Carta Mensal aos Cotistas (Janeiro/2018)

Esta é a compilação dos indicadores econômicos em janeiro de 2018: O CDI e Taxa SELIC fecharam o mês com rendimento de 0,58%. A poupança antiga teve rendimento de 0,50% e a poupança nova teve rendimento de 0,40%. O IBOV apresentou alta de 11,14% enquanto e o IFIX teve alta de 2,64%. O Dólar americano Ptax teve queda de -4,4% enquanto o Euro apresentou queda de -0,73%. O IGP-M registrou inflação de 0,76% enquanto o IPCA está estimado para 0,4% para este mês.

A tabela de indicadores econômicos abaixo apresenta os principais índices financeiros registrados em janeiro de 2018. Estes dados são compilados pelo portal Valor Data e podem ser encontrados sempre atualizados nesta página.

indicadores economicos janeiro de 2018

Taxa SELIC em Janeiro de 2018

A taxa SELIC em janeiro de 2018 ficou em 0,58%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da taxa SELIC é de 9,39%.

CDI em Janeiro de 2018

A exemplo da taxa SELIC, o CDI em janeiro de 2018 ficou em 0,58%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDI é de 9,38%.

CDB em Janeiro de 2018

O CDB em janeiro de 2018 ficou em 0,52%. Nos últimos 12 meses, o acumulado do CDB é de 8,26%.

Poupança em Janeiro de 2018

O rendimento da poupança antiga em janeiro de 2018 foi de 0,50%. A poupança nova rendeu 0,40%. Nos últimos 12 meses, o acumulado da poupança antiga é de 6,62% e da nova foi de 6,28%.

IBovespa em Janeiro de 2018

O IBovespa fechou janeiro de 2018 com alta de 11,14%. Nos últimos 12 meses, o ganho é de 31,3%.

ibov janeiro 2018

IBovespa em tendência de alta no médio prazo 

IFIX em Janeiro de 2018

O IFIX fechou janeiro de 2018 com alta de 2,64%. Nos últimos 12 meses, o ganho é de 18,11%.

ifix janeiro 2018

IFIX em tendência de alta no médio prazo

Dólar em Janeiro de 2018

O Dólar Ptax (BC) caiu -4,4% em janeiro de 2018 acumulando alta de 1,13% nos últimos 12 meses. O Dólar Comercial (mercado) caiu -4,03% acumulando alta de 0,97% nos últimos 12 meses.

dolar janeiro 2018

O Dólar apresentou leve alta em janeiro mas ainda continua congestionado no médio prazo

Euro em Janeiro de 2018

O Euro medido pelo Banco Central teve queda de -0,73% em janeiro de 2018 acumulando alta de 16,72% nos últimos 12 meses. Já o Euro comercial teve queda de -0,26% acumulando alta de 16,27% nos últimos 12 meses.

euro janeiro 2018

O Euro apresenta congestão no curto prazo mas no médio prazo o movimento é de alta

IGP-M em Janeiro 2018

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) fechou janeiro em alta de 0,76%. Em dezembro, a variação havia sido maior, de 0,89%. Em 12 meses, o IGP-M tem deflação acumulada de 0,41%. O subíndice de preços no atacado (IPA) perdeu força de dezembro para janeiro, de 1,24% para 0,91%, e influenciou o comportamento do IGP-M, já que é responsável por 60% de sua composição. A queda do IGP-M não foi maior, porque os outros dois subíndes que integram o cálculo registraram avanço. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acelerou de 0,30% para 0,56% e, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou de 0,14% para 0,28%.

