Frugalidade Simples

Palavras-chave: solução de dívidas

Vivemos uma época em que cada vez mais pessoas procuram compensar as frustrações da vida com práticas de consumo desmedido. Notamos uma inversão de valores na medida em que as pessoas deixam de possuir os bens e estes mesmos bens passam a possuir as pessoas. A busca incessante pela felicidade acaba cegando os indivíduos que passam a ver nas coisas materiais e no seu consumo excessivo a graça da vida. Vemos então o crescimento de famílias afogadas em dificuldades financeiras sem solução para sua dívidas.

frugalidade

Neste contexto de inversão de valores, uma prática que vem ganhando cada dia mais adeptos pode ser o melhor caminho para as pessoas que perderam o real sentido da vida. O nome por trás desda prática é Frugalidade. Neste post discutiremos um pouquinho sobre este tema que, apesar de ser antigo, está cada vez mais atual. Antes disto vamos apresentar um colega blogueiro que usou justamente este termo para dar nome ao seu blog.

Frugal Simple

O último post do mês sempre é dedicado a um colega da blogosfera. No mês passado destacamos o blogueiro Valores Reais e neste mês o blogueiro de destaque é nosso colega Frugal Simple. O critério que utilizo para escolher um blogueiro para menção aqui no meu blog é a sua contribuição para a blogosfera e neste quesito o Frugal tem feito muito. Com postagens frequentes e relacionadas a diversos temas como qualidade de vida, investimentos, economia, política, carreira e até mesmo culinária rs, o Frugal sempre está nos presenteando com um novo tema pertinente ao nosso dia a dia. Abaixo um pouco da vida deste nosso pitoresco colega…

Vim de uma família pobre, meus pais nem mesmo concluíram o primeiro grau, mesmo assim como muito trabalho e empenho consegui estudar alguns anos numas escolares particulares de bairro, dessas bem simples mesmo só com filho de pobre, parte do primeiro grau em escola pública, parte do segundo grau em escola pública, e parte numa particular, com a ajuda de bolsas pois eu era um bom atleta e tirava notas boas.

Cresci num bairro de periferia desses das capitais nordestinas, onde a gente se divertia jogando bola nas ruas de areia e brincando com bolas de gude, pipa, peão, queimada e várias outras brincadeiras de criança. Diversão era pegar um busão no fim de semana com 5 reais no bolso e passar o dia na praia só bebendo água e comendo picolé pra matar a fome, as vezes a gente ia até de bicicleta e era o máximo, dias felizes a 5 reais. 

Apesar de minha infância ser pobre, fui uma criança feliz, minha infância foi bem barata e não tenho nada a reclamar por isso, muito pelo contrário. Eu e meus dois irmãos sempre gostamos muito de estudar, não por incentivo dos pais, talvez da escola, talvez foi uma coisa genuína, não sei bem porque eu me sentia orgulhoso em tirar boas notas e ser um bom aluno, não sei como é que se explica isso, acho que simplesmente acontece.

  • O que você tem, o que você faz, o que você é
    Posted by Frugal Simple on 04/12/2016 at 15:03

    Existem essas três coisas na nossa vida que têm que ser explicadas e separadas. É um erro misturar as três coisas e achar que são a mesma coisa quando na verdade não são. Algumas pessoas passam a se definir pelo que fazem ou pelo que tem, e não […]

  • Fechamento Nov/16 R$ 986.121,00 (+4,49%) ou U$ 290,891
    Posted by Frugal Simple on 29/11/2016 at 14:36

    Hoje a musa do blog vai dar um descanso. Que notícia triste essa do chapecoense viu… Fechei o feed do facebook para não ficar vendo mais pois eu fiquei realmente emocionado com essa tragédia. Muita força para os familiares e para os torcedores do clube. Vale […]

  • Torne-se um investidor global
    Posted by Frugal Simple on 24/11/2016 at 23:23

    Vou explicar resumidamente e detalhadamente porque você deve se tornar um investidor global. Vou mostrar a importância, a segurança, a independência e a liberdade que isso vai lhe proporcionar. Eu tinha feito um post há algum tempo mostrando um pouco do mercado […]

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Vários amigos meus de infância se perderam por aí, alguns morreram assassinados, outros foram presos roubando carro e som de carro, outros engravidaram cedo as namoradas e ficaram sem concluir o segundo grau, outros ficaram trabalhando de peão pra sempre, outros fizeram faculdade e até estão empregados como professores e ou trabalhando no comércio, etc… fico feliz com o sucesso dos meus amigos e ainda mantenho contato com alguns deles.

