Melhores Investimentos em Ações (e também os piores de todos os tempos)…

Amanhã irei realizar alguns desinvestimentos e também alguns novos aportes com o dinheiro liberado. Pode-se considerar que é um rebalanceamento da carteira de ações. Com certo pesar, irei vender alguns dos meus melhores investimentos em ações. Trata-se de uma mera realização de lucros. Geralmente é assim que acontece, você libera os melhores e segura os piores investimentos. É um viés cognitivo dos investidores que nem Freud explica. Neste post irei listar os 5 melhores investimentos em ações, bem como os 5 piores investimentos que realizei nos últimos 5 anos.

Costumo vender ações em momentos de bull market como o atual mas forma parcial, isto é, vendo no máximo metade da posição. É uma forma de obter lucro real com as ações mais valorizadas e ao mesmo tempo não perder os próximos movimentos altistas. Outra função destas vendas escalonadas é ficar abaixo do limite de 20.000 reais mensais de isenção de imposto de renda.

Um bom investidor não é aquele que acerta sempre. Aliás, nem o mais platinado dos gestores de fundos multimercados acerta sempre. Um bom investidor é aquele que perde pouco dinheiro quando erra mas ganha muito quando acerta. É aquele velho ditado motivacional: dois passinhos pra frente, um passinho pra trás. Neste sentido, tenho obtido relativo sucesso nos investimentos.

Localiza (RENT3)

A Localiza é a maior rede de aluguel de carros da América do Sul em número de agências, sendo 561
agências de aluguel de carros distribuídas no Brasil e em outros 6 países do continente sul‐americano
em 31 de dezembro de 2016. Além disso, na mesma data‐base, a frota consolidada da Companhia e de
seus franqueados era de 143.131 carros, sendo 129.116 próprios e 14.015 carros de franqueados. A
Localiza possui cerca de 6,4 milhões de clientes ativos cadastrados em sua base de dados.

A Localiza e suas subsidiárias possuem como principais atividades: Aluguel de Carros, Gestão de Frotas e
Franchising, conforme descrito a seguir:

Aluguel de Carros: A Companhia aluga carros em agências localizadas nos aeroportos e fora de
aeroportos. Os aluguéis são contratados por pessoas jurídicas e por pessoas físicas, bem como por
companhias seguradoras, que oferecem carros reserva a seus clientes em caso de sinistros durante o
período da apólice. Como resultado da necessidade de renovação da frota, a Localiza vende os carros
depois de 12 a 18 meses de uso. Para evitar os custos de intermediação na venda dos carros
desativados, a maior parte dos carros é vendida diretamente a consumidores finais. Dessa forma, a
Companhia maximiza o valor de recuperação desses ativos, reduzindo a depreciação dos carros e o
investimento líquido para renovação da frota, uma vez que a despesa de vendas da rede própria de lojas
é inferior ao desconto requerido pelos revendedores.

Gestão de Frotas: A Divisão de Gestão de Frotas, através da sua subsidiária integral Localiza Fleet S.A., é
responsável pelo aluguel de frotas para empresas através de contratos de longo prazo (geralmente de
24 ou 36 meses). A frota dessa divisão é adequada às necessidades e solicitações dos seus clientes,
sendo, portanto, mais diversificada em modelos, cores e marcas. Os carros desativados são vendidos em média com 32 meses diretamente a consumidores finais ou a revendedores ao término dos contratos
firmados.

Franchising: A Divisão de Franchising é responsável pela concessão e administração de franquias em
mercados geograficamente definidos, incluindo a transferência do conhecimento necessário à
operacionalização do negócio e o direito de uso da marca Localiza. O negócio de franchising no Brasil é
administrado pela subsidiária integral Localiza Franchising Brasil S.A. e, no exterior, pela própria
Localiza.

rent3 melhores investimentos em ações

O primeiro aporte que realizei na Localiza foi em fevereiro de 2014 quando a ação estava sendo cotada na casa dos 30 reais. Após esta primeira incursão, o papel subiu até os 37 reais e iniciou um movimento de correção que levou o preço da ação para os 20 reais. O Brasil estava em plena crise Dilma e o mercado de automóveis estava atravessando um dos momentos mais depressivos da história. Neste momento, comecei a questionar se valia apena ou não continuar investindo na RENT3. Mesmo considerando a Localiza a melhor empresa do seu setor, naquele momento as perspectivas eram as piores possíveis. Mas por outro lado, a companhia continuava apresentando bons resultados a cada trimestre.

