Ábaco Líquido

Dar nome às coisas sempre é uma tarefa difícil. A infinidade de palavras e significados fazem nos perder em um mundo de opções. Para dar nome a este site procurei buscar duas palavras que representassem os temas que mais me interessam: ciências exatas e ciências humanas. Sou engenheiro de formação e desde que me conheço como estudante sempre transitei na área das exatas. Porém, depois de velho, passei a me interessar pela área de humanas, mais especificamente temas como filosofia, psicologia e sociologia.

Desta forma, para representar a área das ciências exatas escolhi a palavra “ábaco” e para representar algo na área de humanas escolhi a palavras “líquido”. Não preciso dizer qual é a relação do objeto ábaco com a área das exatas mas talvez a palavra líquido esteja intrigando o leitor neste momento. Trata-se do termo utilizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para caracterizar a sociedade atual ou as relações no mundo atual.

De acordo com ele, nos tempos atuais, as relações entre os indivíduos tendem a ser menos frequentes e duradouras. Uma de suas citações poderia ser traduzida por “as relações escorrem pelo vão dos dedos”. Devido ao conceito de “relações líquidas” formulado por Zygmunt Bauman em livros como Amor Líquido, onde as relações amorosas deixam de ter aspecto de união e passam a ser mero acúmulo de experiências, ou em Medo Líquido, onde a insegurança é parte estrutural da constituição do sujeito pós-moderno.

Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman cunha o conceito de sociedade líquida. Mas o que é isto? Para ele, a sociedade atual pode ser classificada como uma modernidade líquida (que seria uma substituição do termo “pós-modernidade”, que se tornou muito mais uma ideologia do que um tipo de condição humana, como diz o autor), em contraposição à modernidade sólida que seria a modernidade propriamente dita, da época da guerra fria e das guerras mundiais.

Qual a grande diferença? Pode-se começar pelo fim das utopias. A sociedade líquida, ao contrário do que ocorreu durante o século XX, não pensa a longo prazo, não consegue traduzir seus desejos em um projeto de longa duração e de trabalho duro e intenso para a humanidade. Os grandes projetos de novas sociedades se perderam e a força da sociedade não é mais voltada para o alcance de um objetivo.

Para ele, houve um tempo em que conceitos eram sólidos. Ideias, ideologias, relações, blocos de pensamento moldando a realidade e a interação entre as pessoas. O século 20, com suas conquistas tecnológicas, embates políticos e guerras viu o apogeu e o declínio desse mundo sólido. A pós-modernidade trouxe com ela a fluidez do líquido, ignorando divisões e barreiras, assumindo formas, ocupando espaços diluindo certezas, crenças e práticas.

Não vou me alongar neste assunto pois não é objetivo deste post. Quero apenas finalizar dizendo que a temática deste novo blog continua a mesma do antigo, porém mais estruturada. Continuarei escrevendo sobre os mesmos temas e interagindo com os colegas. Espero que gostem do novo formato, ele ainda não está fechado, aceito críticas e sugestões.

Fonte 1 e Fonte 2

Atualização 1: Zygmunt Bauman Livros da Série “Líquido”

Para situar o leitor no pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, reuni algumas resenhas logo abaixo. São pequenos trechos, as resenhas completas podem ser acessadas nos respectivos links.

Zygmunt Bauman – A Cultura no Mundo Líquido Moderno

zygmunt bauman a cultura no mundo liquido moderno Um dos mais brilhantes e influentes pensadores da atualidade, Zygmunt Bauman rememora os deslocamentos históricos do conceito de cultura e examina seu destino num mundo marcado pelas novas e poderosas forças da globalização, da migração e da coexistência bélica de populações.

Em sua formulação original, há dois séculos, a “cultura” deveria ser um agente de mudança, uma missão empreendida com a finalidade de educar “o povo”, propiciando-lhe melhores condições de pensar e de criar. Porém, em nossa era líquida, a cultura perdeu seu papel missionário e se tornou um artifício de sedução.

