Brasil Rio 2016 e Quadro de Medalhas de Todas as Olimpíadas

Como foi o desempenho do Brasil em todos os jogos olímpicos disputados até hoje? Qual será o legado desta Olimpíada para o Rio e para o Brasil? Qual foi a Olimpíada de maior sucesso até hoje para as cidade-sede em termos econômicos? Estas e outras questões em torno do tema Olímpico serão debatidas neste post, fique à vontade par opinar.

olimpiadas rio 2016As Olimpíadas Rio 2016 ainda não terminaram pois teremos a realização dos Jogos Paralímpicos no próximo mês mas já podemos tirar algumas conclusões do desempenho do país nesta edição, tanto no sentido da organização do evento quanto no sentido de conquistas de medalhas.

A meta do COB (Comitê Olímpico do Brasil) era terminar os Jogos do Rio de Janeiro entre os dez primeiros no quadro geral de medalhas, considerando o critério do total de medalhas, independentemente da cor de cada uma.

O Brasil acabou ficando na posição 11 conquistando 19 medalhas no total, sendo 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze. Para atingir a meta do COB, deveríamos ter conquistado mais 3 medalhas ficando à frente do Canadá que obteve 22 medalhas.

Porém, se formos considerar o critério oficial de classificação, o Brasil ficou na posição 13 com 7 medalhas de ouro e o Canadá na posição 20 com 4 medalhas de ouro.

Quadro de Medalhas Rio 2016

quadro medalhas rio 2016

A figura ao lado apresenta o quadro de medalhas final das Olimpíadas Rio 2016 de acordo com a classificação oficial que leva em consideração o número de medalhas de ouro.

Não foi surpresa a potência E.U.A. mais uma vez ficar no topo da lista, porém, a grande vedete desta edição foi a Grã-Bretanha que obteve a segunda colocação. Em 2012 a Grã-Bretanha já tinha ficado em terceiro na sua casa e em 2008 na quarta colocação o que mostra uma incrível evolução nos últimos anos. Lembrando que em 2004 o Reino Unido tinha obtido apenas a décima colocação.

Nos últimos anos, China e Rússia estão sempre nas primeiras posições do ranking o que mostra a supremacia destes países na área dos esportes. Outros países que ficam um pouco mais abaixo no quadro de medalhas são Alemanha, França, Itália, Austrália e Japão. Nas últimas edições dos Jogos, estamos  notando também o declínio de Cuba e a ascensão de Coreia do Sul.

A queda do poderio de Cuba nos esportes que está sendo percebida tanto nos Jogos Olímpicos quanto nos Jogos Pan-americanos pode ser explicada por cortes de investimentos e deserções de atletas. O orçamento do governo cubando para o esporte já não é o mesmo que começou a ser aplicado após a revolução comunista em 1959. Em Jogos Olímpicos, os cubanos explodiram em Barcelona-1992 com 31 medalhas mantendo-se entre os dez primeiros até Sydney-2000. Em Londres ficaram apenas na posição 16 e no Rio na posição 18.

O milagre econômico da Coreia do Sul verificado nos últimos anos reflete no setor de esportes deste país. Movida à tecnologia e puxada por empresa de ponta como Samsung, LG e Hyundai, a economia do país caminha a passos largos. Ao contrário de Cuba, cuja crise dos últimos anos afeta o desempenho do país na área de esportes, na Coreia do Sul a situação é a oposto e o desempenho dos atletas sul-coreanos nos Jogos Olímpicos reflete isto.

Voltando ao Reino Unido, a mais nova potência olímpica do planeta, que conseguiu a façanha de superar seu recorde histórico de 60 medalhas quando foi o país-sede, nesta edição conseguiu quebrar o recorde com 67 medalhas no total. Nem o fato de ficar com quase metade das medalhas do primeiro lugar E.U.A. tira o brilho deste feito.

Ao contrário do que acontece em Copas do Mundo, Inglaterra, Escócia e País de Gales competem em conjunto em Olimpíadas. A Irlanda do Norte também está no grupo, assim como outros territórios britânicos sem representação esportiva. Após Atlanta-1996, quando o Comitê Olímpico Britânico experimentou sua pior Olimpíada ficando na posição 36 do quadro (naquela edição o Brasil ficou na posição 25), o então primeiro-ministro John Major iniciou uma série de mudanças na política esportiva do país.