IPCA em Janeiro 2018

A prévia da inflação oficial – medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) – ficou em 0,39%, acima do 0,35% registrado em dezembro do ano passado. Apesar de ter acelerado, o IPCA-15 teve a segunda menor taxa para meses de janeiro desde 1994, quando foi criado o Plano Real, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme os dados, a prévia da inflação passou a registrar alta de 3,02% pelo acumulado de 12 meses, acima dos 2,94% apurados até dezembro do ano passado. Com o resultado, o indicador de 12 meses voltou a ficar acima do piso da meta de inflação para o IPCA, de 3% neste ano – o centro da meta é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

Carta Mensal aos Cotistas

O resultado do julgamento do ex-presidente Lula no dia 24 de janeiro gerou grande euforia no mercado financeiro, mas não garante que Lula está fora da corrida eleitoral. É o que mostrou a pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. A consulta mostra que, no caso de o ex-presidente Lula não concorrer às eleições, a disputa no segundo turno fica mais apertada, com quatro candidatos disputando votos com Jair Bolsonaro.

Mesmo tendo a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro confirmada por unanimidade no TRF-4, o Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança na corrida eleitoral, com intenções de voto inalteradas, entre 34% e 37%. O líder petista é seguido por Bolsonaro, que herda a dianteira em caso de ausência do ex-presidente. Porém, o Bolsonaro não conseguiu repetir o crescimento visto em outras pesquisas.

A consulta não trouxe grandes novidades. Lula segue liderando, Bolsonaro estagnou mas continua na frente sem Lula, e na sequência vem Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Luciano Huck e João Doria. O fato de Lula ter ficado no mesmo lugar antes do julgamento não surpreende pois já era de conhecimento dos seus eleitores todos os processo no qual o candidato está envolvido.

indicadores economicos janeiro 2018

Eleição sem Lula é Fraude?

De acordo com reportagem do Valor (link aqui), a forte entrada dos estrangeiros e a expectativa de que 2018 seja um ano de maiores lucros e crescimento no Brasil (e no mundo), fez com que a bolsa brasileira tivesse o melhor janeiro em 12 anos. O índice fechou o mês com forte alta de 11,14%, melhor desempenho para um começo de ano desde 2006, quando o índice teve alta de 14,73%. O fluxo de capital estrangeiro para o país segue forte, os não residentes já colocaram R$ 9,5 bilhões na bolsa, até o dia 29, valor equivalente a 71% dos R$ 13,3 bilhões alocados em 2017.

Na outra ponta, o dólar fechou janeiro com a maior queda para o mês em seis anos. De forma geral, a desvalorização no mês refletiu tanto o exterior benigno quanto as expectativas do lado político doméstico, após o petista ter reduzidas suas chances de concorrer às eleições. Um ponto de atenção é a votação da reforma da Previdência, prevista para este mês. No mercado, é baixa a expectativa de aprovação, o que, se confirmado, não seria argumento para pressão exacerbada no câmbio. Mas analistas não descartam momentos de maior instabilidade caso se confirme o temor de que o governo não tenha votos suficientes.

Verde Asset

Os últimos dias de 2017 e os primeiros do novo ano trouxeram uma dose de otimismo aos mercados, tanto no Brasil quanto no mundo, é o que escreve os gestores da Verde Asset Management no relatório gerencial do Fundo Verde Multimercado Brasil (link aqui). No cenário externo, a aprovação do corte de impostos nos Estados Unidos representa um estímulo razoável para a lucratividade das empresas americanas, e num contexto de crescimento global saudável, isso continua a impulsionar as bolsas. O Brasil se beneficia desse ambiente, seja por uma dinâmica construtiva de fluxos, seja por tirar o foco do risco político-eleitoral.

Os gestores entendem que o mercado local não enxerga riscos relevantes vindo das eleições. Para eles, a classe de ativo que nos parece embutir maior prêmio de risco em relação a eleição é a curva de juros pré-fixados. Dada uma Selic abaixo de 7%, vê-se um prêmio significativo ao se aplicar juros na casa de 10 a 11%
na curva de 2020 em diante. Por essa razão, a Verde tem dado preferência a alocações em juros, tanto nominal quanto real. Além disso, carrega posição comprada em ações brasileiras em torno de 8,5%, além de manter uma pequena posição tática vendida em Dólar contra Real.

