Carta Mensal aos Cotistas (Junho/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em junho de 2018: A SELIC fechou o mês com rendimento de 0,52%. O CDI fechou o mês com rendimento de 0,52%. O CDB fechou o mês com rendimento de 0,58%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,37%. O IBOV fechou com queda de -5,2% enquanto o IFIX teve queda de -4,01%. O Dólar americano Ptax teve alta de 3,18% enquanto o Euro apresentou alta de 3,26%. O IGP-M registrou inflação de 1,87% enquanto o IPCA registrou inflação de 1,26%.

Em junho de 2018, a bolsa de valores brasileira acumulou queda de 5,20%. No primeiro semestre e no ano, a queda foi de 4,76%. No segundo trimestre, o Ibovespa caiu 14,8%, depois de uma alta de 11,7% nos primeiros três meses do ano. Internamente, mesmo com pequenos alívios de curto prazo, a eleição no Brasil segue como principal vetor de riscos. A falta de visibilidade sobre as coligações partidárias é tamanha que até o mercado financeiro está com dificuldades para traçar projeções ao Ibovespa. As leituras de risco vêm ganhando mais relevância no mercado, e o investidor vem elevando a cautela com o Brasil.

Já o dólar, de abril para cá, deixou para trás o nível de R$ 3,30 e se aproximou a R$ 4,00. Neste período, a alta foi de 17,36%. Este foi a maior alta trimestral desde os três meses encerrados em setembro de 2015. O avanço só não foi mais acentuado por causa da intervenção do Banco Central com a oferta líquida de swap cambial desde meados de maio. As vendas totalizam US$ 43 bilhões, em operações que têm efeito semelhante à venda de dólares no mercado futuro. O BC deixou claro que não pretende controlar o câmbio e irá atuar apenas em momentos de elevada volatilidade. Sua função, até o momento, tem sido de acalmar o mercado e não de tentar estabelecer um valor de equilíbrio para o câmbio.

No front externo, as preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e outros países como a China, inibem as apostas globais para emergentes, já que prejudicam as perspectivas de crescimento mundial. O cenário negativo que tomou conta do mercado, principalmente em abril e maio, deixa algumas marcas. O mercado brasileiro tem o segundo pior desempenho do trimestre numa lista de 33 países, melhor apenas que o peso argentino que perde 30%. A piora daqui nesse período contou com o fluxo mais contido de capital para emergentes, diante da perspectiva de aperto monetário nas economias desenvolvidas. Por aqui, o movimento foi agravado pelo aumento da percepção de risco com a greve dos caminhoneiros.

indicadores economicos junho 2018

Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

Taxa SELIC em Junho de 2018

A taxa SELIC em junho de 2018 ficou em 0,52%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 7,36%. Em 2018, o acumulado é de 3,18%.

CDI em Junho de 2018

O CDI em junho de 2018 ficou em 0,52%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 7,35%. Em 2018, o acumulado é de 3,17%.

CDB em Junho de 2018

O CDB em junho de 2018 ficou em 0,58%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 6,95%. Em 2018, o acumulado é de 3,19%.

Poupança em Junho de 2018

O rendimento da poupança antiga em junho de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,37%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,29% e da nova foi de 5,32%. Em 2018, o acumulado da poupança antiga é de 3,04% e o da nova de 2,32%.

IBovespa em Junho de 2018

O IBovespa fechou junho de 2018 aos 72.762 pontos, registrando queda de -5,2%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 15,68%. No ano, o índice cai 4,76%.

ibov junho 2018

IBovespa em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

IFIX em Junho de 2018

O IFIX fechou junho de 2018 aos 2.125 pontos, registrando queda de -4,01%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do índice é de 2,47%. No ano, o índice cai -4,55%.

ifix junho 2018

IFIX em tendência de alta no médio prazo mas no curto prazo a tendência agora é de queda.