O tempo ia passando e a dúvida continuava, até que me deparei com uma construção de um prédio perto de uma avenida que costumo transitar aqui em BH. Era uma construção imponente que destoava de todas as outras de região. Aquele prédio realmente estava me chamando atenção…

sede localiza

Para minha surpresa, pesquisando na internet descobri que se tratava da nova sede da Localiza. Este foi o “trigger” que faltava. Você pode achar estranho, investir em uma empresa levando em consideração o prédio da sua sede, mas aquilo para mim um certo sentido. Então, no final de 2015, comprei mais ações da RENT3 ao preço de 24,42 reais. Depois disto, o papel só subiu, dobrou de preço e está sendo negociado atualmente perto dos 60 reais. Este é sem dúvida um dos meus melhores investimentos em ações.

localiza semi novos

Senior Solution (SNSL3)

Outro investimento em ação muito bem sucedido que fiz foi Senior Solution. Meu primeiro aporte nesta empresa foi em agosto de 2015 quando o papel SNSL3 estava sendo cotado nos 10 reais. O último aporte foi em janeiro de 2016 quando paguei o valor de 8,76 reais por ação (relembre aqui). Nesta última semana o papel chegou a incríveis 26 reais, ou seja, praticamente triplicou de preço deste minha última compra.

snsl3 melhores investimentos em ações

O que me motivou a comprar esta ação foi o setor em que a empresa atua (software para o setor financeiro) e também a agressiva política de aquisições da empresa para aumentar o market share. Hoje a  Senior Solution é líder no desenvolvimento de softwares e serviços de tecnologia para o setor financeiro. Hoje o market share é de 4,4%, o dobro da segunda colocada. A empresa opera as seguintes linhas de negócio: Software, que licencia sistemas sob o modelo de aluguel; Serviços, que desenvolve sistemas personalizados; Outsourcing, que desenvolve, suporta e mantém sistemas sob gestão do cliente; e Consultoria, especialista no desenho e revisão de negócios e processos para instituições financeiras.

M. Dias Branco (MDIA3)

Meu primeiro aporte na MDIA3 foi em dezembro de 2014 quando paguei 88 reais pela ação. As ações sofreram desdobramento e este aporte corresponde a 30 reais a preços ajustados. Em agosto de 2015 realizei meu último aporte pagando 69 reais pela ação o que corresponde a 23 reais nos preços de hoje. Com certeza a MDIA3 foi um dos melhores investimentos em ações dos últimos anos, muito disto graças ao seu delicioso biscoito amanteigado.

mdia3 melhores investimentos em ações

Excelsior Alimentos (BAUH4)

Meu primeiro aporte na BAUH4 foi em agosto de 2015 nos 6 reais e o último em abril de 2016 nos 5 reais. Atualmente a ação negocia na casa dos 13 reais, valor 2x superior ao meu preço médio neste papel. Este investimento também pode ser considerado um dos melhores da minha carteira de ações. A ação da Excelsior Alimentos é vista como desconfiança pelo mercado já que possui pouca liquidez e a sua controladora é a JBS. Mas o que me motivou a realizar este investimento foram os bons resultados trimestrais da empresa e também o próprio setor em que ela atua.

bauh4 melhores investimentos em ações

Equatorial Energia (EQTL3)

Não, eu não tenho a Equatorial Energia na minha carteira de ações e tenho inveja de quem tem. Estou colocando a EQTL3 neste post como menção honrosa. Esta é para mim uma das melhores empresas listadas na bolsa brasileira e talvez a melhor do seu setor. Só não comprei esta ação porque sempre achei “cara”. Mas na bolsa é isto que acontece, as melhores ações ficam cada vez mais caras, e se você for “pão-duro” como eu, perderá ótimas oportunidades.

eqtl3 melhores investimentos em ações

Poderia ter falado também da CTIP3 que me deu mais de 100% de lucro mas estão ação não está sendo mais negociada. Poderia também ter falado da BOBR4 que também me deu mais de 100% de lucro mas neste caso foi um trade especulativo e não um investimento propriamente dito.