Ela não busca mais esclarecer as pessoas, e sim atraí-las. Sua função não é satisfazer necessidades existentes, mas criar outras, garantindo que as antigas se mantenham sempre insatisfeitas.

A cultura agora se tornou objeto da moda: é uma gigantesca loja de departamentos com as prateleiras superlotadas de produtos cobiçados, estimulando desejos cuja gratificação é eternamente adiada.

Ao mesmo tempo em que se padroniza, no entanto, a cultura já não é universal, ela se especializa. Hoje existem “culturas”, e o “multiculturalismo” na verdade significa indiferença em relação ao outro.

Mas Zygmunt Bauman aponta uma chama de resistência aos poderes globalizados e de luta pelo direito de ser igual: exatamente ali onde os guetos se formam, é possível construir um espaço de convivência no qual todos são convocados a aprender com os outros

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Zygmunt Bauman – Amor Líquido

zygmunt bauman amor liquidoZygmunt Bauman procura investigar porque as relações humanas estão cada vez mais flexíveis, gerando níveis de insegurança que aumentam a cada dia. Os seres humanos estão dando mais importância a relacionamentos em rede que podem ser desmanchados a qualquer momento e muito facilmente.

Sendo este contato apenas virtual, as pessoas não sabem mais como manter um relacionamento a longo prazo. E isso não acorre apenas nas relações amorosas e vínculos familiares, mas também entre os seres humanos de uma maneira geral.

Os relacionamentos em geral, estão sendo tratados como mercadorias. Se existe algum defeito, podem ser trocadas por outras, mas não há garantia de que gostem do novo produto ou que possam receber seu dinheiro de volta.

Hoje em dia os automóveis, computadores ou telefones celulares em bom estado e em bom funcionamento são trocados como um monte de lixo no momento em que aparecem versões mais atualizadas. E assim acontece com os relacionamentos, não gostou, pode trocar, assim ninguém sofre.

Também existem os relacionamentos de bolso, do tipo que pode-se usar e dispor quando for necessário e depois tornar a guardar para ser utilizado numa outra ocasião. A sociedade atual está criando uma nova ética do relacionamento, os relacionamentos estão cada vez mais fragilizados e desumanos.

A definição romântica do amor, está fora de moda. O amor verdadeiro em sua definição romântica, foi rebaixado a diversos conjuntos de experiências vividas pelas pessoas, nas quais referem-se utilizando a palavra amor. Noites avulsas de sexo são chamadas de “fazer amor”.

Hoje é muito fácil de se dizer “eu te amo”, pois não existe mais a responsabilidade de estar mesmo amando, a palavra amor foi rotulada de uma forma, em que as pessoas nem sabem direito o que sentem, não conseguem definir uma diferença entre amor e paixão, por exemplo, e mesmo assim utilizam incorretamente esta palavra, que perdeu sua importância.

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Zygmunt Bauman – Medo Líquido

zygmunt bauman medo liquido Medo Líquido é a tentativa de Zygmunt Bauman em descrever alguns aspectos do medo na modernidade líquida. Além das análises do momento histórico atual, algumas categorias muito importantes são explicadas.

O livro, pelo menos pra mim, foi um pouco demorado, portanto uma resenha decente teria, não sei, algo em torno de [coloque aqui um alto número de páginas]. Como a intenção é ser um apanhado geral, a economia passa a ser referência na escrita.

Para Zygmunt Bauman, há três formas do medo afligir as pessoas em nossa sociedade líquida: 1) pelo medo de não conseguir garantir o futuro, de não conseguir trabalhar ou ter qualquer tipo de sustento, 2) pelo medo de não conseguir se fixar na estrutura social, que significa, basicamente, o medo de perder a posição que se ocupa, de cair para posições vulneráveis e 3) o medo em torno da integridade física.

