos colocam a culpa no sistema de ensino que não possui disciplinas de educação financeira na grade curricular. Mas acho que este tipo de educação deveria vir do berço.

Gratificação Imediata

Todo mundo deve conhecer o teste do marshmallow. Para quem não conhece, trata-se de uma série de estudos de recompensa retardada realizados no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970 na Universidade de Stanford. Nos testes era oferecido a crianças a escolha entre uma pequena recompensa (como um marshmallow) entregue imediatamente ou duas pequenas recompensas se ela esperasse até o retorno do pesquisador (depois de uma ausência de aproximadamente 15 minutos). Os pesquisadores concluíram que as crianças que foram capazes de esperar por mais tempo pela possível recompensa apresentaram tendência de ter melhor êxito na vida.

Conforme matéria publicada no blog Neurociências em Benefício da Educação, foi observado que as crianças que conseguiram resistir ao marshmallow apresentaram uma estratégia de desvio de atenção. Ao fechar os olhos, esconder-se debaixo da mesa ou cantar uma canção, essas crianças estariam tirando o foco da tentação. As crianças que empregaram as melhores estratégias de desvio de atenção conseguiram controlar seus impulsos de gratificação imediata tendo em vista uma maior recompensa no caso da gratificação postergada.

O estudo não demonstrava se as habilidades das crianças que postergaram a gratificação foram aprendidas ou eram inatas. Das crianças participantes, somente uma minoria comeu o doce imediatamente. E cerca de um terço das restantes conseguiu resistir à tentação durante os 15 minutos e ganhar o segundo marshmallow.

Em um posterior estudo de 1989 descobriu-se que as crianças que aos 4 anos de idade conseguiram postergar a recompensa, durante seu crescimento, mostraram-se adolescentes mais competentes tanto cognitivo quanto socialmente, alcançaram maior desempenho escolar e evidenciaram lidar melhor com a frustração e o estresse. Também, observou-se que mais tarde, estas crianças foram mais bem sucedidas na escola, nas suas carreiras, nos seus casamentos e na vida. Este simples teste tinha profundas implicações no mundo real, e isso é um dos fatos que o torna um dos mais famosos dentro da área psicológica.

Psicólogos consideram a capacidade de autocontrole e recompensa adiada como parte importante do que é chamada de função executiva, a função do lobo frontal, que é o controle do comportamento, onde estratégias de decisões de longo prazo demonstram controle sobre o comportamento de manter e atingir metas.

Na minha forma simplista de encarar a vida considero cada real na minha carteira como um marshmallow que posso comer agora ou deixar para comer depois. Colocando este  mashmallow na poupança poderei comer dois mashmallows em um futuro próximo.  Portanto, ao falar de poupança, estamos falando de gratificação postergada. O que está em jogo é o mero adiamento dos nossos desejos enquanto seres consumidores. O que de fato é muito difícil para a grande maioria dos seres humanos. Fomos programados, desde a barriga das nossas mães, para sermos consumidores. Desde a placenta estamos consumindo, consumindo e consumindo.

E como lidar com este desejo animal de consumir a qualquer custo? A resposta já foi dada pelas crianças que passaram no teste: desvio de atenção. Se você ficar encarando o marshmallow de frente provavelmente irá devorá-lo, a melhor estratégia seria então fazer de conta que ele não existe, rs. Como já disse o ditado: a melhor forma de se livrar de um vício é arrumar outro. Portanto, plantar árvores seria uma saída.

Importância da Poupança para a Economia do País

O gastador, no alto da sua benevolência para com a nação, pode argumentar assim:

“Eu consumo toda a minha renda sem dor na consciência pois assim estou contribuindo para alavancar a economia deste país. Ao contrário de deixar meu dinheiro parado no banco, prefiro gastar e consumir pois desta forma estou fazendo a economia girar. Se todo mundo parasse de consumir as empresas iriam falir pois não teriam para quem produzir.”

