Qual é o Futuro do Nubank? Roxo ou Negro?

Ontem o mercado ficou em polvorosa depois que começaram surgir reportagens na mídia apontando o fim da startup Nubank. O reboliço surgiu depois que a própria cofundadora da fintech, Cristina Junqueira, afirmou que a redução de 30 para 2 dias de prazo para pagamento das vendas aos lojistas, como estava sendo ventilado em Brasília, representaria o fim do modelo de negócio da empresa.

Muitos usuários do cartão roxinho ficaram indignados. A principal queixa era de que as grandes instituições financeiras estavam criando formas, junto ao governo, para dificultarem a sobrevivência das novas fintechs como a Nubank. O cartão roxinho é muito popular hoje em dia entre os consumidores, em levantamento recente que fiz para o site Web Informado (link aqui), ele ficou na quinta posição seguido pelo Digio.

Natal 960x240.jpg

Entenda o Caso do Fim da Nubank

Conforme foi veiculado por reportagem do portal Exame, a  intenção de mudar o prazo para pagamento das vendas aos lojistas foi oficializada na quinta-feira passada pelo presidente Michel Temer e pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante lançamento do pacote para impulsionar a economia. Atualmente, quando um consumidor paga algo com cartão, o lojista leva 30 dias para receber. Para o governo, o encurtamento do processo favoreceria o varejista e contribuiria para a retomada da atividade.

O problema, segundo a co-fundadora da Nubank, é que a mudança traria um custo adicional para todos os emissores de cartões de crédito, do Nubank aos bancos maiores. A diferença é que o Nubank e os emissores menores não têm a mesma capacidade de financiamento de gigantes como Itaú ou Bradesco. “Atualmente, um cliente que usa o cartão pagará a fatura, em média, 26 dias depois. Assim, o Nubank, como emissor, receberá o dinheiro apenas após este prazo”.

A receita do Nubank vem de um porcentual descontado do valor repassado ao lojista, de aproximadamente 5%. Cerca de 1,5% fica para o Nubank e o restante para a adquirente (como Cielo, Rede e GetNet) e para a bandeira (como Mastercard e Visa). Se o prazo for encurtado para dois dias, alega Cristina, o Nubank terá de pagar o adquirente antes mesmo de receber o pagamento da fatura pelo cliente. Para isso, será preciso pegar recursos no mercado. Mesmo que o prazo fosse reduzido para 15 dias, e não dois, o Nubank não teria como sobreviver.

Com o prazo reduzido para dois dias a empresa fecharia no dia seguinte. Com 15 dias a Nubank precisaria de quase R$ 1 bilhão de capital adicional do dia para a noite.

O Desfecho da História: Nem 2 Nem 15 Dias

Nem 2 dias nem 15 dias. O Banco Central anunciou nesta terça-feira (20) as medidas para melhorar a eficiência do sistema financeiro e tornar o crédito mais barato. Entre as mudanças, não está presente a redução no prazo de repasse do dinheiro de compras feitas no cartão de crédito para lojistas. A notícia foi comemorada pela Nubank, que corria o risco de encerrar as operações se a medida fosse aprovada.

Em vez de reduzir o prazo de repasse para até dois dias como já acontece nos Estados Unidos, o Banco Central vai trabalhar em conjunto com as instituições financeiras para definir como implantar as medidas de forma sustentável, de maneira a não prejudicar a competição no setor. A pressão deve ter sido grande lá no Planalto. O Governo recuou e agora as medidas serão horizontais e não verticais.

Outras medidas que impactam a utilização do cartão de crédito foram anunciadas. Uma delas, que deve entrar em vigor até março de 2017, é a proibição da exclusividade de bandeiras de cartões de crédito. Com a mudança, todas as maquininhas deverão ser compatíveis com todas as bandeiras, o que aumenta a competição no mercado de cartões e beneficia o consumidor.

Além disso, o Banco Central regularizou a diferenciação de preço, permitindo que os comerciantes possam cobrar diferentes valores dependendo do meio de pagamento. Na prática, a medida pode tornar as compras em dinheiro mais baratas e as compras no cartão de crédito mais caras. A autorização será dada por meio de medida provisória que entrará em vigor nos próximos 12 a 24 meses.