Piores Investimentos em Ações

Brasil Insurance (BRIN3)

Tenho uma certa predileção pelo setor de seguros. Simplesmente considero este mercado uma máquina de fazer dinheiro. Já tinha três seguradoras na minha carteira de longa data (Porto Seguro, Sulamérica e BB Seguridade) e recentemente coloquei na carteira de ações mais duas empresas do setor: IRB Brasil Resseguros, líder de market share, com mais de 70% de participação no mercado ressegurador e a Wiz Soluções, empresa responsável pela corretagem de seguros da Caixa Seguradora. Conheça mais destas empresas neste relatório da Suno Research.

Deste setor também tenho a famigerada BRIN3. Mas a Brasil Insurance foi o investimento em bolsa de valores que mais me deu deu de cabeça. Comprei ações da BRIN3 por 16 reais e vi o papel ser negociado nos centavos. A empresa era uma boa pagadora de dividendos (aquela história que vocês já conhecem) e apresentava excelente múltiplos fundamentalistas como margem e ROE. Só que não. Da noite para o dia os bons resultados desapareceram.

Uma reportagem publicada no portal Infomoney no ano passado apresentou a situação conturbada pela qual passa a Brasil Insurance (BRIN3) nos últimos anos. A matéria apontava que, na ocasião, um grupo de sócios da holding de seguradoras estava tentando passar a história da companhia a limpo ao reivindicar reparação dos danos do que acusam ter sido um dos maiores crimes financeiros da história do mercado de capitais brasileiro desde Naji Nahas.

Para tentar recuperar o que foi perdido, com a suposta ilusão de expansão de negócios e enriquecimento, pela venda de suas empresas aos controladores da Brasil Insurance depois da abertura de capital, os sócios estavam abrindo frentes de reivindicações na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), BM&FBovespa, Polícia Federal, Ministério Público e até na reguladora americana SEC (Securities and Exchange Commission).

O negócio aparentemente seguro de ingressar em um projeto que visava desenvolver um player robusto para um setor fragmentado transformou-se em um pesadelo à turma de sócios que embarcou na ideia depois do início da negociação das ações BRIN3 na Bolsa. Juntos, eles estimam terem sido lesados em mais de R$ 10 milhões por um esquema que juram configurar em um caso clássico de pirâmide financeira.

Hoje, estão sem suas empresas, acusam que o pagamento correspondente não foi efetuado na integralidade e veem suas ações reduzidas a pó. Da máxima histórica de R$ 441,82 em 8 de agosto de 2013, ajustados a valor presente, ao fechamento desta última sexta-feira (18) – R$ 16,53 -, as ações da holding despencaram mais de 95%. No entanto, parte desse movimento não foi sentida por antigos controladores.

O grupo de sócios alega que a abertura de capital da companhia foi fraudulenta e diz ter sido vítima de uma maquiagem de dados apresentados pela holding a partir de mútuos e resultados não recorrentes, além de mecanismos contratuais como o chamado lock up, que os impediu de vender ações BRIN3 adquiridas antes da derrocada.

Eles contam que, após duas tentativas frustradas de abertura de capital, os sócios Ney Prado, Bruno Padilha, José Ricardo Brun Fausto e Raphael Andrade lograram atrair 26 corretoras para o negócio e gente interessada em investir, mesmo com menos de 40% dos balanços tendo sido devidamente auditados, conforme consta no prospecto apresentado pela companhia ao órgão regulador do mercado brasileiro.

brin3 melhores investimentos em ações

Criada em 2010, com o objetivo de ser uma gigante da corretagem de seguros, a Brasil Insurance está no centro de uma trama de denúncias e acusações entre acionistas e ex-sócios. Desde que o imbroglio teve inicio, o preço da ação na bolsa de valores caiu mais de 95%.