Acredite, muita gente pensa assim, eu mesmo já pensei assim. Mas onde está o erro deste pensamento? Para entender melhor a origem desta ideia precisamos recorrer a John Maynard Keynes. Para quem não conhece, Keynes  foi um economista britânico nascido em 1883 em Cambridge. Viveu até 1946 tornando-se um dos economistas mais influentes do século XX. O trabalho de Keynes é a base para a escola de pensamento conhecida como keynesianismo.

Segundo João Luiz Mauad, em artigo publicado no site Instituto Liberal, Keynes foi, sem dúvida, um pensador inteligente e influente. Talvez por isso mesmo, a escola criada por ele, seja tão nociva para o mundo atual. Para Mauad, de todas as teorias enunciadas por Keynes, a mais destrutiva e daninha é aquela que contrapõe poupança e consumo. A base dessa teoria é que os indivíduos, ao poupar seus recursos, estão contribuindo para prejudicar os níveis de renda agregada da economia (Paradoxo da Parcimônia).

“O crescimento da riqueza, longe de ser dependente da abstinência poupança dos ricos, como é comumente suposto, é mais provável que seja impedida por ela“, escreveu Keynes, em sua “Teoria Geral do Emprego, dos Juros e do Dinheiro”.

Graças a Keynes, é comum o pensamento de que o consumo – não a poupança, o investimento e a produção – é o motor da economia. Desta forma, os economistas “keynesianos” enfatizam que o que move a economia é o consumo. Para eles, a política econômica correta é aquela que estimula o consumo, através de crédito farto e barato para a população. Qualquer semelhança com a política empregada aqui no Brasil nos últimos anos é mera coincidência.

Poupança x Consumo

Em um primeiro momento pode parecer algo óbvio: mais consumo implica em maior demanda, e mais demanda gera maior produção. Já a poupança adquirida através da frugalidade e do consumo contido, seria a inimiga número 1 desta fórmula mágica.

Sim, se a população repentinamente decidir parar de gastar e desta forma passar a poupar boa parte da sua renda com a intenção de consumir apenas no futuro, isso obviamente terá certos efeitos sobre a economia da nação, uma vez que haverá menos demanda por certos tipos de bens e serviços. Mas o que isso pode gerar de benéfico no futuro?

Em artigo recente publicado no site Mises, os autores discorrem sobre esta questão que tem a ver com a verdadeira “função social” da poupança. Esta função, e sua importância para o desenvolvimento das economias, foi destacada pelo economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk, que escreveu em 1910:

Aquilo que todos conhecem como “poupança” tem, como consequência imediata, um lado negativo: o não-consumo de uma fatia de nossa renda. Ou, em termos aplicáveis à sociedade que utiliza o dinheiro, o não-gasto de uma porção do dinheiro recebido anualmente.

Mas é exatamente aqui que começa a parte positiva do processo da poupança, o qual irá se completar muito longe do campo de visão do poupador — cujas ações, entretanto, foram as que deram o impulso a toda a atividade que virá a seguir.

O banco irá recorrer a essa poupança de seus depositantes e irá emprestá-la para empreendedores de várias maneiras: empréstimos para a construção civil, empréstimos para a abertura de pontos comerciais, empréstimos para a ampliação de instalações industriais, empréstimos para a construção de fábricas, empréstimos para a contratação de mão-de-obra, empréstimos para capital de giro etc.

eugen von bohm bawerk

Em suma, sem a poupança não haveria investimento, e sem investimento as economias dos países não cresceriam. No entanto, vários oferecem resistência a esta ideia de que é necessário poupar argumentando que se todos os indivíduos decidissem poupar ao mesmo tempo, isso iria restringir a demanda por bens de consumo, levando a economia a uma forte recessão. A esta acusação Böhm-Bawerk respondeu de maneira magistral:

Nesta premissa — de que a poupança significa necessariamente uma redução na demanda por bens de consumo — está faltando uma única, porém muito importante, palavra: ‘presente’.

Para começar, o homem que poupa reduz a sua demanda por bens de consumo presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. A “abstinência” gerada pela poupança não é uma abstinência absoluta, ou seja, ela não gera uma renúncia definitiva a todo e qualquer bem de consumo. Ele continua consumindo bens básicos no presente. Mas abrirá mão do consumo, no presente, de bens mais luxuosos. Mas tal renúncia não é definitiva. Ela é apenas uma postergação.

O motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros. Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro.

Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro.

Na área de comentários do site Mises, um leitor, não satisfeito com a exposição de ideias, questionou: “mas se as pessoas não consumirem, para que investir e criar um sistema de produção em massa? O certo não seria um equilíbrio entre consumo e poupança?” Coube então ao autor uma resposta simples e direta:

O consumo é inevitável. Nunca há consumo zero. Consequentemente, nunca há problema de demanda. Por definição.

Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais natural do ser humano. É impossível viver sem demandar. Por isso, a ideia de que é necessário “estimular a demanda” é completamente ilógica. A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.

Portanto, o problema não é e nem nunca foi “estimular a demanda”. O grande problema sempre foi criar a oferta. De nada adianta haver demanda se não houver oferta.

O que permite a oferta? A produção. E o que permite a produção? O investimento. E o que permite o investimento? A poupança. Fim.

Tendo entendido isso, você finalmente perceberá que “investir e criar um sistema de produção em massa” só é possível em sociedades poupadoras.

Outra coisa: sempre há aquelas pessoas que pouparam muito no passado e que hoje podem se dar ao luxo de gastar mais. Esse é um processo contínuo. Consequentemente, sempre há no presente gastos de pessoas que pouparam no passado.

Se você não percebeu, está se falando aqui de poupança hoje para consumo futuro e não simplesmente de abstinência permanente e contínua de consumo. É preciso internalizar isto: quanto mais poupança, maior a quantidade de recursos a serem emprestados. Quanto maior a quantidade de recursos, menores os juros dos empréstimos. Quanto menores os juros, mais viáveis serão os investimentos. Em suma: quanto maior a poupança, maior a capacidade de consumo futura da população.

E você ainda não está convencido de que a sua poupança beneficia a economia do seu país? Sim, o tema é polêmico. E para quem não lida diariamente com economia pode até se confundir pois ambas as ideias, por mais antagônicas que sejam, podem ser encaradas como corretas em um primeiro momento. É por estas e outras que dizem que a economia não é uma ciência exata e sim uma ciência humana.

Vale a Pena Poupar “Apenas” 100 Reais?

Descritas as partes macroeconômicas do artigo, vamos ao que realmente interessa: a parte da educação financeira. Fiz toda esta longa introdução apenas para tentar passar um conceito: a importância da poupança, tanto para você quanto para a economia do país. Mas a parte da educação financeira irei delegar para o meu amigo blogueiro William Ribeiro que agora está com um canal novo no Youtube: Dinheiro com Você.

Com uma linguagem didática e descontraída, William tem falado sobre dinheiro de uma forma bastante prática e natural, acessível a um maior número de pessoas. Descomplicando os termos do economês, o propósito do projeto é falar de dinheiro de uma maneira leve. É o conteúdo perfeito para você dar umas boas risadas e mostrar para o seu amigo que não anda lá muito bem na relação com o dinheiro.

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22 thoughts on “Poupança Hoje: Importância do Não-Consumo para Você e o País!

  1. Almofadinha Amarrado Responder

    Grande Uó!

    A poupança é um grande vetor de crescimento, veja que nosso PIB cresceu bastante em um momento de maior participação do crédito imobiliário, este capitalizado por poupança e FGTS.

    Parabéns pelo post

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Obrigado pela contribuição Almofadinha!
      Grande abraço!

  2. KB Investimentos Responder

    A maioria dos países asiáticos com taxa de crescimento alta tem uma coisa em comum: alto nível de poupança e, consequentemente, alto nível de investimento.
    No Brasil, com a incerteza toda que temos vivido, nossa taxa de poupança e investimento só diminuiu nos últimos anos. Acabou de ser divulgado que a taxa de poupança em 2016 foi a menor dos últimos seis anos.
    Você tocou num ponto importante nesse artigo Uó.

    Abraço.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Isto mesmo KB!

      Estamos na contra-mão em relação aos países asiáticos. E por que você acha que existe todo este movimento contra a reforma da previdência? É todo mundo querendo viver sobre o guarda-chuva do Estado.