Dólar em Junho de 2018

O Dólar Ptax (BC) subiu 3,77% em junho de 2018 acumulando alta de 16,55% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) subiu 3,77% acumulando alta de 16,96% nos últimos 12 meses. No ano, o Dólar tem alta de 16,56%.

dolar junho 2018

O Dólar apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

Euro em Junho de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve alta de 3,26% em junho de 2018 acumulando alta de 19,29% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve alta de 3,92% acumulando alta de 19,58% nos últimos 12 meses. No ano, o Euro tem alta de 14,24%.

euro junho 2018

O Euro apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta.

IGP-M em Junho 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) variou 1,87% – a maior taxa desde outubro de 2015 (1,89%). Em maio, o indicador havia subido 1,38%. Com este resultado, o índice acumula alta de 5,39% no ano e de 6,92% em 12 meses. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado e que responde a 60% no cálculo do IGP-M, acelerou a alta em junho a 2,33%, de 1,97% no mês anterior. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), relativo aos preços no varejo, que responde a 30% do cálculo, mostrou que a pressão no varejo foi maior em junho ao subir 1,09%, contra alta de 0,26% antes.

IPCA em Junho 2018

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de junho com alta de 1,26%, a maior taxa para o mês desde os 2,26% de junho de 1995. Com o resultado de junho, o IPCA acumulado no ano passou a 2,60%, ficando acima dos 1,18% registrado em igual período do ano passado. Já a taxa acumulada nos últimos 12 meses subiu para 4,39%, contra os 2,86% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. A greve dos caminhoneiros que paralisou ou Brasil fez a inflação subir, apontou o IBGE. O grupo alimentação e bebidas foi o que mais influenciou o resultado mensal, sendo responsável por 0,50 ponto percentual da composição da taxa no mês.

Carta Mensal aos Cotistas

O Brasil é um país instável, política e economicamente. Falar em investimento em longo prazo quando você não consegue desenhar um cenário para os próximos seis meses é uma coisa muito difícil. Não dá pra ser Warren Buffett no Brasil. Ele nasceu nos Estados Unidos, onde houve só duas grandes crises, a de 1929 e a de 2008, e a oferta de boas empresas listadas é enorme. Aqui a gente não consegue saber o que vai acontecer dali a seis meses. Se eu não consigo calcular o PIB do ano que vem, os juros dos próximos seis meses, o câmbio de 2019, como eu consigo determinar se uma coisa está cara ou barata? Quantos por cento desse valor da empresa que você está dizendo que está barato está na perpetuidade? Qualquer modelo econométrico vai te dizer que 70%, 65% da sua percepção de barato ou caro está num prazo que você não enxerga no Brasil. Tem que olhar o Brasil naquilo que você consegue enxergar, que é o curto prazo. Somos um país de cobertor curto. Nós estamos vivendo um exemplo claro: estão dando subsídio para caminhoneiro, vai ferrar com o produtor agrícola. Se subsidiam o setor de educação, como fizeram lá com o FIES, falta dinheiro para investir em infraestrutura, e assim por diante. Tentamos entender em que lado o cobertor está cobrando e ficar long naquele setor, e ficar short no setor que está pagando a conta. O desafio é saber a hora de entrar em cada um desses grandes temas e a hora de sair.

O trecho acima é de Paolo Di Sora, da RPS Capital, que hoje administra R$ 1,2 bilhão em três fundos. Seu principal produto ainda aberto à captação, o Equity Hedge, rende 147% do CDI desde o início. Di Sora está pessimista em relação ao cenário atual, vimos isto na sua entrevista ao Brazil Journal no mês passado. Pessimismo semelhante é compartilhado pelos gestores da XP…

XP Gestão de Recursos

De todas as cartas do mês de junho dos grandes fundos que li, a que mais gostei foi a da XP. A seguir os principais trechos da carta de junho do XP Macro…

Desde fevereiro, ficamos um pouco mais cautelosos com o cenário local, uma vez que a recuperação da atividade parecia ser mais fraca do que nossas estimativas, que por sua vez eram mais baixas que o consenso do mercado. Ainda, começamos a ter uma preocupação maior com o quadro eleitoral, que se mostrava mais indefinido do que supúnhamos.