Os resultados já apareceram nos Jogos seguintes em Sydney-2000 quando o Reino Unido ocupou a décima posição. Depois disto, o desempenho do “Team GB” foi melhorando edição a edição culminando na segunda posição no Rio.

Nota do autor: Veja também como foi o desempenho do Brasil na Paraolimpíada acessando o post Esportes Paralímpicos e o Fenômeno Daniel Dias.

Fator Casa

Já foi verificado na história dos Jogos Olímpicos que o “fator casa” tem um grande peso no desempenho dos países sede. Isto pode ser verificado nos gráficos mostrados logo abaixo:

medalhas olimpiadas pais sede

O caso do Reino Unido é emblemático pois conseguiram nesta última edição dos Jogos superar o feito do país-sede. Veja nos gráficos acima que os últimos países-sede Austrália, Grécia e China apresentaram desempenho inferior na edição seguinte o que não ocorreu com o Reino Unido. Mas o que está por trás disto? O que explica esta melhora de desempenho ano a ano?

De acordo com reportagem recente da Folha de São Paulo, a explicação é simples: investimento. Muito dinheiro investido, mas de maneira profissional – quem ganha mais medalha conta com mais recursos no ciclo olímpico seguinte, quem ganha menos ou não ganha tem a verba reduzida ou até cortada.

Isso explica porque o ciclismo, o atletismo e o remo britânicos só crescem, e a luta, o tênis de mesa e o vôlei só encolhem. Uma lógica fria, que já recebe críticas dos próprios Britânicos. Alguns jornalistas estão comparando este modelo com o empregado na antiga União Soviética.

“Talvez seja um exagero comparar os sistemas, mas usar recurso público para transformar esporte de alto rendimento em símbolo de sucesso do Estado lembra muito o período da Guerra Fria”. “Esporte de alto rendimento só serve para deixar as pessoas na frente da TV. Ele não as torna mais saudáveis. E uma política nacional de esportes deveria focar nisso, não em estudos de biomecânica que servirão apenas para um único cidadão conseguir medalha”. Afirma Christopher Gaffney,  professor do Departamento de Geografia da Universidade de Zurique.

O fator casa também pode ter contribuído para esta sensível melhora de posicionamento no quadro de medalhas. O gráfico abaixo ilustra isto. A grande questão agora é se conseguiremos manter ou melhor este desempenho em Tóquio-2020.

medalhas olimpiadas brasil

Quadro de Medalhas Histórico do Brasil

Reuni no quadro abaixo o total de medalhas obtido pelo Brasil em todas as edições que participamos. Excluindo o péssimo desempenho em Sydney quando o país não conseguiu obter uma medalha de ouro sequer, nos últimos anos temos verificado uma paulatina melhora no quadro de medalhas. Não temos uma economia galopante como a da Coreia do Sul mas melhoras econômicas verificadas no país desde a implantação do Plano Real estão diretamente relacionadas a este aumento de desempenho nos esportes olímpicos. Talvez teríamos obtido um melhor desempenho nestes jogos caso a crise político-econômica dos últimos anos não tivesse prejudicado os investimentos na área de esportes.

Jogos Ouro Prata Bronze Total
 Antuérpia, 1920  1  1  1  3
 Londres, 1948 0  0  1  1
 Helsinque, 1952  1  0  2  3
 Melbourne, 1956  1  0  0  1
 Roma, 1960  0  0  2  2
 Tóquio, 1964  0  0  1  1
 Cidade do México, 1968  0  1  2  3
 Munique, 1972  0  0  2  2
 Montreal, 1976  0  0  2  2
 Moscou, 1980 2  0  2  4
 Los Angeles, 1984  1  5  2  8
 Seul, 1988  1  2  3  6
 Barcelona, 1992  2  1  0  3
 Atlanta, 1996  3  3  9  15
 Sydney, 2000  0  6  6  12
 Atenas, 2004  5  2  3  10
 Pequim, 2008  3  4  8  15
 Londres, 2012  3  5  9  17
 Rio, 2016  7  6  6  19

Até a edição dos Jogos de 2012 o Brasil ocupava a posição 37 do ranking geral de todas as Olimpíadas com 108 medalhas no total. Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido ocupavam as três primeiras posições com 2.399, 1.010 e 780 medalhas respectivamente.