Meus pais se separaram na minha infância, foi muito foda, o padrão de vida que já era ruim desabou, eu e meus irmãos sofremos muito, meu pai deixou minha mãe com três filhos pequenos completamente na mão e ela ganhava talvez um salário mínimo e ele nem ajudava a gente a contento, era um dinheiro de nada, só ajudava a comprar a comida e olhe olhe… Ainda conseguimos escapar alguns anos da escola pública por bolsa, e apenas eu me fui na escola pública, que nem era tão ruim assim, e como eu tinha ritmo de estudo consegui continuar seguindo firme nos estudos, mesmo sem saber o que vinha pela frente.

Passei no vestibular num curso da área da saúde e me formar numa universidade federal, eu não tinha escolha, ou passava ou ia trabalhar de peão no comércio, minha família não ia ter dinheiro nem pra pagar o pior cursinho, estudei com livro velho, usado e riscado que comprei no centro da cidade nessas lojas de livros usados que se chamam “sebos”.

Frugalidade

Já vi por aí diversos significados para o termo frugalidade. É uma daquelas palavras que cada um entende de um jeito, geralmente o que mais lhe convém. Para a Wikipédia a frugalidade é a qualidade de ser frugal (óbvio, rs), poupador, econômico, prudente no uso dos recursos de consumo como alimentos, tempo ou dinheiro, evitando desperdício, esbanjamento e extravagância.

Para o site Significados, frugal é um adjetivo que qualifica aquele que é comedido, simples e modesto. Em outro contexto, pode fazer referência também a prática de aquisição de bens e serviços de forma comedida, ou que usa ou possui bens e serviços econômicos para alcançar um objetivo de longo prazo.

Consultando o Dicionário de Etimologia Online obtemos:

frugal (adj.) “economical in use,” 1590s, from Middle French frugal, from Latin frugalis, from undeclined adjective frugi “useful, proper, worthy, honest; temperate, economical,” originally dative of frux (plural fruges) “fruit, produce,” figuratively “value, result, success,” related to fructus (see fruit), from PIE *bhrug- “agricultural produce,” also “to enjoy.” Sense evolved in Latin from “useful” to “profitable” to “economical.” Related: Frugally.

Traduzindo, frugal é um adjetivo que significa “uso econômico”. Vem do latin frugalis e frugi (útil, apropriado, merecido, justo, moderado, econômico). Associado também a frux (plural de fruges) que significa “fruto” e em sentido figurado valor, resultado e sucesso. Outros significados correlatos: proveitoso, benéfico.

Enfim, vou tentar simplificar a coisa e definir frugalidade de uma maneira bem objetiva: ser frugal é usufruir dos seus frutos (aquilo que você alcança na vida) e dos seus talentos ou dons (aquilo que lhe foi dado) da forma mais proveitosa (econômica, benéfica e apropriada) possível.

Veja que os termos centrais são usufruir apropriadamente e que os termos secundários são merecido e justo. Em outras palavras, é merecido e justo que você usufrua de tudo que lhe é dado bem como de tudo que você alcança na vida, mas que este “usufruto” seja feito de forma apropriada e proveitosa.

Solução de Dívidas

Segundo pesquisa recente da Confederação Nacional do Comércio, o total de famílias brasileiras endividadas em setembro de 2016 atingiu 58,2%. Destas famílias, 9,6% não tem condições de honrar as dívidas com cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestações de carro, etc.

No cenário de recessão atual, as altas taxas de juros e o aumento do desemprego ampliaram o percentual de famílias inadimplentes e com contas em atraso. De qualquer forma, o percentual atual já é menor do que de setembro do ano passado quanto o total de famílias endividadas atingiu 63,5%. Esta diminuição pode ser explicada pela retração do consumo nos últimos 12 meses.

Não tenho os dados detalhados e sei que cada família tem uma realidade. Mas atrevo-me a dizer que grande parte destas famílias estão afogadas em dívidas pelo simples motivo do consumo exagerado ou mesmo equivocado. Exagerado é quando a pessoa sabe que aquele gasto é desnecessário e mesmo assim o executa. Equivocado é quando a pessoa nem sabe para onde o dinheiro está indo por falta do hábito de registrar as receitas e despesas (hábito saudável que considero fundamental para qualquer indivíduo em idade economicamente ativa).

solução de dívidas

Existe um certo conflito na prática de “possuir” as coisas. Qual seria o limite aceitável ou saudável no hábito de consumir e acumular? Dinheiro compra felicidade? Quem tem escassez de recursos pode, mesmo assim, ser feliz? Preciso me endividar para obter algo que não posso ter?

