Preço do Prisma 2015

Em meados do ano passado realizei a compra de um Chevrolet Prisma 2015 Zero Km. Irei mostrar aqui como foi o processo de negociação, dando algumas dicas para o consumidor em relação à compra de um automóvel novo, além de demonstrar como é a composição de preços de um veículo hoje no Brasil.

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As negociações para compra do automóvel não foram fáceis. Imaginava que teria poder de barganha face à crise atual do mercado automobilístico mas os vendedores são bem intransigentes. Ainda tive que lidar com o aumento do IPI durante a fase de negociações que elevou os preços em 4% em média.

Durante o processo de negociação, percebi que a proposta inicial de pagamento à vista dificultava as conversas. Verifiquei que não adianta entrar na loja e pedir desconto porque vai pagar à vista. A lógica do negócio é ao contrário: é muito mais fácil conseguir um desconto pagando financiado do que pagando à vista. E se você fizer um bom investimento com a parte do dinheiro que deixará de pagar à vista verá que pode compensas financiar se a taxa de financiamento for “zero”.

 

Outro ponto que percebi durante as negociações é que você só conseguirá um bom desconto se já tiver uma proposta de outra loja. Foi desta forma que consegui ir abaixando o preço, jogando um preço contra o outro. O carro que inicialmente estavam me ofertando por 49.000 acabou saindo por 44.000. Considerando o emplacamento o valor total foi de 44.500. Pela FIPE de hoje este carro está sendo cotado em R$ 47.000.

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As fotos de cima são da versão top de linha (LTZ) que vem com rodas de liga e retrovisores elétricos. Porém comprei a versão LT que é em média R$ 5.000 mais barata que a versão Top. O grande volume do porta-malas (500 litros) foi fator fundamental na escolha deste automóvel. Optei também por não levar a versão com sistema multi-mídia que eleva o valor do carro em R$ 1.500.

Dicas para Negociação de um Automóvel Novo

dicas negociacao carro1 – Entre na revendedora com um preço de desistência em mente. Se o revendedor oferecer menos que esse valor, você sabe que deve virar as costas e sair andando. Se você for comprar acompanhado, certifique-se que os dois estão sintonizados. Quando um levanta para caminhar, o outro levanta junto. Você não quer que um negocie e o outro chegue e diga impulsivamente “vamos levar”!

2 – A maioria dos revendedores trabalham com uma margem de lucro de 20% no preço anunciado. Isso significa que eles pedem 20% a mais em relação ao valor que pagaram. Então ofereça 15% abaixo do valor pedido. Diga ao vendedor que você sabe que há uma margem de 20% no preço e acha justo que ele tenha algum lucro, mas não quer que seja à sua custa.

3 – Depois feche a boca. Apenas olhe para o vendedor e espere que ele fale. Não gagueje ou fique nervoso. Isso só serve para mostrar ao vendedor que você não está seguro sobre a oferta que acabou de fazer.

4 – Você pode fazer uma oferta agressiva. O vendedor irá pedir um tempo para conversar com o gerente. Lembre-se, ele fará você sentir que está sugando a loja e está fazendo o que pode para baixar o preço. Não se sinta culpado. São negócios. Você quer comprar um carro; ele quer vender. Se ele não gostar de sua oferta, não aceitará. Não há dano algum.

5 – Se ele responder com um preço maior, ofereça 10% abaixo do preço pedido. Se ele fizer uma contra-oferta novamente, diga a ele que você marcou com outra revendedora para ver o mesmo modelo e saia andando. Antes de sair, dê a ele seu telefone e peça para ligar caso mude de ideia. Ele provavelmente ligará. Lucro é lucro, não importa quão magro seja.

6 – Se você estiver comprando um usado em uma revendedora, eles tentarão de empurrar vários serviços como polimento, transferência ou seguro. Diga não. Normalmente sai mais barato fazer por conta própria.

7 – Diga ao vendedor e ao gerente de vendas que você vai assinar a compra no momento em que eles atingirem o preço que você estipulou. Educadamente recuse qualquer contra-oferta, forneça-lhes seu número de telefone e vá embora. Se o preço que você propõe está dentro do realidade, eles vão chamá-lo em algum momento.