Os gestores tomam como difícil a aprovação da Reforma da Previdência ainda em 2018, mas acreditam na probabilidade de que a mesma seja aprovada no início do próximo governo. Para eles já está claro para grande parte dos formadores de opinião da sociedade brasileira que a reforma é necessária. E assim qualquer desvio do próximo governo teria como consequência uma rápida desvalorização do câmbio com impacto na inflação, o que desencadearia um novo ciclo de alta de juros, a queda na confiança dos empresários e de consumidores e o enfraquecimento da economia.

O último dos grandes gestores a confirmar as expectativas de crescimento da economia brasileira foi Luis Stuhlberger. Em recente palestra (link aqui), o gestor confirma que o receio de que a volatilidade provocada pelas eleições poderá criar oportunidades para entrar em ativos com preços mais atrativos, mas indicou que não quer ficar fora do mercado neste momento.

Segundo ele, a posição em ativos brasileiros na carteira da gestora é de 50% em juros, 25% em câmbio e 25% em Bolsa. “Nossa ordem de preferência de risco atualmente é: juros, tanto real quanto nominal, na parte intermediária da curva. Em Bolsa, vemos um beta favorável, com potencial para algum alfa”, afirmou. Para o câmbio, o gestor acha que o valuation atual está “ok”, mas com o dólar chegando a R$ 3,10 reavaliaria a posição. “Isso se não houver reforma da previdência esse ano. Se for aprovada, achamos que pode chegar a R$ 3, então com certeza a gente mudaria de posição”, afirmou.

Stuhlberger também afirmou o Brasil passa por um ciclo favorável, com quadro externo “muito benigno”, forte queda da inflação e juros abaixo do neutro. “Por conta do ‘hiato’ na economia, a gente vê a possibilidade que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça cerca de 3% talvez por dois a três anos. Ciclicamente, isso é algo que seria possível”, afirmou. Ele lembrou que o governo atual teve um controle de gastos e uma melhora institucional de governança muito grande. “Isso foi uma surpresa muito grande para a gente”, afirmou.

Adam Capital

No relatório gerencial do Adam Macro (link aqui), podemos ver que no segundo semestre de 2017 a gestora deu início a uma estratégia de seleção de ações globais, obtendo resultados positivos nesta alocação até o momento. A gestora explica que o seu processo de seleção de ações é baseado em questões estruturais de médio e longo prazos, como mudanças de hábitos de consumidores e inovações tecnológicas, priorizando empresas com alto grau de diferenciação e propriedade intelectual.

A gestora também busca localizar empresas que estão sujeitas ou podem passar a estar sujeitas a ameaças e riscos para suas operações. Nesse sentido, ressalta os investimentos realizados nas empresas Alphabet (Google), Amazon, Facebook e Apple e a posição “short” realizada na Netflix. Em 2018 os gestores seguem vendo grandes movimentos nos mercados locais e internacionais, os quais podem criar novas oportunidades de investimentos.

Alaska Asset

Luiz Alves Paes de Barros é um dos maiores investidores da bolsa brasileira. Junto com Henrique Bredda e Ney Miyamoto comanda a Alaska Asset Management. De família tradicional paulista, dona de uma das maiores usinas de açúcar do interior de São Paulo na primeira metade do século passado, Alves diz que a fortuna foi perdida porque todos gastavam demais. “Só eu guardava.”

Formado em economia pela USP, durante décadas Alves prezou a reclusão, optando por investir seu patrimônio sozinho e evitando qualquer tipo de exposição pública, eventos do mercado financeiro e especialmente contato com a imprensa. Tornou-se assim uma espécie de lenda viva da bolsa. Isto começou a mudar em 2015, ao criar a Alaska e a necessidade de aparecer para captar recursos de terceiros.

Ele e Henrique Bredda, o gestor de ações do fundo Alaska Black, calculam haver ainda muito espaço para o Ibovespa subir. Alves chega a falar em um Ibovespa de 170 mil pontos em dólar por volta de 2022 ou 2023. Uma valorização de mais de 600% em relação ao nível atual, perto dos 25 mil pontos. Alves vai mais além nas sua projeções e avalia que a taxa de câmbio brasileira está fora do lugar e que a moeda americana deveria valer algo entre R$ 2,40 e R$ 2,60.