O Legado Olímpico

A imprensa internacional já elogia o Brasil na condução dos Jogos Olímpicos. Decorridos 2.515 dias desde a escolha do Rio de Janeiro como sede e a cerimônia de encerramento deste domingo, a avaliação da competição que predomina na imprensa internacional é positiva:

“Foi uma noite para o Rio celebrar. Apesar de preocupações sobre segurança e zika, os Jogos ocorreram em grande parte sem problemas”, escreveu Tom McGowan, da rede americana de TV CNN.

“Muitos brasileiros entraram nesses Jogos simplesmente torcendo para nada catastrófico acontecer. Mas o Brasil está terminando a Olimpíada em um tom decididamente otimista”, avaliou Reed Johnson, correspondente do Wall Street Journal no Brasil.

Para o britânico Financial Times , os Jogos do Rio “superaram muito as expectativas em casa e no exterior”.

O americano Washington Post e a rede alemã Deustche Welle mencionaram sentimento de “alívio” no Brasil pelo sucesso da Olimpíada.

“Alívio” é a palavra certa para o sentimento dos organizadores. Poucas semanas atrás não se sabia como o país se sairia na condução do maior evento esportivo do planeta. Os preparativos foram cercados de preocupações e polêmicas como a morte da onça Juma, epidemia de vírus Zika, poluição nos locais dos eventos principalmente na água, suspeitas de atos terroristas durante a realização do evento e as controversas reações da população por onde a tocha Olímpica passava (veja vídeo abaixo)…

A maior preocupação era mesmo em relação à segurança dos atletas e turistas na cidade do Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia do grau de terror, turistas franceses eram orientados pela Embaixada Francesa no Brasil a andarem com uma nota de R$ 50 para entregar, sem hesitar, a assaltantes caso sejam vítimas de um assalto. Segundo explicou o consulado geral da França no Rio de Janeiro, o que estava em questão não é a quantia, mas o procedimento do que deve ser feito numa ocasião como o de um assalto.

Além de levar o “dinheiro para o ladrão”, os franceses também eram orientados, segundo a cartilha, a tomar cuidado ao passear nas regiões da Lapa, Vista Chinesa e Santa Teresa. A região do Centro do Rio não deveria ser visitada nos fins de semana. O secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, considerou a medida da Embaixada da França deselegante com o Rio de Janeiro. Segundo ele, a violência acontece em todos os lugares do mundo e o Rio de Janeiro não foge à regra. Paes admite que a cidade enfrenta problemas de segurança, mas considerou a cartilha um exagero.

Se é exagero não sei, eu mesmo uso esta tática de andar com 50 reais no bolso para dar ao ladrão (se é que vai ter negociação), mas nadadores americanos levaram esta preocupação ao extremo e começaram a ver ladrões até onde não tinha. Brincadeiras à parte, passadas as preocupações, polêmicas e o alívio dos organizadores após encerramento, a pergunta que fica agora é: Qual será o legado desta Olimpíada para o Rio e para o Brasil?

O Custo das Olimpíadas Rio 2016

total dos investimentos para a realização dos Jogos Olímpicos e da Paraolímpicos Rio 2016 está na casa dos R$ 38 bilhões. Esse é o resultado da contabilização das três partes do orçamento, uma divisão que surgiu após as muitas críticas aos custos da Copa do Mundo. Para evitar uma cifra muito alta, os governos da cidade do Rio de Janeiro, do Estado e federal separaram os gastos em três pacotes:

  • Plano de Políticas Públicas – Legado dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016: Investimentos em mobilidade urbana, saneamento e segurança.
  • Matriz de Responsabilidade Olímpica: Gastos com equipamentos esportivos.
  • Orçamento do Comitê Organizador Local da Rio 2016: Gastos com alimentação de atletas, pagamento de recursos humanos e campanhas de marketing.

O Plano de Legado é o que concentra a maior parte dos investimentos. Seus 27 projetos de infraestrutura e políticas públicas nas áreas de mobilidade, meio ambiente, urbanização, esporte, educação e cultura estão orçados em R$ 24 bilhões. Sendo R$ 10 bilhões provenientes da iniciativa privada e R$ 14 bilhões provenientes dos cofres públicos.

Já as 47 ações da Matriz de Responsabilidade deverão gastar R$ 7 bilhões sendo R$ 4 bilhões bancados pelo setor privado e R$ 3 bilhões bancados pelo governo.