      Em um artigo do Terraço Econômico são explicados alguns motivos desta baixa poupança aqui no Brasil:

      A primeira é que o brasileiro é mais propenso a consumir. O Brasil adotou durante as últimas duas décadas um modelo de crescimento baseado no consumo. Através de distribuição de renda para as pessoas de camada mais baixa e subsídios ao consumo, o governo estimulava as pessoas a entrarem no mercado consumidor. Dessa forma, tanto a renda quanto o consumo aumentaram. Porém, como o segundo cresceu proporcionalmente mais, a taxa de poupança caiu.

      A segunda é que não há incentivos a poupar no Brasil. Um estudo recente do Insper, mostra que no Brasil, para 91% da população, o padrão de vida é mantido na aposentadoria com apenas os programas de seguro social para o envelhecimento. Segundo as palavras dos autores, “atualmente, a maioria destes trabalhadores vislumbra benefícios de aposentadoria generosos relativamente aos salários. Ou seja, esperam se beneficiar de taxas de reposição tão elevadas que tornariam desnecessária a poupança para o futuro. Em sendo assim, domicílios que recebem até 20 salários mínimos mensais – cerca de 90% dos domicílios brasileiros – só teriam necessidade de poupança para a aposentadoria no caso de uma redução significativa dos benefícios pagos pelo INSS. Apenas para domicílios com renda superior a 20 salários mínimos é que se constata necessidade significativa de poupança voluntária.”

      Sendo assim nossa baixa taxa de poupança, pelo menos a familiar, é explicada pela elevada cobertura de nossos programas sociais. A China é o caso oposto que tem elevada taxa de poupança e baixíssima cobertura de serviços sociais básicos. A população chinesa carece de saúde, educação básica, aposentadoria, seguro-desemprego etc e, portanto, reserva uma parcela maior de sua renda para imprevistos desse tipo.

      É por estas e outras que acredito que a reforma da previdência pode ter efeitos benéficos em termos de poupança para o Brasil.

      Abraço!

  3. Economista Responder

    Muito bom, Uó. Uma das coisas pouco faladas na imprensa sobre a taxa de juros ser alta no Brasil é o baixo estoque de capital, ou seja, baixa poupança. Quando num país há baixa poupança, o aluguel do dinheiro, seu custo, o que chamamos de taxa de juros, é maior. Simplesmente decorrente da lei da oferta e da demanda: pouco capital disponível (oferta), maior custo pra obtê-lo (demanda). Mais capital disponível (oferta), menor custo para obtê-lo (demanda). Abraço.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Correto Economista!

      E há ainda um agravante que foi muito bem explicado por Roberto Ellery em seu blog. Como mostra a figura abaixo a taxa de investimento no Brasil costuma ser maior do que a taxa de poupança:

      Esta diferença entre a taxa de investimento e a taxa de poupança é financiada via poupança externa, ou seja, temos que “importar” capital para compensar. O acúmulo de poupança externa se torna dívida externa. Esta dívida, como qualquer dívida, não é boa nem má em si, tudo depende que será feito com o capital. Se for usada em projetos com retorno alto o suficiente para pagar os juros e a dívida contraída a poupança externa fez um bem ao país.

      Porém a dívida externa tem um complicador, trata-se do câmbio. O uso de poupança externa faz com que as empresas nacionais tenham de fazer seguros contra desvalorização cambial ou as coloca em posição de risco por conta de flutuações no câmbio, nos dois casos há um aumento no custo do capital.

      É por esta baixa poupança que vemos tantas empresas endividadas em dólar. O caso mais gritante é o da Petrobras. Pedro Parente, presidente da Petrobras, destacou que dois terços da dívida da companhia, de US$ 125 bilhões, não geram nem um real em receita para a companhia. Ou seja, além de um alto custo de capital, o mesmo é empregado de forma ineficiente.

      Abraço!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Opa Inglês!

      Na ocasião da queda do império alguém disse: “agora ferrou, um porco que estava engordando no poder há anos dará espaço a leitões famintos de 4 em 4 anos.”

