Carta Mensal aos Cotistas (Maio/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em maio de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,52%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,52%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,54%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com forte queda de -10,87% enquanto o IFIX teve queda de -5,27%. O Dólar americano Ptax teve alta de 7,35% enquanto o Euro apresentou alta de 3,76%. O IGP-M registrou inflação de 1,38% enquanto o IPCA está estimado em 0,30%.

Em maio de 2018, a bolsa de valores brasileira teve seu pior desempenho em quatro anos. No mês, o Ibovespa acumulou queda de 10,87% e com forte volume. Maior perda mensal desde setembro de 2014, quando a baixa foi de 11,7%, e o pior maio desde 2012, quando a bolsa caiu 11,86%. As ações da Petrobras foram o grande catalisador desta queda do mercado mercado. No começo do mês, a empresa contou com notícias positivas, como a divulgação do balanço do primeiro trimestre. Mas a eclosão da greve dos caminhoneiros colocou a empresa sobre grande pressão vendedora.

No acumulado de maio, até o dia 28, os estrangeiros retiraram R$ 6,45 bilhões da bolsa, resultado de R$ 122,2 bilhões em compras de ações e de R$ 128,6 bilhões em vendas. Essa é a maior retirada mensal já realizada, considerando uma série histórica até 2012.

O Banco Central colocou US$ 6,5 bilhões no mercado de câmbio ao longo de maio através de swaps cambiais e, conseguindo assim manter a Selic estável, estabilizando a queda do diferencial de juros entre o Brasil e o mundo. Mas, ainda assim, apenas conseguiu impedir uma deterioração ainda mais forte no mercado de câmbio. Conforme apurado pelo Valor, o dólar subiu 6,65% em maio, alta mais forte desde setembro de 2015. Para meses de maio, a valorização é a mais forte desde 2013, quando o mundo vivia os efeitos do Taper Tantrum após o Federal Reserve sinalizar redução de estímulos monetários.

A alta do dólar em todo o mundo, o aumento das preocupações com emergentes e a queda do diferencial de juros foram alguns dos argumentos mais citados pelos analistas durante o mês para justificar o comportamento do câmbio. Porém, a sensação de um BC hesitante ao atuar no câmbio, o fluxo zerado ao longo do mês, a paralisação dos caminhoneiros e o enfraquecimento flagrante do governo e de sua articulação com o Congresso acabaram aumentando a pressão sobre o dólar. Soma-se a isto a incerteza política, já que as pesquisas eleitorais voltaram a indicar baixo desempenho dos candidatos pró-reformas.

indicadores economicos maio 2018

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Maio de 2018

A taxa SELIC em maio de 2018 ficou em 0,52%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 7,67%. Em 2018, o acumulado é de 2,65%.

CDI em Maio de 2018

O CDI em maio de 2018 ficou em 0,52%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 7,66%. Em 2018, o acumulado é de 2,64%.

CDB em Maio de 2018

O CDB em maio de 2018 ficou em 0,54%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 7,08%. Em 2018, o acumulado é de 2,60%.

Poupança em Maio de 2018

O rendimento da poupança antiga em maio de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,43% e da nova foi de 5,51%. Em 2018, o acumulado da poupança antiga é de 2,53% e o da nova de 1,94%.

IBovespa em Maio de 2018

O IBovespa fechou maio de 2018 aos 76.753 registrando expressiva queda de -10,87%. Além da derrocada da Petrobras que arrastou todo o mercado, no início do mês o mercado externo já pressionava a bolsa, levando o dólar a disparar em poucos dias e chegar na faixa de R$ 3,75. A recuperação da economia norte-americana, que pode acelerar a alta de juros pelo Federal Reserve, levou a uma forte alta dos Treasuries de 10 anos, que chegaram a superar os 3,10%, o que pressionou todas as moedas do mundo. No Brasil, o menor diferencial de juros e as tensões políticas acabaram levando a um cenário ainda pior no câmbio.