8 – Ligue no sábado ou domingo uma hora antes do horário de fechamento da loja. Peça para falar com o vendedor ou o gerente que você conversou previamente. Lembre-os que você comprará quando eles chegarem no seu preço, mas que eles não devem perder tempo se não conseguiram chegar na sua proposta.

9 – Se sua oferta for possível, a oportunidade de fazer mais um negócio antes do final do dia pode fazê-los aceitar sua proposta. Especialmente se eles estiverem tendo um mau fim de semana.

10 – Ligue no último dia do mês. Mais uma vez, os vendedores e gerentes muitas vezes estão sob pressão para encontrar mais um negócio antes do mês acabar e conseguir cumprir a meta. Uma proposta que não fazia sentido no dia 25 pode ser aceita no dia 31, se a meta de vendas ainda não foi atingida.



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11 – Ligue nos dias com tempo ruim. Um dia chuvoso pode afetar drasticamente as vendas de automóveis. Ligue e lembre o vendedor ou o gerente que você ficará muito feliz de assinar o cheque se eles chegarem no seu preço. Mais uma vez, o fato de que eles não estão vendendo carros nesse dia pode levá-los a aceitar sua proposta.

12 – Repita o processo com outras lojas. Faça o mesmo processo ao mesmo tempo com outras concessionárias de sua área. Certifique-se de que eles têm o carro que você quer, e, em seguida, faça sua oferta.

13 – Saiba se o preço vale a pena. Se você está comprando um carro novo, os valores sugeridos pelas fábricas são indicadores razoavelmente precisos, então trabalhe com um desconto entre 2,5% e 7,5% sobre o preço sugerido. Se você estiver comprando um carro usado, adote o valor da Tabela Fipe para o carro e aplique um desconto de 15%.

14 – Esses preços são bastante agressivos, e supondo que você tem tempo e está disposto a gastá-lo no telefone, muitas vezes você pode encontrar um concessionário disposto lhe vender o carro abaixo do preço de mercado.

15 -Sempre se comporte com educação. Usar expressões como “é pegar ou largar”, ou adotar a estratégia de “ameaçar sair andando” não vão lhe ajudar a atingir seu objetivo. Em geral, é má ideia esse tipo de atitude.

16 – Existem uma série de coisas ruins em trabalhar em uma loja de carros, mas nada é tão ruim como ser tratado (a) como lixo por um cliente. Apesar de os funcionários das concessionárias aprenderem técnicas para “ganhar o cliente” – leva algo entre um ou dois minutos para obter de um estranho um sorriso ou uma risada -, isso é sempre emocionalmente desgastante.

17 – Portanto, quando um cliente começa a ditar regras e fazer ameaças, a maioria dos vendedores e gerentes de vendas irá responder de forma agressiva. É da natureza humana. Dessa forma, ao agir assim, ao invés de avançar no seu objetivo de comprar no preço desejado, você será solicitado a aguardar o gerente de vendas terminar sua longa ligação telefônica.

18 – É importante ser agradável e respeitoso com todos que estão fazendo negócios com você. Se você é uma pessoa realmente legal, um vendedor ficará muito mais propenso a fazer algo incomum para você (como vender um carro por um valor abaixo do mercado) do que para um idiota qualquer.

19 – As dicas fundamentais são: 1 – tenha tempo disponível para negociação, não queria comprar um carro para ontem (se puder comece as negociações pelo menos uns três meses antes da data desejada para a aquisição) 2 – tenha disponibilidade para visitar vária lojas, quanto mais opções de negociação melhor pois você poderá barganhar entre as lojas. 3 – seja flexível quanto a opções de negociação como comprar a vista ou financiar mas esteja certo da marca e do modelo que quer comprar pois o vendedor poderá trabalhar em cima de uma possível indecisão sua.

Carga Tributária

Como pode ser comprovado na nota fiscal mostrada abaixo, do valor total de 44.500 o governo está abocanhando 15.317, ou seja, cerca de 34% do valor pago.

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impostos carros“Essa carga é altíssima. Você não encontra nenhum lugar do mundo onde se aplique carga tão alta. Os países emergentes aplicam metade disso”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral.

Segundo Amaral, na Argentina a carga tributária acumulada é de cerca de 24%. “Isso porque agora aumentou um pouco, mas já foi de 20%”, observa. Nos EUA, a cobrança de impostos também chega a 24% do preço final, na Europa é 30% e na Índia e China, cerca de 20%.