Além disso, o cenário externo também começou a apresentar sinais de incerteza, uma vez que a maior pressão sobre a alta de juros pelo FED e uma escalada na retórica protecionista começavam a afetar os mercados. Dessa forma, já em fevereiro, encerramos nossas posições compradas em bolsa e concentramos nosso risco em posições aplicadas em juros, visto que o quadro de atividade fraca deveria garantir um cenário positivo para a curva de juros.

O risco político global também aumentou significativamente. Ainda que não acreditemos em um cenário de guerra comercial franca, os movimentos nesse sentido foram fortes nas últimas semanas, com o governo Trump pressionando tanto a China quanto a Europa via tarifas e medidas não tarifárias. Ou seja, temos um cenário global mais desafiador, ainda que não claramente negativo.

Ainda que tenhamos revisado para baixo nossa projeção de PIB e para cima nossa projeção de inflação para esse ano, o grosso dessas revisões é em função da greve dos caminhoneiros, cujo impacto deve se dissipar ao longo do tempo. Nossa preocupação se deve, principalmente, pela deterioração no cenário político e institucional do país.

O cenário eleitoral também tem se mostrado bem incerto e, atualmente, o mais provável nos parece ser uma disputa entre os extremos do espectro político brasileiro. Nesse cenário, optamos por encerrar nossas apostas aplicadas em juros. O Banco Central encerrou o ciclo de queda recentemente e, ainda que não acreditemos em um cenário de choque de juros, o próximo movimento provavelmente será de alta, podendo vir ainda este ano.

Aproveitamos a intervenção massiva do Banco Central no câmbio para comprar dólar perto de R$ 3,70. Nesse cenário global mais desafiador e com os riscos relevantes para o nosso quadro eleitoral, vemos o equilíbrio do câmbio em níveis mais altos do que no passado. Essa posição gerou bons retornos no mês e, nos níveis atuais, perto de R$ 3,90, a reduzimos parcialmente.

Não dá pra ser Buffett no Brasil

De todas as entrevistas com gestores que li em junho, a que mais me chamou atenção foi a de Paolo Di Sora para o site Brazil Journal. Seguem os principais trechos da entrevista:

Com qual cenário de juros e câmbio vocês estão trabalhando até as eleições?

Temos uma visão pessimista. Infelizmente o modelo que se adotou nos últimos anos – de expansão fiscal muito forte – se esgotou, e agora precisamos de um ajuste forte, redução de alavancagem, ajuste de despesas. No final, o Michel Temer ferrou tudo. Ele veio com essa agenda, liberal, de ajuste macro, mas a corrupção veio junto com ele. E com a corrupção, o povo não percebeu o benefício do ajuste macro, porque não teve confiança, todo mundo achando que o cara era ladrão… A tendência infelizmente é mais para o populismo. Bolsonaro, Ciro, Marina, em graus diferentes, todos estão numa linha mais à esquerda na economia do que a direita. O Bolsonaro é uma grande dúvida: a vida inteira votou a esquerda, mas botou o Paulo Guedes como assessor financeiro. Quem vai prevalecer na hora que estourar uma bomba? Em função disso, nossa visão de juros é de um país que vai se alavancar ainda mais e, portanto, vai ter que ter mais juro real para financiar essa dívida e, em função disso, uma visão de câmbio desvalorizado.

Dado esse cenário, como vocês estão posicionados setorialmente?

Estamos comprados em empresas associadas ao ciclo global, que coincidentemente me dão proteção cambial. Nossas maiores posições são no setor de papel e celulose, temos Embraer e exportadoras de commodities, como Vale e Gerdau. Tem um outro grupo que a gente está aos poucos montando, que é a turma defensiva doméstica: empresas que dependem menos do PIB, dos juros, e são mais estáveis do ponto de vista do balanço, com dominância no setor em que atuam. São os ‘sargentões’ do mercado doméstico, como diz o Florian [Bartunek, da Constellation]. Começamos a montar algumas posições: IRB, um pouco de Localiza… Como contrapartida, estamos short em nomes cíclicos domésticos: bancos, empresas de consumo discricionário, e-commerce, incorporadoras… Estamos mudando um pouco carteira para short nas estatais, como Petro, Banco do Brasil, Cemig, que dependem do cenário eleitoral. Esse short é o mais nervoso que temos, porque pode ter que mudar no cenário eleitoral.