A companhia, em contrapartida, ressaltou em nota enviada a esta reportagem que é integrante do novo mercado, “segmento de mais alto nível de governança corporativa da BMF&Bovespa, e cumpre rigorosamente todas as regras de transparência e divulgação de informações”. A BR Insurance disse ainda que “as demonstrações financeiras são auditadas por auditores independentes de renome mundial, tendo sido sempre aprovadas, sem ressalvas, pelos acionistas”.

Das corretoras que participaram do pontapé inicial do que chamam de mirabolante engodo, eles alegam que apenas algo em torno de 6 a 8 eram de fato saudáveis, com resultados recorrentes e carteira diversificada. O restante seria levado a reboque pela minoria e sucessivos mútuos na primeira fase até que uma segunda etapa fosse posta em prática.

Na fase seguinte, ocorreu o inverso: uma maioria de companhias com resultados mais saudáveis foi adquirida com parte dos recursos obtidos da abertura de capital – outra parcela sendo embolsada pelos próprios controladores e as 26 seguradoras. “Dos demais que entraram posteriormente, 80% eram sérios. Essas são as corretoras que estão dando suporte ao balanço mentiroso”, diziam em pedido de medida cautelar negado pela Justiça.

Eles se dizem enganados por resultados inflados da BR Insurance à época da aquisição, o que teria provocado uma precificação sem fundamentos das ações e os levado a fechar o negócio. O negócio consistiu na compra das corretoras pela holding a algo em torno de 8 vezes o lucro líquido registrado no ano anterior – valor que seria pago com uma quantia à vista em dinheiro e parcelas anuais em ações bloqueadas para exercício em prazos que vão de um a quatro anos, e dinheiro. Com as ações reduzidas a pó, o pagamento se resumiu praticamente à parcela em dinheiro.

Em conversa com essa reportagem, o grupo de sócios diz que os controladores conseguiram faturar em três processos do caso BR Insurance:

  1. No IPO, quando cerca de metade do montante que não foi para o caixa da companhia abasteceu suas contas “corretagem pela ‘idealização’ de toda a ‘espetacular’ operação” orquestrada pelo grupo Gulf II.
  2. Na valorização das ações, que, da abertura de capital em outubro de 2010, à máxima em agosto de 2013, chegaram a apresentar valorização de 97,46%.
  3. Com o pagamento de volumes consideráveis de dividendos.

Neste último ponto, chama atenção a alteração da política de dividendos da companhia. Após pagamentos anuais em 2011 e 2012, passou a ser trimestral no ano seguinte, depois voltou a ser feito em uma parcela. Essa pode ter sido uma estratégia usada pelos antigos controladores para manterem os preços das ações no momento em que lhes foi permitido exercer a venda dos papéis que tinham em mãos.

Nem Tudo que Reluz é Ouro

Uma preocupação tirava o sono de Vinicius Wandenkolk nos últimos meses de 2011. Aos 48 anos, o empresário assistia ao crescimento do assédio de grandes rivais à carteira de clientes da ZPS, corretora de seguros da qual era o sócio majoritário e que faturava R$ 3,6 milhões por ano. A saída era buscar alternativas. Foi quando a Brasil Insurance bateu à sua porta. Com uma receita líquida anual de R$ 145 milhões, ela possuía mais de 14 mil clientes corporativos. Em outubro de 2010, o grupo havia captado R$ 644 milhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Bovespa.

O que atraiu investidores e fez brilhar os olhos de Wandenkolk era a estratégia da empresa: comprar e integrar corretoras para construir um portfólio sem precedentes e ter maior poder de barganha para negociar condições comerciais com as seguradoras. A proposta era tentadora. Além da parcela inicial de R$ 7,8 milhões e de um pacote de ações que seria liberado a cada aniversário da aquisição, Wandenkolk seguiria na operação e teria direito a novas cifras de acordo com o desempenho da ZPS, que foi avaliada em R$ 16,1 milhões.