Zygmunt Bauman também toma o conceito de “medo derivado”. Ao contrário do medo primário, o medo derivado (que é secundário) é um medo inculcado socialmente. O medo primário se trata do medo da morte na sua forma mais pura: é o medo de levar um tiro quando se está na guerra; já o medo secundário é aquele que nos obriga a seguir pelo caminho mais longo para não passarmos pelo meio da favela.

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Zygmunt Bauman – Tempos Líquidos

zygmunt bauman tempos liquidos Zygmunt Bauman fala sobre medo e insegurança. Os perigos que enfrentamos hoje são maiores do que os de outros tempos? Viver é mais difícil? O que há por trás dessa “indústria” da insegurança na qual estamos inseridos? Estamos?

O olhar do autor não é subjetivo e vago ao tentar responder. É direto e esclarecedor, atentando para a forma como o ambiente das cidades – inicialmente construídas para fornecer abrigo entre seus muros – acabou sendo transformado em espaço de medo e desintegração.

Um mundo de tempos líquidos, e daí o título da obra. Conceitos como governo, religião, comunidade, família, etc., antes “sólidos pilares” (será?), dissolvem-se em meio a redes sociais novas, onde rotinas de comportamento são quebradas e valores são questionados frente a uma liberdade individual “teoricamente infinita” e igualmente quebrada e questionável.

Mas essas mudanças – e a rapidez com que elas ocorrem – cobram um preço alto, nem sempre pago com facilidade (algumas promoções vendem felicidade aceitando cartão de crédito? Ora, ora, lá vamos nós, aderindo ao crédito fácil e enredados em novas redes).

Zygmunt Bauman reflete sobre os efeitos dessa “rapidez” em nossa vida, nos laços afetivos, na capacidade de amar, de ver, perceber, opinar. Os olhos ainda podem ser livres? Algum dia já foram? O que são olhos livres? O que é o sentir livre?

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Zygmunt Bauman – Vida Líquida

zygmunt bauman vida liquida Neste livro “Vida Líquida” ele aborda a relação humana em uma sociedade consumista, e essa sociedade acaba valorizando mais o que é temporário. E essa é a definição de sociedade líquido-moderna que ele aborda logo no início ele define de forma mais clara:

A “Líquido-moderna” é uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, da forma de agir.

O autor nos leva a questionar e duvidar de tudo que tem sido nos apresentados. Ele resume muito bem essa vida líquida, onde ela […]é uma vida precária, vivida em condições de incerteza constante.

As preocupações mais intensas e obstinadas que assombram esse tipo de vida são os temores de ser pego tirando uma soneca, não conseguir acompanhar a rapidez dos eventos, ficar para trás[…]. A vida liquida é uma sucessão de reinícios. E neste mundo líquido-moderno, a lealdade é motivo de vergonha, não de orgulho.

Zygmunt Bauman inicia falando sobre os indivíduos, onde ser um indivíduo significa ser igual a todos no grupo, ou seja, idêntico aos demais. Ele trata muito pela individualidade. Mais à frente ele trata dos heróis numa sociedade consumista, onde se tornam celebridade e perdem sua eternidade.

Não lutam por uma causa nobre, os heróis atuais servem apenas de matriz para serem copiadas esteticamente. Zygmunt Baumam também aborda sobre a formação da cultura e seu valor no mercado, a autor diz que são os mercados que ditam o que é essencial para a cultura e não ao contrário. Naturalmente, são os critérios do mercado de consumo, do tipo que estabelece uma preferência pelo consumo, a satisfação e o lucro instantâneos.

O autor, fala sobre os consumidores ele começa dizendo que a sociedade de consumo tem por base a premissa de satisfazer os desejos humanos de uma forma que nenhuma sociedade do passado pode realizar ou sonhar. A sociedade de consumo consegue tornar permanente a insatisfação. Uma das formas de causar esse efeito é depreciar e desvalorizar produtos de consumo logo depois de terem sidos alçados ao universo dos desejos do consumidor.