Além disso, o Copom surpreendeu o mercado ao manter a Selic em 6,50%, exatamente por conta do cenário externo mais complicado. A decisão foi elogiada, mas a comunicação acabou sendo uma das grandes críticas, já que uma semana antes Ilan Goldfajn chegou a dizer que a alta do dólar era “normal”, indicando que manteria a expectativa de um novo corte de juros. Com esse evento não esperado, os investidores precisaram corrigir suas posições, o que pesou no mercado por alguns dias. Nos últimos 12 meses, o ganho do IBOV é de 22,39%. Em 2018, o índice acumula alta de 0,46%.

ibov maio 2018

IBovespa em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

IFIX em Maio de 2018

O IFIX fechou maio de 2018 com queda de -5,27%. Nos últimos 12 meses, o ganho é de 7,66%. Em 2018, o índice acumula queda de -0,55%.

ifix maio 2018

IFIX em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

Dólar em Maio de 2018

O Dólar Ptax (BC) subiu 7,35% em maio de 2018 acumulando alta de 15,21% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) subiu 6,65% acumulando alta de 15,42% nos últimos 12 meses. No ano, o Dólar tem alta de 12,74%.

dolar maio 2018

O Dólar apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

Euro em Maio de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve alta de 3,76% em maio de 2018 acumulando alta de 19,65% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve alta de 3,76% acumulando alta de 19,82% nos últimos 12 meses. No ano, o Euro tem alta de 9,93%.

euro maio 2018

O Euro apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

IGP-M em Maio 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) variou 1,38% em maio, após encerrar abril com variação de 0,57%. Com este resultado, o índice acumula alta de 3,45% no ano e de 4,26% em 12 meses. Em maio de 2017, o índice havia caído 0,93% e acumulava alta de 1,57% em 12 meses. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado e que responde a 60% no cálculo do IGP-M, passou de 0,71% em abril para 1,97% em maio. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), relativo aos preços no varejo, que responde a 30% do cálculo, passou de 0,31% em abril para 0,26% em maio.

IPCA em Maio 2018

A prévia da inflação oficial – medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) – surpreendeu o mercado ao desacelerar para 0,14% em maio, depois de ter avançado 0,21% um mês antes. O resultado de maio é o mais baixo para o mês desde 2000 (+0,09%). A leitura ficou bem abaixo da média das expectativas de 30 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, que apontava para um IPCA-15 de 0,26% em maio, com intervalo das estimativas de 0,20% a 0,47%. O IPCA-15 ficou mais distante do piso do sistema de metas de inflação, de 3% neste ano – a meta é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Tem sido assim desde fevereiro.

Carta Mensal aos Cotistas

O mês de maio prometia ser um dos melhores do ano e talvez da história da Petrobras. A alta do petróleo no mercado internacional, o melhor balanço trimestral desde o 1º tri de 2013, o pagamento de proventos pela primeira vez em quatro anos, além da solução sobre a cessão onerosa com o governo, levaram a ação preferencial da empresa para R$ 27,55 (maior patamar desde maio de 2010). Porém a história mudou com a paralisação dos caminhoneiros em todas as rodovias do país. O Brasil praticamente parou. Empresas tiveram que reduzir a produção, o comércio enfrentou desabastecimento, escolas e repartições públicas decretaram ponto facultativo.

Com isto, a cotação dos papéis da Petrobras derreteram na Bolsa, chegando a ser negociados nos 17 reais no dia 25 de maio, uma queda de mais de 10 reais em relação ao pico de negociação no dia 17. O tiro de misericórdia ocorreu no dia primeiro dia de junho, quando o presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou seu desligamento do cargo. Isto levou os papéis a serem negociados nos 15 reais, uma queda de 5 reais em relação ao último pregão de maio.

As circunstâncias levaram os gestores de fundos a tomarem posições diversas em relação às ações da Petrobras. Segundo reportagem do portal Infomoney, para Henrique Bredda, gestor do fundo Alaska Black FIC FIA, o mercado exagerou no movimento e essa queda ofereceu uma boa oportunidade compra, já que foi gerada uma assimetria de preço e o episódio nada mudou sobre o case da empresa.

Para Marcos Peixoto, CEO da XP Gestão de Recursos, ainda não seria o momento de voltar para o papel, relembrando aquele velho ditado do mercado: ‘não tente pegar a faca caindo’. De fato, em meio ao turbilhão, “ainda é muito difícil tomar uma posição”, afirmou outro gestor que falou com o InfoMoney e preferiu não ser identificado.

Segundo Alexandre Sabanai, gestor da Perfin Investimentos, justamente o risco político inerente do case fez o fundo ficar fora das ações da estatal mesmo diante da forte alta recente, prezando papéis com uma melhor relação de risco x retorno. Para ele, os mesmos que aproveitaram os fatores macros (alta do petróleo), agora estão sendo estopados pelos riscos micros da empresa – governança com a política de preços. Assim, como sempre foi, sugere ficar fora das ações.