Passados pouco mais de cinco anos, a parceria chegou ao fim. Em maio passado, Wandenkolk entrou com uma ação trabalhista pedindo R$ 4,5 milhões por danos morais e indenização por vínculo empregatício, além da quebra da sua cláusula de não competição, válida até 2019, e da rescisão indireta do contrato com a Brasil Insurance. “Tive uma perda patrimonial de R$ 5 milhões”, diz Wandenkolk.

Três personagens estão na origem dessa trama intrincada. A ideia da companhia partiu de Ney Prado Junior, Bruno Padilha e José Ricardo Brun Fausto, profissionais do mercado de capitais. Inicialmente, o trio reuniu 27 corretoras, que foram adquiridas em um modelo semelhante à compra da ZPS. Os acordos eram divididos igualmente entre pagamentos em dinheiro e em ações da Brasil Insurance, com parcelas variáveis, calculadas com base no resultado de cada empresa e que seriam liberadas a cada 12 meses, durante um período de cinco anos.

Os papéis foram depositados em um fundo, batizado de Verona, e seriam distribuídos de acordo com o desempenho de cada corretora. Na composição societária do grupo, Prado Junior, Padilha e Fausto foram reunidos no fundo de participações Gulf II, que após a abertura de capital ficou com 22% das ações da holding. Assim como os demais acionistas, eles estavam sujeitos a essas mesmas regras. A partir do montante arrecadado no IPO, o plano era investir em uma nova onda de aquisições. Na estrutura da empresa, Prado Junior assumiu como presidente do conselho de administração, Padilha virou CEO e Fausto, diretor de operações.

brasil insurance queda bolsa

A oferta pública inicial de ações (IPO) da Brasil Insurance movimentou R$ 644,6 milhões

De acordo com apurações realizadas pela revista Isto É Dinheiro junto a acionistas, estes disseram que essa proposta escondia outras intenções. Segundo eles, a Brasil Insurance inflou artificialmente os lucros das corretoras, com empréstimos mútuos e garantias financeiras, para ludibriar os investidores. “Fomos seduzidos e enganados. Éramos corretores. Não tínhamos nenhum conhecimento sobre o mercado de capitais”, diz Cláudio Royo, um dos donos da Economize, corretora comprada em 2012, na segunda leva de aquisições. “Muitas delas sequer tinham receita recorrente”, afirma Ilson Barcelos Junior, outro sócio da Economize.

Uma sequência de acontecimentos é apontada como essencial para entender a execução dessa estratégia. Em abril de 2012, Ney Prado Junior renunciou à presidência do conselho. Segundo sócios ouvidos pela Isto é Dinheiro houve um levante, liderado por Bruno Padilha, para forçar a saída do executivo. No processo, as ações de Prado Junior foram desbloqueadas para a venda antes do prazo estipulado no acordo de acionistas. Padilha, por sua vez, deixou o cargo de CEO e assumiu a presidência do conselho. “Nessa manobra, as ações de Padilha e Fausto também foram liberadas.”, afirma um dos acionistas. Um ex-executivo da holding destaca o papel de Padilha na definição dos rumos da Brasil Insurance. “Ele sempre foi o executivo principal de fato.”

Segundo outro acionista, algumas práticas contábeis pouco comuns começaram a ser adotadas por determinadas corretoras e se intensificaram a partir desse momento. “Formou-se uma panela que dominava o conselho e ditava as regras”, diz. Ele observa que, ao mesmo tempo em que esses números contribuíam para elevar as receitas e valorizar os papéis da Brasil Insurance, os sócios dessas empresas embolsavam um montante superior às demais corretoras no resgate das ações do fundo Verona.