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Zygmunt Bauman – Modernidade Líquida

zygmunt bauman modernidade liquida O livro Modernidade Líquida, escrito por Zygmund Bauman retrata a mudança da sociedade sólida para a líquida. Sua liquides faz com que ela seja mais bem adaptada aos meios, preencha um ambiente, que com a mesma facilidade se esvai deste local, para assim tomar outra forma. Ao contrário da solidez, que não consegue preencher um ambiente que não seja de sua forma.

A sociedade moderna líquida não se fixa a um espaço ou tempo, sempre dispostos à mudanças e livres para experimentar algo novo. Manter uma forma fixa não é tão fácil como simplesmente tomar nova forma, e tomar nova forma é fonte de força e invencibilidade, se adapta ao ambiente e tira o melhor dele para si, depois parte para a próxima forma. Com isso, as formas de poder na sociedade estão sendo realocadas e redistribuídas, e os objetos não duráveis tomam conta e a durabilidade já não tem mais o mesmo valor. As diversas famílias se deparam com moldes diferentes e valores invertidos.

No primeiro capitulo, Zygmunt Bauman traz o conceito de emancipação, que é tornar-se livre, independente. Ser liberto é se libertar daquilo que nos impede de movimento, e sentir-se livre é não ter empecilho para se movimentar. Diz que devemos nos emancipar da sociedade, nos tornar livre da sociedade. Contudo, o ser deve ser livre para se movimentar se livrando daquilo que tira a liberdade de movimento. Portanto deve tomar seu estado líquido.

Todos querem a liberdade para fluir e tomar seus lugares diversos e mudar constantemente e, portanto, deixaram de indagar os porquês de cada situação. Na modernidade a crítica não é bem recebida. Aceita tudo o que se tem e o que lhes é oferecido, pois já tem sua liberdade ganha. As críticas se transformam em reflexões e questionamentos.

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Atualização 2: Significado de “Liquidez”

Agora voltando à área das exatas, em economia o termo Liquidez é utilizado como medida da velocidade e facilidade com a qual um ativo pode ser convertido em caixa. Por exemplo: ouro é um ativo de alta liquidez pois pode ser rapidamente vendido. Por outro lado, uma loja tem liquidez baixa pois não pode ser vendida rapidamente.

Contudo, a liquidez possui duas dimensões: facilidade de conversão versus perda de valor. Qualquer ativo pode ser convertido em caixa rapidamente, desde que se reduza suficientemente o preço. No caso da loja, pode-se vendê-la rapidamente, desde que se coloque um preço bem abaixo do mercado.

Um ativo de alta liquidez, portanto, é aquele que pode ser vendido rapidamente sem perda significativa de valor. Infelizmente, os ativos líquidos geralmente são menos rentáveis. Por exemplo, o saldo de caixa é o mais líquido dos ativos, mas algumas vezes ele não gera retorno algum, pois apenas está lá, parado.

Um ativo é tanto mais líquido quanto mais fácil for transformá-lo em dinheiro vivo, ou seja, a liquidez pode ser entendida como a medida de interesse que o mercado tem em negociar esse ativo. Ela pode variar conforme o tipo de investimento feito pela empresa, as suas perspectivas de lucro e as conjunturas econômicas nacional e internacional.

A moeda é considerada como o ativo mais líquido, mas é uma reserva de valor imperfeita. Quando há uma elevação geral dos preços da economia (inflação), por exemplo, o valor da moeda cai. Outros exemplos de liquidez:

Poupança: Liquidez alta pois pode-se sacar ou resgatar o montante imediatamente sem perda de valor.

CDBs, LCs, LCIs e LCAs: Liquidez média nos casos em que não há prazo para resgate.

Títulos Públicos: Liquidez média uma vez que vendas só podem ser realizadas em determinados períodos.

Ações e FIIs: Depende do ativo mas geralmente a liquidez é alta ou média. Há poucos casos em que a liquidez é baixa.

Imóveis: Liquidez baixa pois a venda de um imóvel pelo valor justo pode durar meses.

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