Qual sua principal ideia ‘long’ que o mercado tem ignorado?

Embraer: uma empresa que ganha com o real desvalorizado e não subiu. A gente comprou uma posição maior de Embraer há uns três meses, porque percebeu que ia começar um movimento mais forte de dólar lá fora. Normalmente, as empresas que têm receita em dólar têm dívida em dólar, então ganham no EBITDA mas perdem no lucro líquido, porque a despesa financeira explode. A Embraer não tem isso — ela tem um balanço praticamente sem dívida. A empresa opera com uma margem operacional baixa, de 8%, 9%, com quase 100% da receita em dólar. Quando tem uma desvalorização cambial, quanto menor a margem, maior o efeito líquido no EBIT quando você tem uma desvalorização cambial. No caso da Embraer, o benefício da desvalorização cambial é quase 30% maior do que numa Vale ou Suzano.

E do lado short, o que vocês têm de diferente?

A gente não gosta do setor de bancos. Não vai ter uma aceleração na carteira de crédito, que estava programada para ter, e tem uma mudança de preços relativos dos serviços financeiros, com novas tecnologias e uma tendência do governo e do BC de facilitar novos entrantes, melhorar a regulação de cartões para facilitar novas bandeiras. Tem uma ‘disruption’ que a gente está vendo nos fees de serviços. Também não sei o que vai acontecer com os bancos estatais com o próximo presidente, se vai voltar a ter uma visão mais intervencionista.

8 comentários em “Carta Mensal aos Cotistas (Junho/2018)

  1. Boqueta de Porco Responder

    Olá, estou acompanhando seu resumo. Muito bom para quem está começando. Só uma dúvida, que o seu critério para definir o índice do CDB? Tem algum valor oficial? Pois pelo que sei a porcentagem do CDB varia de banco pra banco, desde 80% no BB até 130% do CDI na BTG. Obrigado.

  2. Dinheiro Investimento e Lazer Responder

    Acredito que em certos setores não cíclicos e em certas empresas dá para fazer buy and hold. Como por exemplo o Luiz Barsi faz, tem algumas empresas na carteira a décadas.

    Nos setores cíclicos, acredito que a melhor maneira de lucrar é usar a estrategia de value investing de Benjamin Graham. Comprar abaixo do valor intrínseco, com uma grande margem de segurança, depois vender passado uns meses ou ano com um lucro grande, de mais de 50%.

    Abraço e bons investimentos.

  3. Simplicidade e Harmonia Responder

    Uó,

    Excelente post! Os fatos mais relevantes em um só lugar.

    Não sei se você viu essa notícia:
    XP contrata nos bancos e leva research para o ‘varejão’
    http://braziljournal.com/xp-leva-research-para-o-varejao

    Eu gostei.
    Acho que teremos mais uma opção nesse sentido, além do conteúdo das casas de research. Gosto dos relatórios da Suno, mas para mim, as lives estão deixando a desejar com muita teoria e convidados toda semana…

    Abraços,
    Simplicidade e Harmonia

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Oi Simplicidade!

      Eu vi esta notícia sim. Acho que este mercado tem muito a crescer no Brasil, casas de análise séria podem incentivar cada vez mais pessoas físicas entrarem na bolsa.

      Não estou mais acompanhando os relatórios da Suno, as lives eu vejo todas, de todas as casas, rs. Sempre bom ver o pessoas mais experiente falar.

      Abraço!

  4. ANDRE R AZEVEDO Responder

    Fala Uó!

    Excelente serviço de utilidade pública! São tantos os relatórios que não conseguimos ver todos e ouvir opiniões diferentes sempre é bom.

    Além desses relatórios, vc costuma ler mensalmente mais algum?

    Abraço!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala André!

      Ao longo do mês vou reunindo o que mais relevante eu li e faço aqui um resumo.

      Abraço!

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