A Brasil Insurance apurou uma receita líquida de R$ 226,4 milhões em 2014, queda de 12% na comparação com 2013. O lucro líquido recuou 90%, para R$ 10,6 milhões, enquanto seu valor de mercado caiu de R$ 1,72 bilhão para R$ 318,7 milhões (confira o quadro ao lado). As ações, que atingiram seu pico em agosto de 2013, derreteram e chegaram a ser negociadas a menos de R$ 1 em 2015, quando foram agrupadas em lotes de 20.

“No terceiro trimestre de 2013, antes do início da derrocada, o grupo que dominava a companhia começou a vender seus papéis”, diz um dos sócios corretores. O processo teria se estendido até os primeiros meses de 2014. “Nessa época, o Bruno Padilha, por exemplo, vendeu suas ações”, afirma Barcelos Junior, da Economize.

Procurado, Ney Prado Junior não quis conceder entrevista. Bruno Padilha, por sua vez, ressalta que a venda de suas ações seguiu os parâmetros estabelecidos no acordo de acionistas. “Fui acionista até 2014, ano em que venceu o meu mandato como membro do conselho de administração”, diz. Além de destacar que a abertura de capital foi coordenada por empresas qualificadas, como os bancos JP Morgan e Morgan Stanley, e sob a “rígida supervisão da CVM”, ele observa que jamais foi procurado por algum acionista para falar sobre irregularidades no IPO.

Padilha acrescenta que as acusações não têm qualquer sustentação factual ou jurídica. “Encaro essas alegações como má-fé de pessoas que foram afastadas da companhia e estão perseguindo interesses financeiros próprios. E pretendo processar qualquer corretor que envolva o meu nome em acusações levianas.” Procurados, o Morgan Stanley e a BM&FBovespa disseram, por meio de suas assessorias de imprensa, que não se pronunciariam. O JP Morgan não retornou aos pedidos de entrevista.

Procurada pela Isto É Dinheiro, a Brasil Insurance se manifestou inicialmente por meio de uma nota, comentando as alegações dos acionistas que se identificaram nesta reportagem. A empresa destacou que nenhum dos membros da administração atual integrava a gestão na época do IPO e das mencionadas práticas contábeis, mas observou que dá encaminhamento a todo tipo de denúncia. “Os denunciantes foram notificados para que enviassem provas ou ao menos indícios de suas alegações. Eles nunca forneceram qualquer indício ou material probatório, tampouco demonstraram interesse em fazê-lo”, afirmou a holding.

No documento, a Brasil Insurance ressaltou que os sócios Claudio Royo, Ilson Barcelos Junior e Vinícius Wandenkolk venderam suas corretoras e assumiram obrigações. “Tempos depois, insatisfeitos com o negócio celebrado, apresentaram indecorosa proposta à companhia, em que pretendiam reaver as corretoras vendidas, sem qualquer contrapartida, nem mesmo a devolução das quantias milionárias que receberam pela venda.” O grupo prossegue afirmando que refutou, veementemente, a proposta, “o que motivou demandas judiciais, nas quais os acionistas em questão foram derrotados, e uma campanha difamatória com o objetivo de denegrir a imagem da empresa para obter vantagens indevidas.”

Outros Investimentos que Não Deram Muito Certo

Apresentarei agora outros investimentos que me fizeram perder dinheiro. Dos 4 listados abaixo, apenas a LUPA3 não tenho mais na carteira de ações. Os outros 3 (DIRR3, ETER3 e EUCA4) ainda tenho em carteira e ainda realizo aportes de vez em quando. São empresas que vejo certo potencial de melhora caso o mercado de imóveis ressurja das cinzas, rs.