      Brincadeiras à parte, segundo artigo publicado na Revista Ecológico, conhecer o reinado de Pedro II é fundamental para entender porque somos um país com dimensões continentais, unido com todas as suas diversidades regionais. O imperador, simpático à ideia republicana, enxergou o fim do regime monárquico e não desejou lutar por ele, mesmo sendo querido pelo povo. Aceitou o fato e, na companhia da família real, partiu para o exílio sem um tostão, passando a viver na Europa com a ajuda de amigos.

      Pedro II professou seu amor pelo Brasil ao longo de toda a vida e seu legado de realizações é o maior testemunho deste afeto que contribuiu para a formação da nossa identidade nacional.

      O site Rio de Janeiro Aqui também destaca que os governos durante o reinado de Dom Pedro II fez o Brasil avançar progressivamente no campo do desenvolvimento econômico, industrial e científico, embora sob a obscuridade da ainda existente escravatura. Entre os inúmeros avanços e progressos acontecidos em seu tempo destaca-se aqui os seguintes:

      – Foi empreendido pelo estado o replantio da Floresta da Tijuca iniciado durante o Gabinete Paraná em 1857, no tempo de Dom Pedro II.
      – Dom Pedro II foi um grande incentivador das primeiras Exposições e Feiras Industriais
      – Durante o segundo Reinado, foram construídas as primeiras ferrovias do Brasil, muitas delas empreendidas pelo Barão de Mauá.
      – Construção de Inúmeras Escolas Públicas e Construção do novo edifício da Santa Casa de Misericórdia em estilo neoclássico em 1852.
      – Lançamento dos primeiros Cabos Submarinos para comunicação telegráfica com regiões do Brasil, e também com a Europa, em 1874, empreendida pelo Barão e depois Visconde de Mauá.
      – Construção da Fábrica de Gás em 1851 empreendida pelo Barão de Mauá.

      Abraço!

  4. William Responder

    Uau, que belo artigo e trabalho de pesquisa, Uo!!! Sensacional, super completo, didático e esclarecedor. Muito feliz em fechar esse artigo (imagino o trabalho que deve ter dado). Forte abraço e parabéns!!!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Opa William!

      Queria divulgar seu canal aqui no blog mas ao mesmo tempo queria escrever algo pertinente ao seu primeiro vídeo. Sei que a maioria dos leitores aqui já tem conhecimentos suficientes para entender a importância da poupança, inclusive já investem em ativos financeiros mais elaborados com ações e FIIs. Mas sei também que muitas pessoas ainda não despertaram para a importância da educação financeira. Espero com este artigo motivar estas pessoas que hoje não entenderam ainda que o ato de poupar é bom para elas e também para o país. O seu canal está de parabéns pois com uma linguagem mais acessível pode alcançar este público, tem gente que arrepia os cabelos do braço só de ouvirem falar de juros e taxa SELIC, mas precisamos de alguma forma sensibilizar estas pessoas. Os juros devem ser nossos aliados e não nossos inimigos, simples assim.

      Forte abraço e longa vida ao seu canal… os videos estão ficando muito bem produzidos e sei o trabalhão que isto deve dar. Mas o resultado compensa qualquer esforço.

      https://www.youtube.com/watch?v=UO3LDhdVMaE

    • ANDRE R AZEVEDO Responder

      Uó, muito bom. Tão bom que estou em viagem e reservei uns momentos aqui para ler o artigo e os comentários.

      Uma observação: DPedro II realmente amava o Brasil, mas achava que o Estado era o braço forte do desenvolvimento. Ele vivia às turras com o Irineu, o Barão de Mauá, que teria sido o cara para desenvolver esse país e a mente dos futuros brasileiros para a importância da atividade privada.

      Estou no celular e c tempo curto para me estender. Li há algum tempo atrás o livro do Bruno Garshagen, Pare de acreditar no governo…. Ele conta bem desses.fatos com muitas referências.

      Abração!

      • Ábaco Líquido Autor do post

        Opa André!

        Por quais bandas andas?