O Outro Lado da História: Os Lojistas

Se por um lado a Nubank está agora respirando aliviada (pelo menos por hora), os lojistas não devem ter ficado contentes com o recuo do governo. Foi um balde de água fria, o governo deu o doce para a criança e tirou da boca dela minutos depois. Conforme muito bem pontuado pelo colega Pai Rico no seu post matutino de hoje:

Os lojistas são os principais prejudicados pela regra dos 30 dias. São eles que precisam ter o “mesmo” capital de giro que o banco alega necessitar para que a mudança ocorra. É o mesmo lojista que aceita pagar 5% pelo uso da maquininha, pago ao banco, e que em muitos casos precisa pagar outros 5% para antecipar o repasse dos atuais 30 dias…

A mesma mudança que o Nubank alega causar a necessidade de fechar suas portas, e que é um erro do sistema de crédito brasileiro, irá beneficiar em uma proporção infinitamente maior todo o sistema comercial brasileiro. Sim! Você está defendendo a manutenção de um banco em detrimento de inúmeros estabelecimentos comerciais que se beneficiariam da mudança.

Já parou para pensar a diferença que esse gás extra faria em uma economia do tamanho da brasileira ? Ou está pensando apenas na perda da gratuidade garantida pelo Nubank? Pior… Tem muita gente alegando que a mudança é apenas uma estratégia dos grandes (e opressores) bancos, para impedir o crescimento/surgimento de novos concorrentes neste mercado tão “ruim”

O que a Nubank Disse

Hoje a Nubank veio a público, na sua página no Facebook, se pronunciar sobre os fatos:

Desde ontem vocês devem ter visto notícias circulando nas redes sociais falando do potencial impacto de uma redução drástica no prazo de pagamento aos lojistas. De fato, o assunto é sério: como hoje os clientes pagam as suas faturas em média 26 dias depois de fazer suas compras, essa mudança aumentaria significativamente a necessidade de capital dos emissores de cartão de crédito. Empresas como o Nubank, que não estão associadas a grandes bancos com bilhões em caixa, seriam muito prejudicadas. E mesmo que conseguíssemos acesso a esse volume de recursos, isso colocaria em risco o nosso modelo de negócio, que é baseado em sermos altamente eficientes para não termos que cobrar tarifas ou juros absurdos.

futuro do nubankApesar de entendermos a situação dos lojistas, especialmente no cenário recessivo do país, seria ingênuo imaginar que o custo desse capital não seria facilmente repassado para os próprios lojistas e consumidores através do aumento de outras tarifas e juros. Chega a ser irônico que uma medida com o objetivo de estimular a economia e beneficiar a sociedade possa ter o efeito oposto: o de colocar em risco a concorrência. Temos convicção de que a livre concorrência é a única fonte sustentável de mudanças para atacar as distorções desse mercado: mais competidores no mercado trazem mais alternativas de melhor qualidade e menor custo para consumidores e lojistas.

Por isso foi importante chamar atenção para o que poderia ser o fim do Nubank e de tantas outras fintechs que trazem mudanças tão necessárias para uma indústria tão problemática. Ontem foram publicados mais de 30 artigos em grandes veículos da imprensa e dezenas de milhares de posts nas redes sociais, o que nos fizeram trend mundialmente, mostrando que a continuidade do Nubank de fato preocupa os brasileiros, tão carentes de empresas que tratem seus clientes com respeito e dignidade.

Felizmente, o Banco Central mostrou hoje que não haverá nenhuma mudança abrupta ou unilateral nas regras de pagamento, e que trabalhará com os emissores, adquirentes, bandeiras e fintechs para definir como eventuais medidas podem ser implementadas de maneira sustentável, gradativa e sem prejudicar a competição, tão necessária nesse setor altamente concentrado.

Com essa demonstração de que os nossos reguladores, que têm um papel tão importante para o funcionamento do nosso setor, estão comprometidos com o melhor para a economia e o país, podemos afirmar: o Nubank continua, e veio pra ficar. Apesar de só podermos afirmar se será necessário algum ajuste no nosso modelo de negócios depois da definição de como as mudanças serão implementadas, estamos comprometidos a navegar as mudanças e trabalhar com o Banco Central para garantir que vocês e cada vez mais brasileiros possam se beneficiar de uma experiência 100% digital, eficiente e humana.