Não irei entrar no mérito destas questões pois o post está ficando longo e o assunto é amplo, mas vou citar um filósofo – que não me lembro o nome agora – que disse mais o menos assim: não há mal em possuir bens ou dinheiro, que seja em pequena ou larga escala, são nada mais do que frutos do seu trabalho ou presentes que lhe foram dados, mas você sempre deverá ter em mente que você os possui e não o contrário. O segredo de uma vida equilibrada está na harmonia entre pessoas e na relação destas com coisas materiais.

A teoria é muito bonita, tenho ciência de que somos seres-humanos e que os conflitos internos são constantes e permanentes. Ninguém nunca atingirá o equilíbrio pleno. Mas minimizar os desequilíbrios é factível, e procurar levar uma vida baseada em conceitos frugais pode ser uma boa escolha. Pense a respeito.

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18 comentários sobre “Frugalidade Simples

  • Grande Uó (não consigo ainda te chamar de Abacus… foi mal)

    Estar endividado é uma constante no mundo. Dificilmente alguém consegue realmente pagar TUDO à vista, a ponto de não ter prestação, principalmente com compras de valores altos, como carros ou a casa própria. Ou seja, praticamente todos são endividados, porque tem dívidas.

    Para efeito de análise do impacto da dívida na vida da pessoa e, principalmente, na sua tranquilidade, acredito que aqueles que não conseguem honrar sua dívida dão um dado mais fidedigno.

    Independentemente de definição, fato é que o impulso de comprar, de ter, adquiriu uma força muito grande nos dias de hoje. Depois que as pessoas começaram a poder comprar em 10 vezes ou mais, virou uma bola de neve.

    Eu sinceramente acredito que a frugalidade está diretamente ligada á capacidade de ter apenas o necessário, o que te faz feliz, mas que não precisa preencher um suposto “vazio”. Normalmente essa dor relacionada ao vazio nunca é preenchida. É como consumo de drogas. A cada novo uso, aumenta a necessidade.

    Felizes aqueles que valorizam mais o ser que o ter. Por força da profissão eu acredito que qualquer um consegue fazê-lo. Apenas precisa descobrir quais são as crenças que estão limitando e planejar uma saída. construindo esse caminho, aos poucos, já dá a sensação de que está saindo desse vazio. O processo de conseguir construir fortalece mais que o objetivo final alcançado.

    Grande abraço

    Robson

    • Opa Robson!

      Fique a vontade para me chamar de Uó, ou de Alexandre, ou de ábaco, rs.

      Concordo como tudo que você falou, eu por exemplo tenho faturas de cartão de crédito a pagar e prestações de carro até metade do ano que vem. Poderia até ter comprado o carro à vista, mas ao fazer as contas vi que não seria vantagem, paguei só metade e o resto comprei tudo de FII no ano passado, rs. Aí vc imagina a bela valorização que tive.

      Em suma, são dívidas que tem “lastro”. O grande problema é quando o cidadão entra num financiamento e não pode ficar um mês sequer sem receber salário que a casa cai. Eu por exemplo sou micro-empresário e já fiquei 15 meses recebendo só pro-labore (algo menos de um salário mínimo), imagina se não tivesse lastro nas minhas contas a pagar?

      Bom, cabe uma reflexão de qual tipo de dívida é mais saudável, como tudo na vida, nada é totalmente regra, tem que se analisar os pormenores.

      Abraço!

  • Buenas, Uó! Aproveitando sua resposta ao comentário do ‘vivierderenda’, e já vi vários especialistas dizerem que endividado é quem tem dívidas, independente se irão honrá-las ou não, até porque gramaticalmente (olha que chique!), se tem dívida, está endividado.
    Entretanto, eu concordo com seu ponto de vista, onde endividado é quem não tem capacidade financeira de honrar as dívidas, senão todos que tem filhos seriam endividados, uma vez que educação é paga mensalmente – e longuíssimo prazo.
    Gostei da citação filosófica e vou contribuir com uma (acho que de Schopenhauer) “o ser humano não é feliz porque sempre coloca a felicidade onde não está”. Não precisamos ser acomodados, mas também devemos viver um pouco as conquistas que já alcançamos.
    Abraço!

    • Olá IPV!
      Obrigado pela contribuição.
      Sobre felicidade, acredito que o grande erro do ser humano é colocá-la como fim. Sabe, aquela viagem que você fica querendo chegar no destino e não curte o caminho? A felicidade está no percurso e não no ponto final da viagem.
      Grande abraço!

  • O blog do fruga é muito bom e o seu cada dia mais vem tornando um novo rosto.

    Continue firme e forte.