        Não conhecia este livro, fui pesquisar a respeito, encontrei os seguintes trechos:

        O golpe republicano em 1889 e a covarde expulsão de D. Pedro II e de sua família do país destruíram o capital de experiência política e social desenvolvido no Brasil até então. Os problemas e desafios políticos enfrentados até aquele momento, como a centralização e a descentralização, ou deixaram de existir ou passaram a ter outros significados. Deixaram de existir um imperador como peça central da vida política e uma disputa política entre liberais e conservadores.

        A República abriu espaço para outras agendas e ideologias políticas que prometiam mudanças, mas que repetiram os velhos erros autoritários sem reproduzir quaisquer traços das virtudes da Monarquia e das elites políticas da época.

        A Monarquia parlamentar constitucional acabou, mas a natureza do Estado patrimonial se manteve viva e ganhou nova roupagem. Herdamos dos portugueses muito mais do que certo complexo de inferioridade e o gosto pelo bacalhau. O nosso patrimonialismo foi, de fato, uma herança do Estado português, legado que fundamentou tanto a nossa Monarquia quanto a nossa República. A influência do governo de Portugal na nossa cultura política foi de tal sorte que o presidencialismo republicano se desenvolveu à maneira do Estado português, a partir do crescimento estatal e da concentração de poder.

        Aos olhos de D. Pedro II, não havia maior pecador no Brasil do que Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá. De modesto aprendiz do comércio, Mauá transformou-se num dos mais brilhantes, versáteis e ricos empresários que o Brasil já teve. E tinha muito orgulho de ser quem era e daquilo que conquistou com o seu trabalho. Era, portanto, a personificação de tudo o que o imperador mais desprezava.

        Assim como D. Pedro II, Mauá amava o Brasil. Muito. Mas os dois tinham formas completamente diferentes de ver o mundo e o progresso do país: Mauá tinha certeza de que o desenvolvimento do país só era possível com o trabalho da iniciativa privada; já o imperador considerava-se o grande agente do desenvolvimento nacional.

        Depois lerei este livro com calma, achei bem interessante. Obrigado pela indicação!

    • ANDRE R AZEVEDO Responder

      Ele mostra uma visão da história brasileira pouco divulgada.
      Estou ainda na Argentina, mas estou indo para o Atacama amanhã, depois Uyuni. Acho que vou ficar agora forçado a não visitar seu blog uns dez dias hehe.
      Abraço!

      • Ábaco Líquido Autor do post

        Opa André! Precisa contar mais sobre estas viagens no seu blog.
        Boa estada!
        Abraço!

  5. Juscelino K Responder

    Vai mesmo estragar o bom trabalho que estava fazendo com esse site escrevendo esses artigos com títulos “pega clique”? Está gostando mesmo da renda do AdSense, hein? Ridículo.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala J.K!

      Claro que não vou estragar o bom trabalho, se este site está tendo audiência é porque algum valor tenho passado aos leitores. E são os leitores, como você, que me ajudam a melhorar o trabalho. Como sou ser humano cometo alguns equívocos, mas logo trato de consertar. Agradeço o feed-back. Vou tomar mais cuidado ao escolher os próximos títulos e já mudar o título deste post.

      Sobre a renda do Adsense, sim estou gostando, quem não gosta de renda não é mesmo? Mas a renda é consequência e não objetivo. O objetivo continua sim o compartilhamento de conhecimento, com respeito ao leitor.

      Obrigado mais uma vez pelo feed-back, só não gostei do “ridículo”, rs.

      Abraço!

      • Juscelino K

        Sua resposta e sua atitude foram melhores que a minha crítica. Peço desculpas pelo “ridículo”. Força de expressão bairrista do sul.

      • Ábaco Líquido Autor do post

        J.K.
        Apesar do “ridículo” sei que você se importa com este espaço aqui, senão simplesmente teria fechado o browser. É o que digo para minha esposa, em um casamento quando um cônjuge passa a ignorar o outro, o casamento está acabado. Mas quando existe a crítica, é porque a vontade de manter o casamento ainda existe. Só tenho a lhe agradecer pela critica, sua indiferença esta sim me preocuparia, seria o fim de um casamento. Xi, acho que viajei nesta comentário, rs.
        Abraço!

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