Alves diz não dar bola para as incertezas que rondam a cena política brasileira, a sucessão presidencial e o futuro das reformas fiscais. Para ele, nada disso fará diferença. “Qualquer um que ganhe a eleição vai fazer coisas boas. Não tem como piorar”, avalia. “Estamos com uma capacidade ociosa enorme, é o momento da reconstrução. Imagine que o Brasil está fazendo recorde de balança comercial com o preço das commodities lá embaixo”, fundamenta Bredda.

A carteira do Black, diz Bredda, não mudou em nada em relação ao que era em setembro do ano passado, último mês com dados públicos. “Voltamos a Magazine e estamos apostando em Vale, Braskem, Fibria, Marcopolo, Valid, Suzano, Klabin, São Carlos, Aliansce e Sonae Sierra Brasil.” Atualmente, a equipe estuda uma nova empresa “de commodities e envolvida em confusão”. Todas as dicas levam a crer que o alvo é o frigorífico JBS, da família Batista.

Confira a íntegra desta matéria neste link.

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18 comentários em “Carta Mensal aos Cotistas (Janeiro/2018)

  1. REinB Responder

    Grande Uó! O conteúdo da sua carta mensal deve deixar muito “portal de finanças” com vergonha. Informação muito boa, direta e sem bullshit. Serei obrigado a acompanhar mensalmente esse relatório agora haha

    Em relação à economia mundial e ao dólar particularmente, tem muito blogueiro americano pregando cautela com o mercado de ações, principalmente com a aproximação da taxa do tesouro americano chegando perto dos 3%a.a.. Sinceramente não fiz nenhuma análise a respeito disso…. as vezes tenho o “feeling” que nossa bolsa está um pouco cara, as vezes acho que ainda tem espaço pra crescer mais um pouco…. Você acha que nosso mercado está um pouco “descolado” ou está cauteloso com a bolsa também?

    Abraço!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Obrigado Rein!

      Sobre nossa bolsa, acho que está precificando o crescimento econômico que teremos este ano. Mas ela só subirá mais se novas perspectivas interessantes surgirem para 2019 em diante, e isto se traduz no presidente que será eleito. Mão vejo descolamento, mas turbulências poderão surgir, não estamos ainda em céu de brigadeiro, rs.

      Abraço!

  2. Guardião do Mobral Responder

    Muito bom trabalho! Parabéns!! Anda comprando quais FIIs, Uó?

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Fala S. Guarda!
      Aqueles mesmo: PRSV11 e EDGA11, rs

  3. ANDRE R AZEVEDO Responder

    Excelentes informações, Uó! Obrigado por partilhar!

    Concordo com o Cowboy acima: essas pesquisas do DataFolha é apenas para colocar no imaginário público que, se o Lula não fosse condenado, ele seria presidente. Não seria. É só uma tentativa de reescrever a história e transformar o molusco em mártir!

    Abraço!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Pesquisas todas encomendadas, rs.
      Valeu Andre!

  4. Cowboy Investidor Responder

    Olá UÓ,

    Parabéns pelo post. Bem completo. Este mês a bolsa subiu igual a um foguete.

    Sobre a DataFolha, acho uma piada. É cheia de esquerdistas que faz uma “pesquisa” que coloca um cara que é condenado nas pesquisas, que tem o objetivo de jogar a população contra o judiciário. O molusco é bandido e tem que ser preso, nada de ficar colocando esse 9 dedos em pesquisas. Não acredito nessas pesquisas. Tudo mentira.

    Abraços.

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Obrigado Cowboy!
      Realmente estas pesquisas são duvidosas, mas costumam influenciar muita gente, rs.
      Abraço!

    • Ábaco Líquido Autor do postResponder

      Opa, a partir deste ano passo a fazer meu fechamento mensal em separado, lá no blog antigo. Estava ficando meio misturado as coisas nesta carta, rs.
      Valeu.
      Abraço!

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