E quem paga por tanta cobrança é o consumidor, que arca também com os impostos que se somam ao longo da produção, como os tributos sobre insumos, folha de pagamento, lucro etc. “Se for levar em conta a carga tributária real, o valor é ainda mais alto. Se o veículo custa 100 e a carga tributária 40, o custo do veículo é 60. A carga sobre o custo é de 67%”, explica Amaral.

Sopa (Cara) de Letrinhas

ipi governo carroSegundo dados do IBPT, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é maior vilão. Ele incide sobre o valor de custo do carro, é estadual e arrecadatório, o que significa que não tem destinação específica a não ser os cofres dos Estados.

Já o IPI (Imposto sobre Produtos industrializados) é um imposto federal, ou seja, somente a União pode instituí-lo ou modificá-lo. Também pesa de forma significativa na tributação como pode ser visto no infográfico abaixo. A principal função do IPI é extrafiscal, embora ele possa ser utilizado como um imposto seletivo: para estimular o consumo de um produto, o governo pode isentá-lo do IPI ou reduzir significativamente sua alíquota.

Inversamente, produtos cujo consumo o governo queira frear (caso do cigarro, bebidas e produtos de luxo, por exemplo) estão sujeitos a alíquotas proibitivas. Como as alíquotas de IPI são fixadas pelo Poder Executivo, ele também é utilizado ostensivamente pelo Governo Federal para fazer política econômica com montadoras de automóveis.

A COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) serve para financiar o INSS que paga benefícios como aposentadorias e seguro-desemprego. A mordida dessa taxa é de 7,6%. O PIS (Programa de Integração Social) pega ainda 1,65% sobre o preço de custo do carro e para pagar abonos salariais a profissionais para quem recebe salário mínimo.

No total, 33,81% do preço final de um carro 1.0 é representado por impostos, número que chega a 38,7% no caso dos carros com propulsor maior. Além das taxas na compra, o consumidor paga mais três anualmente, referentes à manutenção do veículo: IPVA, taxa de licenciamento e o DPVAT.

O IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), assim como o ICMS, é estadual e não há lei que defina que sua arrecadação vá para a conservação de estradas ou outros serviços relacionados. Cada Estado define uma alíquota. O valor cobrado varia de estado para estado e é calculado sobre o valor do carro na tabela FIPE. Os estados que cobram mais caro são São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde o valor corresponde a 4% sobre o valor da tabela FIPE. Entre os estados que cobram menos estão Acre, Tocantins, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Santa Catarina, todos com 2%.

O DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores) é um seguro obrigatório instituído no Brasil em 1974 para a cobertura de danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não (incluindo motorista, passageiro ou pedestre), com a finalidade de amparar as vítimas de acidentes de trânsito em todo o território nacional brasileiro, não importando de quem seja a culpa dos acidentes. No caso dos carros, custa atualmente R$ 105,65.

Já o licenciamento é uma taxa para a renovação do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo). Ou seja, você paga para renovar o documento do seu carro. A taxa é federal, controlada pelo Detran, com valor fixo e reajustado anualmente. Em 2015, seu valor é de R$ 77,60.

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Custo Brasil

Os impostos no Brasil são mais altos do que nos países onde estão instaladas as matrizes das montadoras. No entanto, a diferença de preços é maior do que a da tributação. Especialistas dividem-se sobre qual seria o outro fator, além dos impostos, que explicaria o alto preço dos automóveis no Brasil. Uns culpam o “custo Brasil” e outros o “lucro Brasil”. A dúvida existem porque não se conhece a margem de lucro das montadoras.

A Volkswagen afirma que matérias-primas como aço e plástico custam de 30% a 40% a mais no Brasil do que em outros países. A empresa diz também que o custo da mão de obra no país está entre os mais elevados no mundo. Outras questões como infraestrutura deficiente e baixa produtividade do trabalhador brasileiro são apontadas.

No entanto, especialistas dizem que a postura das montadoras de não divulgarem os custos de produção apontam que as margens de lucro no Brasil possam ser muito superiores do que nos países desenvolvidos. Apontam também que a mão de obra no Brasil é mais barata do que na Europa e nos EUA.



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8 comentários sobre “Prisma 2015 – Preço

  • Olá Uó!