A Posição do Fundo Verde

Os acontecimentos dos últimos dias levaram o gestor Luis Stuhlberger do Fundo Verde e seu economista, Daniel Leichsenring, a algumas conclusões desanimadoras – é que mostra a reportagem do site Brazil Journal publicada no final de maio.

“Coisas muito importantes feitas por esse governo começam a ficar em xeque”, diz Stuhlberger. “O teto e o salário mínimo vão ser questionados. Qual será a nova regra do salário mínimo? Daqui a um ano, se estivermos votando o teto [dos gastos públicos] e reforma da Previdência, o que impede os caminhoneiros de voltar às ruas?”

Com a sociedade mais preocupada em punir a classe política do que em consertar a economia, o Verde trabalha com a hipótese de um segundo turno entre Jair Bolsonaro de um lado, e Ciro ou Marina do outro. Todos vistos pelo brasileiro como…. renovação.

Veja os principais trechos da entrevista:

Brazil Journal: Qual a implicação deste cenário para o preço dos ativos? Vamos começar pelo câmbio.

Stuhlberger: Vamos olhar o dólar puramente pelos fundamentos, dissociado um pouco do fiscal e do eleitoral. O déficit em conta corrente está perto de zero; as reservas cambiais, US$ 370 bi; o FDI [investimento estrangeiro direto] diminuiu bem, está em US$ 50 bi, mas mesmo US$ 50 bi é um bom número; e os preços de commodities estão em alta. Se você olhar isso um pouco dissociado do fiscal, R$ 3,30 é um bom preço. Aí se você só olhar o diferencial de juros de curto prazo, ele tem um efeito no câmbio se for permanente. Dá um número de 7% a 10% acima do [câmbio de] equilíbrio que a gente viu desde o Plano Real até 2017. O Ilan [presidente do BC] diz bem isso: a gente nunca teve uma inflação comportada de uma maneira mais estrutural. A gente teve momentos de inflação baixa, mas ela sempre aparecia de novo e o governo tinha que subir o juro. Imaginando o novo juro real de equilíbrio — sem considerar a eleição e o fiscal, só pela inflação — você pode dizer que de 7% a 8% nominal é um bom juro. De novo: essa experiência é a primeira de um juro estruturalmente mais baixo. O mercado chegou a projetar, no caso do Tombini – incrivelmente, com a Nova Matriz Econômica a toda carga e rising fast –, um juro de 4% na NTN-B 2050. Hoje, com o risco fiscal, está a 5,60%. Em suma, na verdade, ninguém de nós sabe o valor, mas certamente vamos inferir de 7% a 10%. Então R$ 3,30 vira R$ 3,60. E aí você tem que pôr o risco eleitoral em cima. Não me parece que tem muito risco eleitoral no câmbio.

Brazil Journal: Na carta do Verde referente a abril, divulgada no começo de maio, vocês surpreenderam ao dizer que estavam vendidos em dólar. O que aconteceu com essa posição?

Stuhlberger: A gente zerou há algum tempo, agora estamos comprados. Tinha um pouquinho [de posição vendida] e a gente zerou bem abaixo do patamar que está hoje. Na verdade a posição replicava o EWZ [uma cesta de empresas brasileiras em dólar, negociada em Nova York]: comprado em ações e vendido em câmbio. Agora acho que de R$ 3,50 a R$ 3,60 seria um equilíbrio natural aos preços de hoje e precisa jogar um risco político em cima desse equilíbrio.

Brazil Journal: E como o Verde está posicionado em Bolsa?

Stuhlberger: Considerando uma cesta de 140 empresas – que exclui estatais, bancos e commodities – mesmo com o PIB crescendo pouco, elas têm alavancagem operacional. Dá para crescer a produção sem ter que contratar muita gente e fazer muito capex, com custo financeiro menor porque a Selic está mais baixa. Acho que tem um upside razoável nessa carteira de ações. Tem várias oportunidades, tem algumas companhias e alguns setores que crescem acima do PIB, foi o caso de uma CVC, por exemplo. Esse tipo de companhia vai estar bem. A gente é positivo com Bolsa. Não temos uma posição muito grande por causa do risco eleitoral. Mas talvez a gente aumente.

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