O orçamento do Comitê Rio 2016 está atualmente em torno de R$ 7,4 bilhões sendo que R$ 5.5 bilhões foram gastos até 2013 com a candidatura para os Jogos.

vila olimpica rio

Vila Olímpica Rio de Janeiro – Fonte da Imagem

Diferentemente do que aconteceu na Copa do Mundo, a maior parte dos investimentos na Olimpíada tem origem privada. Enquanto no Mundial de Futebol a participação privada ficou em torno de 17%, no Rio 2016 ela está estimada em 58%. Em suma, por volta de R$ 17 bilhões serão bancados por nós pagadores de impostos ao governo federal, governo estadual do rio e à prefeitura da cidade sede.

Considerando que no ano de 2015 os gastos totais do governo federal foram de R$ 1,7 trilhão, podemos considerar que o gasto com os Jogos Olímpicos Rio 2016 está na casa de 1% de todo orçamento federal do ano passado. Mas isto é pouco ou é muito?

Para fins de comparação, tomemos como exemplo o caso de Atlanta-1996 onde foram gastos pelo governo em torno de US$ 4 bilhões em valores já corrigidos pela inflação. Valor bem mais baixo que os US$ 5 bilhões a serem gastos aqui no Brasil se tomarmos por base o câmbio de hoje. Mas devemos levar em consideração que o os gastos totais do governo americano estão na casa dos US$ 3 trilhões, ou seja, se os Estados Unidos tivessem gasto 1% disto então o custo de Atlanta seria incríveis US$ 30 bilhões.

Quem se Beneficia com os Jogos Olímpicos?

Em recente artigo publicado no portal Mises Brasil, Brittany Hunter vai fundo nesta questão e traça um diagnóstico dos reais beneficiários de um Olimpíada bancada em grande parte com dinheiro público. Para ele, nada de positivo fica para a economia do país e muito menos para os pagadores de impostos. Ele cita estudos que afirmam que eventos esportivos não geram riquezas para a economias locais. E grandes eventos esportivos como as Olimpíadas são muito piores, pois eles inevitavelmente geram pesados transtornos para a população local: o comércio local é fechado e há uma pesada militarização da polícia local para propósitos de “segurança”. Quando o evento acaba e todos os visitantes vão embora, o comércio local não vê nenhum benefício que compense o maciço fardo tributário e o enorme endividamento gerados pelo evento.

Hunter vai além indo de encontro aos grupos realmente beneficiados. Segundo ele os eventos são um parque de diversões para políticos e empreiteiras, os quais se beneficiam imensamente dos lucrativos contratos governamentais para construir (provavelmente com algum superfaturamento) os estádios, vilas olímpicas e afins. Os políticos, por sua vez, recebem os “agrados” dessas empreiteiras escolhidas. As redes de hotéis e a própria mídia também se beneficiam do evento. Já para os membros do Comitê Olímpico Internacional, as Olimpíadas são uma festa non-stop, durante a qual eles vivem na opulência à custa dos pagadores de impostos, os quais devem se sentir privilegiados por sediar e bancar esse prestigioso evento.

O Legado de Londres: Desapropriação e Gentrificação

leste londres olimpiadasEm artigo escrito por Felicity Clarke que pode ser encontrado em versão traduzida aqui, o autor procura diagnosticar os impactos locais e o legado das Olimpíadas no Leste de Londres, o principal cenário dos jogos de 2012. Os Jogos de Londres foram vistos como um grande sucesso, desde a cerimônia de abertura até a tranquila organização dos jogos. O evento parecia representar um modelo de hospedagem de um mega evento, e apesar das reclamações dos britânicos sobre os altos custos, e questionamento de sua utilidade para o país, o país foi varrido por uma onda de orgulho nacional quando os jogos chegaram e passaram. Mas o que ficou depois da festa?

 

De acordo com a Wikipédia, gentrificação (do inglês gentrification) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada.

vila autodromoSob o ponto de vista de localização e edificação, Felicity Clarke procura informar no seu artigo que as Olimpíadas são basicamente um exercício em desenvolvimento de propriedade que desloca pessoas pobres e indústrias locais de terras valiosas. No caso de Londres, a gentrificação ocorreu no leste da cidade, local da construção do parque olímpico. Para o autor, as Olimpíadas, que apresentam uma enorme oportunidade para a reconstrução de uma grande área, são um veículo fundamental para este tipo de modelo, em que os pobres são expulsos ou deslocados.