O Que eu Digo

O modelo de negócio se mostrou frágil. Com apenas uma canetada do governo a empresa pode evaporar. Como nos investimentos pessoais: diversificar é preciso. Portanto, tenha na carteira mais de um cartão de crédito. Para facilitar a sua vida, elaborei um artigo que apresenta os 10 melhores cartões de crédito sem anuidade da atualidade (link aqui). Não deixe de ler.

Artigos Relacionados

14 thoughts on “Qual é o Futuro do Nubank? Roxo ou Negro?

  1. Anônimo Reply

    NU BANK é ótimo…. tomara que fique e desmore este império bancário que nos furta, na cara de nosso “pai” (governo), e que ainda depõe contra nós.

    • Ábaco Líquido Post author

      Vejo pouca gente falar mal do Nubank, maioria são aqueles que não conseguiram o cartão, rs.

  2. Fino Reply

    A verdade é que o Nubank não serve para grande coisa. Tanto ele como o Banco Original são nenenzinhos que não oferecem nada diferente do que conseguimos no banco do brasil e no Itau. Ou seja, a tendência é a falência mesmo.

    • Fernando do Nascimento

      Discordo amigo. Os cartões sem anuidade do BB oferecem limites baixos e o Itaú sequer tem cartão sem anuidade.
      Com taxas mais baixas, o Nubank incomoda os grandes, sim.
      O aplicativo tbm é o melhor.
      Com certeza tem seu diferencial.
      Essa competição é vital para os consumidores, já que os grandes bancos estão “acomodados” nos juros abusivos.
      É apenas uma opinião pessoal. Abraço

    • Ábaco Líquido Post author

      Eu acho que os cartões digitais como o Nubank vieram para ficar, mas dependendo das medidas a serem adotadas pelo governo no futuro eles (os cartões digitais) terão que rever o modelo de negócio. Para quem gasta menos de 3.000 por mês não vale a pena pagar anuidade.
      Abraço!

  3. Makoto Shimizu Reply

    Prática terrorista que só reforça a imagem de uma república de bananas, aonde o presidenteco de plantão dá uma canetada e mostra que o país não dá garantia alguma aos investidores externos, nem internos, que as regras são claras e estáveis – um episódio vergonhoso que, pelo perfil dos profissionalecos envolvidos, não vai ficar num só capítulo, vão continuar a palhaçada sem graça, desconstruindo a imagem de um país sólido, estável, confiável.

    • Ábaco Líquido Post author

      Realmente as garantias aqui no Brasil são mínimas. Por isto temos poucos investimentos. Vamos torcer para melhorar…

  4. viverdedividendos Reply

    Simples acaba com o crédito e vira tudo débito no nubank

    • Ábaco Líquido Post author

      simples assim…

  5. Pobre Japa Reply

    O governo sinalizou algo que cedo ou tarde irá ocorrer. No meu ponto de vista, entendo os dois lados. O ideal é que tais mudanças (como o prazo de repasse aos lojistas) ocorresse de forma gradual, e não de forma brusca como supostamente foi proposto.

    Eu tenho NuBank mas nem uso. Tenho outras opções (Nubank é a 4ª opção que tenho)…

    Mas que eu senti um dedinho de Lobby, ahh.. não tem bobo no futebol mais e muito menos no mercado financeiro e de crédito.

    Grande Abraço.

    • Ábaco Líquido Post author

      Com certeza teve pressão de todos os lados, e o governo domou a atitude de avaliar melhor a questão.Resta agora esperarmos as cenas dos próximos capítulos.
      Não tenho o Nu, uso outros 4 cartões sem anuidade, quem tem apenas 1 cartão corre perigo.
      Abraço!

  6. Fernando Reply

    Medidas econômicas sempre prejudicam algum grupo, mesmo que sejam medidas positivas a toda economia. Nesse caso, a medida era benéfica à economia. Mas iam xingar o governo. Enfim, esse risco é o risco de um negócio aqui no país, todo empresário passa por isso, só que eles não têm a mídia do Nubank.
    Seria equivalente a abrir o país pra empresas estrangeiras, outra medida benéfica, mas os empresários da Fiesp iam chorar. Segue o jogo.

    • Ábaco Líquido Post author

      Realmente nunca foi possível agradar a Grécia e a Troia ao mesmo tempo. Segue o game…
      Abraço!

Comente...