Direcional Engenharia (DIRR3)

dirr3 melhores ações

Eternit (ETER3)

eter3 melhores ações

Eucatex (EUCA4)

euca4 melhores ações

Lupatech (LUPA3)

lupa3 melhores ações

Não falei neste post das ações da Vale e a Petrobras. Iniciei minha vida de investidor em maio de 2008 (pense em um timing ruim – um dia antes da crise subprime estourar de fato) aportando em fundos de ações destas duas empresas. Mas como não tinha nem ideia do que estava fazendo, não considerei a VALE5 e a PETR4 neste apanhado dos piores investimentos de todos os tempos. Mesmo porque até ganhei um dinheirinho com a Vale no ano passado.

suno research recomendação

20 comentários em “Melhores Investimentos em Ações (e também os piores de todos os tempos)…

  1. Anônimo Responder

    Olá Uó, e quanto a Ciel3 você acha que nessa cotação vale a pena compra?

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Ontem eu comprei um pouquinho. Na verdade eu compro 250 reais de CIEL todo mês, mas ontem comprei 1.000 reais. Não é assim uma “barganha”, queria que caísse mais, mas…

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      haha, pequenos grandes homens….
      Valeu Vidinho!

  2. Termos Reais Responder

    Fala Uó

    Belo post, mas prendeu a minha atenção especificamente no caso da BRIN3. Foi um caso muito, muito problemático.

    Estava acompanhado toda esta saga até meados de 2015, depois parei de acompanhar tão incisivamente. Com estas informações que você me trouxe, fiquei impressionado. É muito pior do que imaginei.

    Abs!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala Termos!

      Até eu que tenho o papel na carteira parei de acompanhar. Mas apesar destas complicações, a empresa continua firme nas atividades. Até quando eu acompanhei estava em um processo de reestruturação. É questão de tempo: ou fecha ou volta a dar lucros, rs.

      Abraço!

  3. Rodolfo Oshiro Responder

    Grande Uo,

    A vida é assim mesmo .. principalmente com investimentos … todo dia aprendendo .. todo dia erramos e acertamos .. ganhamos e perdemos .. bacanas as histórias e dados ..

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Cada dia um noco aprendizado…
      Abraço Rodolfo!

  4. Leo Responder

    Eternit é um pecado né..

    mas micou… micou de vez com a votação do amianto semana passada.. já tava micada

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Um verdadeiro defunto, mas pode ressuscitar, rs

  5. RKinvestimentos Responder

    Olá UO, uai, realmente localiza foi um investimento muito bom parabéns!
    Pergunto, vai comprar que ativos com essa grana? Ou vai torrar tudo em comida mineira?

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Opa RK!

      Hoje vou vender metade das ações da Localiza mas semana passada já comecei comprar a Movida que é do mesmo setor. Poucos dias atrás também reforcei o aporte na Tarpon. No setor de seguros comprei WIZS3 e IRBR3. Também vou vender metade da Senior Solution e com o dinheiro devo comprar Banco Pine. Tem um outro papel que estou comprando com o objetivo de dobrar o capital em 3 meses mas este não posso falar aqui, rs.

  6. Souto Responder

    Essas que você citou das piores, algumas delas você recomendaria uma entrada hoje?

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Bom dia Souto!

      Infelizmente não posso fazer recomendações aqui neste site. Mas como disse neste post, ainda tenho em carteira a DIRR3, ETER3 e EUCA4 e de vez em quando faço um aporte tendo em visa uma melhora futura do setor de real state, mas não deixa de ser uma aposta, pouco fundamentada. Também tenho a BRIN3 mas este é um case bem mais complicado.

  7. BETO FISCAL Responder

    Olá U.Ó, Eucatex já tive em carteira e sai quando começaram a bloquear os pagamentos de dividendos, Eternit tenho ações também, más ando meio desanimado com o futuro da companhia.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala Beto!

      Esta questão dos dividendos bloqueados é o que mais dificulta a vida dos investidores da Eucatex. Eu tenho dividendos e JSCP a receber da Eucatex há uns 3 anos. Difícil encontrar investidor no mercado que queira investir em uma empresa cujos proventos estão bloqueados. Hoje o que move os preços destas ações é puramente especulação. De qualquer forma a empresa tem apresentado lucros nos trimestres, ao contrário da Eternit por exemplo que tem apresentado prejuízo. Além do mais os produtos da Eucatex são top de linha, principalmente os pisos laminados.

      dividendos eucatex

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