Um relatório publicado em 2007 pelo Centro de Direitos de Moradia e Expulsão financiado pelas Nações Unidas (COHRE) concluiu que, entre 1988 e 2008, as Olimpíadas têm deslocado mais de dois milhões de pessoas ao redor do mundo e são uma das principais causas da inflação imobiliária.

Olhando para Londres é possível identificar o mesmo modelo no Rio de Janeiro de deslocamento e marginalização. Com a revelação de que 75% do Parque Olímpico do Rio de Janeiro será vendido para interesses privados após os Jogos, e a insistência das autoridades sobre a remoção de Vila Autódromo e dezenas de outras comunidades em toda a cidade, parece que o Rio está destinado não só a repetir o seus próprios erros do passado, mas os de todas as cidades Olímpicas recentes.

Na figura, moradores da Vila Autódromo assistem desolados o trabalho das máquinas de demolição.

Um Caso de Sucesso

Em outro artigo publicado no Mises, Brittany Hunter evidencia o caso de Los Angeles-1984 quando a Olimpíada foi privatizada e desta forma se tornou um sucesso financeiro. Como todos já sabem, uma Olimpíada é um evento financiado, em grande medida, pelos governos do país-sede. Quando chegou a época de as cidades apresentarem candidatura para sediar a Olimpíada de 1984, ninguém se voluntariou. À época, sediar os jogos olímpicos era visto como o que realmente são: um risco financeiro. Após ter sediado a Olimpíada de 1976, a cidade de Montreal se viu com uma dívida de US$ 1,5 bilhão. Os jogos foram um desastre financeiro para a cidade, a qual só conseguiu finalmente quitar toda a dívida no ano de 2006. Os jogos olímpicos de Moscou, em 1980, também foram outro desastre financeiro.

Hunter registra no seu artigo que apenas duas cidades haviam oficialmente se candidatado: Nova York e Los Angeles. Los Angeles venceu a disputa, mas seus cidadãos não estavam entusiasmados. Tampouco estavam dispostos a bancar toda a festa. Eles estavam tão inflexíveis no propósito de proteger seus dólares que conseguiram aprovar um projeto de lei proibindo o uso de dinheiro público para construir as instalações olímpicas. Consequentemente, a cidade tinha a honra de sediar os jogos olímpicos, mas não tinha como pagar.

Foi então que um empreendedor local chamado Peter Ueberroth entrou em cena e assumiu a iniciativa do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos. Formado por outros empresários, bem como por indivíduos sagazes e de mentalidade empreendedora, o objetivo do Comitê era simples: encontrar financiamento privado para a Olimpíada, uma façanha que até então jamais havia sido feito.

O Comitê Organizador deixou claro ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que a cidade não arcaria com nenhum eventual custo adicional e que as instalações esportivas já existentes seriam as mais utilizadas, em particular o Los Angeles Memorial Coliseum, que havia sido construído para as Olimpíadas de 1932. O Velódromo Olímpico e o Estádio Olímpico de Natação, financiados pela McDonald’s e pela 7-Eleven respectivamente, foram as únicas duas instalações construídas especificamente para os jogos olímpicos.

olimpiadas 1984 los angeles abertura

Abertura dos Jogos Olímpicos 1984 no Los Angeles Memorial Coliseum – Fonte da Imagem

Os baixos custos de construção, em conjunto com a forte dependência de financiamento privado, permitiram aos Jogos gerar um lucro de mais de US$ 200 milhões à época (equivalentes a US$ 464 milhões hoje), fazendo daqueles jogos olímpicos, de longe, os mais financeiramente bem-sucedidos da história. Isto só foi possível através de uma política eficiente de utilização de recursos já existentes. Em vez de esbanjar milhões na construção de novas instalações, simplesmente utilizou-se arenas e instalações universitárias que já existiam. Para alojar os atletas, optou-se por utilizar os dormitórios das faculdades e universidades, bem como todos os outros tipos de alojamentos espalhados pela cidade, em vez de construir uma  custosa “Vila Olímpica”.

Hunter conclui que as Olimpíadas são um grande negócio para os empresários e não para o governo.  Segundo ele, um evento capaz de gerar grandes volumes de receitas por si só pode ser perfeitamente organizado por um conglomerado de empreendedores em busca do lucro. E sabemos que governos não são os melhores gestores de obras. Embora os Jogos Olímpicos de 1984 foram um empreendimento 100% privado (houve algum auxílio do governo federal), a Olimpíada daquele ano mostrou que a privatização não só é possível, como também é a maneira mais eficiente de fazer o serviço.

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