  • Grande Uó ou Ábaco,

    Muito obrigado pela singela homenagem. Fico muito feliz em ser citado por uma pessoa tão estimada como você. Foi através de blogs como o seu, o do Soul, o do Rover, o do Viver de Renda e o do Viver de Dividendos.org que entrei também na blogosfera para dar a minha contribuição. Acredito que cada um com seu mundo interior, suas leituras e sua história pessoal possa contribuir um pouco e quem sabe ajudar a melhorar a vida de outras pessoas, seja pelo exemplo, seja pelo conhecimento ou simplesmente pela vontade, pelo trabalho e pela esperança em dias melhores ou num futuro mais tranquilo.

    Colocar um pouco de nossa história de vida também pode inspirar outras pessoas a buscar o seu melhor e saber que não precisam de muita coisa material para prosperar, e que a felicidade e a realização são muito mais do que isso, e que a alegria da vida também está na estrada e não apenas no destino final. Pessoas comuns podem viver plenamente.

    E como eu falei: A infância é uma dádiva.

    Grande abraço,
    Frugal.

  • Uó, muitos bons pontos!

    Estou acabando de ler o último livro do Pondé, e estou planejando em escrever algo sobre um tópico muito interessante do livro que tem tudo a ver com o que você escreveu.

    Ele diz a certa altura que a ética grega buscava a tranquilidade da alma, a paz, e que as paixões e desejos eram tormentos. Logo, o prazer era exatamente o contrário que vemos hoje no mundo atual: era a ausência de desejos e paixões. O desejo insatisfeito implica escravidão. Mas é necessário para alimentar a sociedade do consumo.

    Ao invés de ética, nossa sociedade é estética, no sentido de ser movida a sensações, muitas vezes efêmeras…

    Será que é por isso que gosto tanto do budismo zen rsrs?

    Abraço!

    • Qual é o livro André?!

      Poste sim a respeito, vamos discutir, gosto muito de temas sobre psicologa.

      Sobre paixões e desejos: são sentimentos que movem a vida. Claro, nos atormentam, mas imagine como seria a vida sem desejos como estes? Buscar a tranquilidade e a paz da alma são atitudes sabeis, mas penso que não devemos nunca ceifar nossos desejos e paixões, precisamos apenas procurar avaliar racionalmente o que nos é prejudicial e o que nos é saudável. Falar é fácil né?! rs, imagino que o Pondé foi bem mais profundo nestes conceitos, estou apenas divagando.

      Ah sim, a sociedade está cada vez mais estética, exemplo: nos tempos de hoje uma viagem só se torna completa quando o indivíduo posta as fotos no Facebook. O que adianta ir a Paris se não tirou a foto na frente da Torre para colocar no album?! E quanto mais sorriso melhor, já viu alguém postar uma foto triste no Facebook? Tá todo mundo feliz o tempo todo, rs…

      Abraço!

      • Uó, o livro é Filosofia para Corajosos. Tem uns trechos muito bons, outros nem tanto, mas vale a pena ler!

        Mudando de assunto: não sei se é um problema meu aqui ou do WordPress, mas não recebi sua resposta no meu email, apesar de ter assinado o post. Antes, eu recebia um email para confirmar a assinatura e não recebo mais…

        Abraço!

  • Uó,

    Acho essa pesquisa meio tendenciosa. Eu mesmo poderia ser considerado uma “família endividada”, já que tenho compras parceladas no cartão de crédito. Um dado mais interessante seria o de famílias com contas em atraso, percentual que chega a +-20%, altíssimo mas menos assustador que os 60% anunciados.

    • Olá Viver, acabou que a reportagem é que ficou tendenciosa e não a pesquisa em si que é bem detalhada e clara, veja na íntegra…

      http://www.cnc.org.br/sites/default/files/arquivos/analise_peic_setembro_2016.pdf

      O percentual de famílias com contas em atraso é de 24,6% segundo a pesquisa e 9,6% não terão condições de pagar.

      “O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,3% das famílias endividadas, seguido de carnês, por 14,8%, e, em terceiro, de financiamento de carro, por 10,9%. No grupo de famílias com renda até dez salários mínimos, cartão de crédito, por 77,6%, carnês, por 15,9%, e crédito pessoal, por 9,6%, foram os principais tipos de dívida apontados. Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, os principais tipos de dívida apontados em setembro de 2016 foram: cartão de crédito, por 70,7%, financiamento de carro, por 22,4%, e financiamento de casa, por 16,0%.”

      Eu particularmente considero uma família “endividada” aquela que não tem recursos disponíveis para honrar as contas e dívidas. Comprar por exemplo no cartão de crédito tendo o dinheiro disponível no banco para mim não é se endividar. Mas concordo com você, estas reportagens e pesquisas podem ser mas claras para o leitor.

      Abraço!

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