    Muito legal o post. Há um tempo atrás acabei seguindo umas dicas suas sem querer rsrs. Fui a uma agencia para trocar de carro já sabendo o quanto o mercado paga no meu (cerca de 30% abaixo da fipe). O modelo que escolhi estava 20% acima da FIPE. Fiz a proposta de que ficaria com o carro se baixassem 40%. No dia disseram que era irreal, impossível e tal. Agradeci e fui embora. No dia seguinte, o vendedor me contatou, perguntando se estava interessando ainda no carro. Disse que se atendessem a minha proposta, que sim. Ele então desligou o telefone. Mais tarde, quase no final do expediente dele, voltou a me ligar e disse se poderia passar a proposta adiante. Como a minha intenção não era comprar, e sim ver como me sairia na negociação, agradeci o vendedor e recusei a compra.

    Realmente funciona! E como agi com educação, o vendedor agradeceu a preferência e mais tarde (um mês após +-) Me ofereceu outro carro…

    Agora estou usando essas técnicas para obter um financiamento imobiliário, vamos ver o que dá! rsrs

    Abraços!

    • Rapaz, funciona sim. O grande aliado de todo consumidor é o tempo disponível. Se quer comprar um carro em julho então comece negociar em janeiro, rs. Apressado sempre come cru.

      Grande abraço!

  • Caraca Uó, ou seria Abacus, enfim… quantas dicas excelentes também hein!
    Não tem jeito “comprara bem” sempre custa tempo.
    Querer ganhar muito tempo na hora da compra, certamente custará muitas horas de trabalho para pagar a diferença do preço!

    Abc

  • No meu caso, comprei um carro 0km em 2011. Passados quase 6 anos com ele e rodados 100mil km, decidi trocá-lo. Descobri que o de acordo com a tabela FIPE, só vale 60% do valor que paguei, como ainda há um deságio no valor, conforme já apontou, caso eu consiga vendê-lo para particular, talvez consiga um boa venda por volta de 50 a 55% do valor.
    Ao procurar as revendas e dando o carro em parte do negócio, a desvalorização é enorme. Não obstante, os valores cobrados (custo Brasil), beiram a insanidade. Acabei desistindo da troca, pois os custos pós compra são imensos (revisão, IPVA, seguro). Agora, levei o carro para a própria CCS da marca do veículo e fiz uma revisão geral, substituindo o que for necessário. Como sou o primeiro dono, o carro está impecável e depois dessa revisão, espero rodar por mais 5/6 anos ou chegar aos 200mil km para pensar em uma possível troca de carro.
    Forte Abraço.

    • Realmente ICR, a desvalorização de um usado é enorme, o ideal seria vender para algum membro da família, assim o “lucro” da loja ficaria com seu familar ou com você mesmo. Tem gente que gosta de trocar de carro quando atinge 60.000, mas taxista por exemplo roda mais de 200.000. Vai depender de quanto quer pagar pelo ‘luxo’ da troca.

      Grande abraço!

  • Parabéns pela aquisição. Muito bem explicado o post. Apesar de ser um passivo que requer muitos gastos, chega uma hora em nossas vidas que torna-se necessário.
    Quando você diz que o valor dos carros se baseiam pelas montadoras, há diferenças de preços entre os Estados? E, quanto ao IPVA, há restrição em adquirir o veículo em um Estado que cobra 2% e posteriormente, ficar circulando em outro Estado? Por exemplo, moro no DF, onde o IPVA para carro 0 é isento no primeiro ano e nos próximos 3 anos, é de 4%, passado esse período, cai para 3,5%. Caso em em adquira o mesmo carro em Tocantins e por lá faça o emplacamento, há legislação que exija a transferência?

    • Opa ICR,

      Há diferenças entre estados sim, por exemplo, o custo de um automóvel Chevrolet produzido em São Paulo é maior do que o produzido no sul, não só por causa de tributos, mas até mesmo por questões salariais dos empregados. De qualquer forma a montadora não costuma produzir o mesmo carro em mais de uma cidade diferente, então o preço de fábrica de um modelo não varia.

      Sobre a questão do IPVA, entendo que vc deve pagar seguindo a legislação do estado que reside, mas não posso te dar maiores informações pois nunca passei por esta situação.

      Grande abraço!

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